Voto Consciente: um forte instrumento de mudança política e social
A eleição se aproxima, e, com ela, aumenta a expectativa de mudanças no cenário político do Brasil. A liberdade de escolher nossos representantes exige atenção à trajetória, ao preparo e ao espírito público de quem se apresenta. Muitos eleitores, entretanto, não acreditam ser possível mudar a história do país e insistem na ideia de que a corrupção é inerente à política brasileira.
Todavia, as eleições municipais deste ano determinarão o futuro de cada cidade para os próximos quatro anos, motivo pelo qual é fundamental que cada eleitor faça a sua opção de modo consciente e com seriedade.
No dia 4 de outubro, primeiro turno das Eleições 2026, 158.745.463 eleitores e eleitoras poderão comparecer às urnas para escolher os novos representantes políticos. O crescimento foi de 2.291.452 de pessoas (1,46%) em comparação com o pleito de 2022. Em 2026, estão em disputa os cargos de presidente da República, governador, senador, deputado federal e deputado estadual ou distrital.
Nesse contexto, é necessário entender que a República Federativa do Brasil constitui-se em Estado democrático de direito no qual “todo poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente” (art. 1º, parágrafo único, da Constituição Federal de 1988).
Para a maioria dos brasileiros, votar é uma obrigação prevista na Constituição. Há, porém, grupos que podem decidir livremente se comparecem ou não às urnas. Jovens de 16 e 17 anos e pessoas analfabetas ou com mais de 70 anos têm voto facultativo. Para alguns, essa liberdade marca o início da vida política. Para outros, representa a possibilidade de continuar exercendo um direito por convicção, e não por obrigação.
Assim, o sentido da democracia está na possibilidade de o cidadão exercer a soberania popular, que se concretiza pelo sufrágio universal e pelo voto direto e secreto na escolha dos governantes. Daí, o eleitor tem em suas mãos um importante instrumento de mudança política e social: o voto.
Há uma dimensão sagrada no exercício do voto, compreendida como o respeito devido à liberdade de cada cidadão e à responsabilidade que acompanha uma escolha coletiva. Na eleição, pessoas com histórias, rendas e oportunidades muito diferentes têm igual direito de decidir a quem confiar a representação do interesse público. Preservar esse momento exige serenidade para avaliar, liberdade para divergir e disposição para reconhecer a legitimidade da vontade expressa nas urnas.
Ao escolher representantes para o Parlamento e para o Executivo, a sociedade entrega atribuições que alcançam a vida cotidiana. A elaboração das leis, a fiscalização dos governos, a definição do orçamento e a condução dos serviços públicos passam por pessoas autorizadas pelo voto. Dessa delegação dependem decisões sobre a escola, o atendimento de saúde, a segurança, as condições de produzir e as possibilidades de trabalhar e viver com dignidade.
O que precisamos ter sempre em mente é que o voto não é mercadoria. É consciência.
A política começa no momento em que o cidadão entende que o seu voto não é apenas um número na urna é a escolha de quem terá poder para representar seus interesses e decidir os rumos do país.
Votar por protesto, deixar de votar por descrença ou, pior, vender o próprio voto significa abrir mão da própria capacidade de escolher e cobrar. E é justamente esse ciclo que precisa ser rompido.
O Brasil precisa de eleitores conscientes e de representantes à altura da responsabilidade que recebem. A democracia não se fortalece quando o cidadão se afasta da política. Ela se fortalece quando o cidadão entende que a política também é responsabilidade dele.
As redes sociais ampliaram esse espaço de participação. Trouxeram informação, confronto de ideias e a possibilidade de questionar narrativas que antes chegavam ao cidadão por poucos canais. Mas liberdade também exige responsabilidade: informar-se, comparar, questionar e escolher.
Que o Espírito Santo nos guie em nossas escolhas e que possamos contribuir para uma sociedade mais justa e fraterna, onde o amor de Cristo possa realmente se manifestar em nossas ações e decisões.
O futuro do Brasil depende de todos nós. Vamos às ruas e às urnas com consciência!
GILMAR CARDOSO, advogado, poeta, membro da Academia Mourãoense de Letras e da Comissão de Direito Eleitoral da OAB-PR.

