Campo Mourão

30 garis atuam na varrição de ruas e praças em Campo Mourão

Dia 16 de maio é comemorado no Brasil o Dia do Gari, profissional responsável pela varrição de espaços públicos na cidade. O termo surgiu em homenagem ao francês Pedro Aleixo Gary, que ficou conhecido por ser o fundador da primeira empresa de coleta de lixo nas ruas do Rio de Janeiro, em 1976.

Em Campo Mourão, a empresa responsável pela limpeza pública conta com 30 funcionários nessa função, além de outros 30 coletores. O trabalho começa bem cedinho e é dividido por setores. “No centro a varrição é diária e no entorno da área central uma vez por semana”, explica o gerente da empresa, Gustavo Pascom. Segundo ele, os garis mais idosos trabalham no centro, enquanto os mais jovens são designados nos setores onde exige maior esforço físico e mais distância, já que gari trabalha a pé.

Os garis que estão há mais tempo no ramo em Campo Mourão são Hamilte da Silva Paiva e Admilson Correia da Silva, que este ano completam 24 anos de serviço. Ambos garantem que gostam do que fazem e pelo tempo de trabalho são bastante conhecidos, especialmente dos comerciantes. Tantos anos na atividade também já renderam reconhecimento da Câmara de Vereadores, que em 2014 concedeu aos dois moção de congratulações, proposta pelo então vereador Toninho Machado.

“É um serviço que faço com prazer e já acostumei. A maioria das pessoas respeita a gente, cumprimenta, especialmente o pessoal do comércio”, conta Hamilte, que é mãe de três filhos e mora no Conjunto Mendes. Ela garante que nem pensa em aposentadoria. Chuva e vento são os principais inimigos do gari, porque a chuva impede o serviço e o vento derruba muitas folhas e pedaços de galhos. “Mas temos um patrão muito compreensivo que quando chove muito nos dispensa do trabalho”, comenta dona Hamilte, que tralha três dias por semana na varrição na área central e dois dias na sede da empresa.

Admilson conta que ainda era solteiro quando ingressou no serviço e hoje é casado e pai de dois filhos. “O sustento da família sempre veio da vassoura e sinto-me realizado em prestar esse serviço, que às vezes é difícil, mas também compensador”, avalia Admilson, que assim como dona Hamilte afirma que é respeitado pela maioria das pessoas. “Infelizmente tem gente que passa do lado da lixeira, mas prefere jogar o lixo na rua. Mas a gente também vê bons exemplos, como pais que orientam as crianças a carregar o papel na mão até chegar na lixeira”, relata. A segunda-feira, segundo ele, é o dia que os garis recolhem o maior volume de lixo.

Além do salário, eles recebem vale-alimentação, vale-transporte e EPI (Equipamento de Proteção Individual). “Mas o que mais oferecemos na empresa é o respeito, porque eles são uma extensão da família da gente. Estão aqui aqueles que se importam em fazer bem feito um serviço que é essencial para a cidade”, completa o gerente da empresa.

Dinheiro e celulares são encontrados pelos garis

Além de lixo dos mais diversos tipos, no trabalho de varrer as praças e sarjetas os garis às vezes encontram objetos perdidos e até dinheiro. Tanto dona Hamilte quanto Admilson contam que já encontraram dinheiro e até telefones celulares.

“Já devo ter achado uns três celulares, que fiz questão de devolver aos donos”, conta dona Hamilte, que foi recompensada pela devolução. Um dos celulares que ela achou foi perdido por um morador de Umuarama nas proximidades da praça. “Esperei ele ligar, atendi e devolvi. Ele ficou muito contente e me deu uma gratificação”, afirma.

Admilson também encontrou e devolveu alguns celulares, mas recorda de uma vez que achou R$ 230,00 durante a varrição. “A maior quantia foi essa, mas o mais comum é uma ou outra moeda que as pessoas perdem”, afirma. Ele também diz que já encontrou uma carteira com documentos pessoais e R$ 150,00, que fez questão de devolver ao dono.