Por que os algoritmos não conseguem prever o amor
Muitas pessoas passaram a colocar a responsabilidade pela própria felicidade pessoal nos algoritmos. Até certo ponto, os desenvolvedores de aplicativos de namoro têm culpa nesse fenômeno. Eles nos convenceram de que, com o surgimento dos serviços de namoro, a solidão deixaria de existir. Bastaria especificar os requisitos para um parceiro e o sistema selecionaria candidatos ideais. Porém, os algoritmos se mostraram realmente bons apenas para recomendar músicas ou produtos. Quando o assunto são sentimentos humanos, apenas código não basta.
Como os algoritmos funcionam
A maioria dos aplicativos funciona com base no princípio do matching (encontro de compatibilidade). Os algoritmos analisam você, sua idade, localização, interesses etc, assim como o seu comportamento dentro do app. Eles observam quais perfis você desliza para a esquerda e em quais você passa mais tempo, com quem conversa e quem ignora. Por exemplo, se ambos gostam de culinária italiana, trilhas nas montanhas e da série “Friends”, o algoritmo interpreta isso como um sinal de compatibilidade. Mas interesses em comum estão longe de garantir um relacionamento feliz.
O principal problema dos algoritmos é que eles trabalham apenas com dados estáticos. Eles conseguem comparar fatos da sua biografia, mas não conseguem prever se o senso de humor vai combinar ou se as visões sobre filhos estarão alinhadas. Você pode ter inúmeras coisas em comum com alguém e, ainda assim, não sentir nenhuma faísca ao se encontrar. A questão é que essa chamada “química” não pode ser digitalizada. Para um algoritmo, você é apenas um conjunto de características. No entanto, o amor muitas vezes surge apesar de tudo. A própria compatibilidade frequentemente desafia a lógica. É por isso que os algoritmos erram tanto.
O “Paradoxo da Escolha” nos aplicativos de namoro
Os algoritmos acabam nos prendendo: quando somos confrontados com um fluxo interminável de perfis, o ato de escolher se torna cada vez mais difícil. Ficamos excessivamente exigentes e seletivos, rejeitando potenciais parceiros pelos motivos mais banais. Às vezes, simplesmente porque não gostamos da cor da camisa usada pela pessoa. Psicólogos chamam isso de “paradoxo da escolha”, ou seja, quanto mais opções temos, mais difícil é escolher apenas uma.
Além disso, a maioria dos aplicativos de namoro é construída sobre um modelo de negócios que está focado em manter o usuário engajado e entrando constantemente na plataforma, não em sua felicidade pessoal. Quanto mais tempo você usar o aplicativo, mais lucro seus desenvolvedores irão obter. Por isso, apesar das promessas grandiosas, ninguém está realmente interessado em que você encontre rapidamente sua alma gêmea e exclua seu perfil de seguida. Assim como acontece nas redes sociais, o feed do Tinder e de serviços semelhantes é baseado no princípio da rolagem infinita. Você desliza pelos perfis, seu cérebro recebe uma dose de dopamina na expectativa daquele match perfeito e acaba preso em uma armadilha de dopamina. Dá vontade de continuar deslizando, porque parece que você está prestes a encontrar “a pessoa certa”. Mas, no fim, só fica cansado e frustrado com os serviços de namoro.
É por isso que cada vez mais usuários estão buscando uma alternativa, o bate-papo por vídeo aleatório. Por exemplo, a plataforma OmegleTV oferece um tipo de experiência de comunicação online completamente diferente. Ela funciona como um produto análogo da antiga e popular roleta de vídeo do Omegle. Aqui, as pessoas conversam em tempo real, sem trocar mensagens de texto e sem esperar por respostas. Não é preciso passar horas deslizando perfis na esperança de ter um match. O sistema seleciona automaticamente um parceiro de conversa de forma aleatória. Nunca dá para prever quem estará do outro lado da tela no próximo momento. Isso devolve ao namoro online a imprevisibilidade que os serviços tradicionais perderam.
Sinais não verbais e energia: o que se perde quando migramos para o online
Na vida real, lemos a outra pessoa em frações de segundo. Os sinais não verbais fornecem uma quantidade enorme de informação. Pelo tom de voz, pelas mudanças na expressão facial ou até pelos gestos, podemos perceber como a outra pessoa se sente em relação a nós. Pelo contrário, quando a comunicação acontece pela internet, geralmente contamos apenas com texto e toda a nuance emocional fica fora da tela. Não vemos nem ouvimos a outra pessoa, então só podemos imaginar quais emoções e sentimentos ela está vivenciando, ou mesmo se está vivenciando algum.
Os videochats resolvem esse problema. Ao conversar por vídeo, você volta a ter acesso a todos esses sinais não verbais: expressões faciais, tom de voz, gestos. Dá para sentir a energia da pessoa e entender se existe atração, ou se é melhor encerrar a conversa imediatamente. Ao mesmo tempo, no vídeo chat online, você vê o parceiro de conversa como ele realmente é no dia a dia. Não há filtros nem máscaras, o que reduz muito o risco de decepção em um encontro offline, já que você já teve contato com a versão “real” da pessoa pela câmera. Em contraste, nas redes sociais e nos aplicativos de namoro, muita gente exagera no Photoshop, publica fotos antigas ou até usa imagens que nem são suas. Quando expectativa e realidade não se encontram, não há espaço para que um relacionamento se desenvolva.
Tecnologia como uma ferramenta, não como a solução
A tecnologia não é nossa inimiga. O problema é que, muitas vezes, ela é utilizada da forma errada. Para não se tornar refém dos algoritmos, é preciso deixar de vê-los como uma cura mágica para a solidão.
Aqui estão algumas dicas para usar a tecnologia a seu favor:
- Limite o tempo que passa nos aplicativos. Não transforme a busca por um parceiro em um trabalho. Quinze a vinte minutos por dia olhando perfis já é suficiente. Quando se passa horas deslizando, as outras pessoas deixam de ser interessantes como indivíduos e passam a ser apenas um “conjunto de características”. Quando o tempo acabar, feche o aplicativo. Isso ajuda a evitar a fadiga do swipe e o esgotamento.
- Converse por vídeo. Mesmo uma conversa curta por vídeo pode valer mais do que horas trocando mensagens. É a maneira mais rápida de verificar a vossa compatibilidade e perceber se realmente existe vontade de continuar se conhecendo. Trocando mensagens escritas, todos podem parecer perfeitos. Só a comunicação ao vivo mostra o quadro real. Por isso, não tenha receio de sugerir uma chamada de vídeo. Se a outra pessoa evita esse formato de forma persistente, é um motivo sério para avaliar se você não está desperdiçando tempo.
- Passe do online para o offline. As mensagens são apenas a primeira etapa e não vale a pena ficar preso a esse formato. Quanto mais tempo passar trocando mensagens, mais o cérebro preenche lacunas e cria uma imagem da outra pessoa que, na maioria dos casos, não corresponde à realidade. Portanto, se você gosta de alguém, sugira um encontro real.
Acima de tudo, não se esqueça da vida além do smartphone. O mundo real está cheio de pessoas que, assim como você, estão cansadas de gadgets e algoritmos. É possível conhecer alguém especial em um parque ou em uma cafeteria, ou seja, encontros aleatórios capazes de mudar a vida ainda acontecem.

