Região

Adapar reforça fiscalização sobre propriedades rurais em toda região

Com o início do vazio sanitário no Paraná nessa segunda-feira (10), fiscais da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) do núcleo de Campo Mourão estão reforçando a fiscalização sobre propriedades rurais em toda a região. A medida vigorará até o dia 10 de setembro e funciona como uma das principais estratégias para o manejo da ferrugem-asiática, a mais severa doença da soja. Neste período não poderá haver soja verde nas propriedades.

A orientação é que os produtores intensifiquem o monitoramento das lavouras. Caso constatada a presença de plantas vivas de soja em propriedades o responsável será penalizado à multa que varia de R$ 4,8 mil a R$ 9,6 mil. O valor pode ser aumentando em caso de agravantes, como reincidência, por exemplo.

As fiscalizações pela Adapar acontecem em todos os 25 municípios da Comcam. “Os produtores já sabem da sua obrigação, estamos percorrendo toda a região fazendo a fiscalização para fazer cumprir a legislação”, avisou o engenheiro agrônomo José Alcir de Oliveira, fiscal da Adapar.

Segundo ele, além de multa, os produtores estão sujeitos a outras sanções como: proibição do comércio de sua produção, interdição da propriedade e ainda vedação do crédito rural. “Ou seja, não vale à pena correr todo este risco”, frisou Oliveira. Segundo ele, no caso de reincidência a multa é aplicada em dobro ao produtor. “A partir de hoje (ontem) os técnicos já estão saindo a campo com os fiscais e, se encontrada áreas verdes, a multa já será aplicada diretamente não cabendo mais notificação”, observou.

O agrônomo destaca a relação custo/benefício do vazio sanitário, pois segundo ele, a medida gera economia por meio da redução da quantidade de aplicação de produtos químicos para controle da ferrugem asiática. Outro benefício da estratégia de manejo é contribuir para evitar que o fungo causador da ferrugem asiática (Phakopsora pachyrhizi) desenvolva resistência aos produtos químicos disponíveis. “A dedicação e o profissionalismo do produtor rural são novamente requisitados nesse período de vazio sanitário, em benefício de si próprio e de todo o setor produtivo”, destacou.

O fiscal explica que o fungo que causa a doença é biotrófico, ou seja, precisa de hospedeiro vivo para se desenvolver e multiplicar. “Ao eliminarmos as plantas de soja na entressafra interrompemos o ciclo do fungo, reduzindo assim a quantidade de esporos presentes no ambiente”, disse. Oliveira alerta ainda que na região, as condições climáticas favorecem a sobrevivência das plantas voluntárias de soja na entressafra, as chamadas tigueras, e, que, por isso o produtor deve fazer o monitoramento em sua propriedade para detectar a planta viva e eliminá-la.

Calendarização

O engenheiro agrônomo lembrou que a calendarização do plantio da soja está contribuindo para o vazio sanitário. Pela calendarização, o período de semeadora da cultura é de 11 de setembro a 31 de dezembro. Ou seja, a partir do dia 1º de janeiro o produtor não pode mais plantar soja. Outra consequência é que a soja não pode ser plantada sobre soja na mesma área e ano agrícola. Além disso, a cultura plantada até dezembro deve ser colhida no máximo até 15 de maio do ano seguinte, sob pena de multa.

Conforme a legislação, em situação excepcional, quando condições meteorológicas impedem a semeadura até 31 de dezembro, o produtor poderá realizar em data posterior desde que seja justificado por dados oficiais do Iapar ou Simepar o atraso do plantio.