Região

Acamdoze debate segurança pública na Comcam e vai reforçar cobrança ao Governo do Estado

Encontro reuniu diversos segmentos da sociedade.
Encontro foi realizado na Câmara Municipal de Peabiru

A falta de efetivo na Polícia Militar e Civil e a constante ação de marginais em algumas cidades da Comcam, a exemplo de Araruna e Peabiru, que vivem nos últimos dias uma onda de furtos e arrombamentos a residências, levou a Associação das Câmaras Municipais da Microrregião Doze (Acamdoze), a realizar uma assembleia extraordinária neste sábado (10), na Câmara de Peabiru para discutir exclusivamente sobre a segurança pública na região.

O encontro reuniu moradores da cidade, vereadores de Araruna, Peabiru, Quinta do Sol e Farol, o deputado estadual Douglas Fabrício, representantes de Igrejas Evangélicas, do Conselho Municipal de Segurança (Conseg), Associação Comercial, além do prefeito anfitrião, Júlio César Frare. O 11º Batalhão de Campo Mourão foi representado pelo tenente Marco Aurélio Duarte, comandante da Rocam. Além de discussões referentes a insegurança que preocupa na região, os vereadores votaram e aprovaram requerimentos na área de segurança. Os documentos serão encaminhados à secretaria de Estado da Segurança.

O presidente da Acamdoze, Valdir Hermes da Silva, vereador de Engenheiro Beltrão, afirmou que a situação será levada ao governador do Estado, Ratinho Junior e que a cobrança será intensificada para que a região seja atendida. “Não vamos deixar isso cair no esquecimento. Mas precisamos da união da população e da classe política para sensibilizar nosso governador. A segurança pública precisa de mais atenção em toda a região. As nossas polícias Militar e Civil estão desfalcadas, sem efetivo e desequipada, até mesmo sem viaturas, não podemos permitir que chegue a este ponto”, falou.

Para se ter ideia, Peabiru está já há algum tempo sem delegado de Polícia Civil, que foi transferido para Campo Mourão. A delegacia da cidade, atende também demandas de Araruna, por ser comarca. Outra situação que comprova o sucateamento da segurança pública na comarca é que o município está desde 2007 sem uma viatura caracterizada da Polícia Civil, o que coloca em risco a segurança dos profissionais para o caso de precisar deslocar algum preso.

Além disso, falta efetivo para a Polícia Militar e Civil. Por questões de segurança, a Polícia Militar solicitou que não fosse divulgado o número do efetivo nas duas cidades. “O escrivão de Peabiru está trabalhando 24 horas por dia, ninguém aguenta deste jeito. Outra vergonha é uma comarca sem delegado, o secretário de Segurança Pública tirou nosso delegado e levou para Campo Mourão, deixando Araruna e Peabiru desprotegidas. Tenho dó da Polícia Militar e Civil”, desabafou o presidente da Câmara de Peabiru, Alaerte Rodrigues dos Santos, ao informar que em um raio de 100 metros, mais de seis estabelecimentos foram arrombados na cidade nas últimas semanas. “Graças a Deus nenhum bandido ainda não tirou a vida de ninguém. Será que o Estado está esperando isso acontecer para tomar alguma providência”, questionou.

Estudos apontam que a Polícia Militar do Paraná deveria ter no mínimo 60 mil policiais, média de dois PM’s para cada 400 moradores, porém o número está quase três vezes abaixo disso, com o Estado tendo um efetivo de apenas 22 mil PM’s. “A segurança pública no Paraná está uma vergonha”, criticou Santos. Segundo ele, apesar da seriedade do assunto, nos últimos dias a insegurança virou até motivo de chacota na cidade. “Está tendo comentários pela cidade que os bandidos vão fazer um bingo para saberem qual será a próxima casa a ser arrombada. É triste, mas é o que está acontecendo”, falou.

O prefeito de Peabiru, Júlio Frare, também demonstrou preocupação com a falta de efetivo policial na cidade. Ele informou que desde fevereiro vem cobrando o governo do Estado por mais policiais, mas não foi atendido até o momento. “Nos reunimos recentemente com a secretaria de Segurança Pública do Estado que se comprometeu em 15 dias mandar um delegado para Peabiru, estamos aguardando para ver se realmente seremos atendidos”, falou.

Frare reconheceu que a Comcam toda está precisando de atenção especial na área de segurança, mas que Araruna e Peabiru, vivem uma situação crítica. “Nossa Polícia Civil está atendendo um raio de 100 quilômetros e para piorar estamos sem delegado. As viaturas, a prefeitura e Conseg é que estão concertando. É inadmissível uma situação dessa para uma cidade sede de comarca”, afirmou.

Representando a cidade de Araruna, o vereador Wagner Malaco, é outro que está preocupado com a criminalidade e a falta de efetivo policial na comarca. Ele disse que através da Câmara Municipal e da Acamdoze encaminhou com outros vereadores da cidade vários requerimentos à secretaria de Segurança cobrando uma solução para a situação.

“Agora recebemos há alguns dias uma resposta destes requerimentos informando sobre este concurso de 2,4 mil vagas, sendo 2 mil vagas para a PM e 400 para o Corpo de bombeiros. É uma luta árdua que estamos tendo devido a estes acontecimentos dos últimos dias nas duas cidades. Por enquanto estão ocorrendo apenas furtos e roubos, quero ver quando morrer alguém”, preocupou-se.

O vereador também cobrou uma participação mais efetiva da comunidade para a causa. “Infelizmente para reclamar tem muitos, mas na hora de correr atrás restam poucos. A região tem mais de 300 vereadores e quanto estão aqui? Temos 25 prefeitos, e só um está aqui hoje, onde estão os outros?”, questionou.

Cobrança

O deputado estadual, Douglas Fabrício, que participou do encontro, disse que reforçará as cobranças da região na área de segurança pública junto ao Governo do Estado. “Precisamos de mais reuniões como esta, é preciso cobrar para o governo entender que a situação não está bem”, falou.

Ele disse que utilizará o expediente da próxima segunda-feira na Assembleia Legislativa do Paraná para falar sobre o tema. “Constantemente temos levado reivindicações da região ao governador e desta vez não será diferente, a região precisa de mais efetivo e de uma Polícia Militar e Civil mais equipada”, argumentou.

Douglas comentou, no entanto, que os esforços do governador devem ser reconhecidos. “Ele completou agora sete meses de mandato e tem demonstrando interesse em resolver os problemas”, falou, ao cobrar ainda que toda a sociedade deve se mobilizar para melhorar a segurança.

11º BPM vai intensificar operações policiais para reprimir o crime

O tenente Marco Aurélio Duarte, comandante da Rocam, que representou o 11º Batalhão de Campo Mourão na reunião, informou que o comando do batalhão anunciou que a Polícia Militar irá intensificar as operações policiais em toda a região para coibir ações criminosas.

“Já existe esta determinação e vamos continuar empregando todas as forças contra o crime. Não vamos desistir”, falou o tenente, ao lembrar que recentemente a PM realizou uma grande operação em Peabiru. Referente a falta de efetivo na Comcam, a expectativa é que com o concurso anunciado pelo Estado para contratação de 2,4 mil policiais militares, os policiais que se formarem na escola de soldados de Campo Mourão posam permanecer na região, repondo desta forma o déficit de efetivo.

A escola de soldados de Campo Mourão tem capacidade para formar até 120 policiais. O presidente da Acamdoze, Valdir Hermes da Silva, disse que a entidade vai cobrar do governo para que estes policiais permaneçam na região. “Sabemos que podem ser formar aqui mas serem transferidos para outras cidades. Vamos nos mobilizar desde já para evitarmos que isso possa acontecer”, falou.