Campo Mourão

Agricultor doa “artefato” indígena milenar para estudos

O artefato foi encontrado há aproximadamente 10 anos, nas proximidades da Região do Alto da Boa Vista.
O artefato foi entregue ao historiador Arléto Rocha, que instituiu o Museu do Caminho de Peabiru, no Município de Peabiru, voltado estritamente aos vestígios da forte presença indígena na região no passado, que era muito forte, de acordo com estudos já elaborados (Foto: Diego Reis)

O agricultor Nivaldo de Paula Silva, do Distrito de Piquirivaí, há aproximadamente 10 anos, encontrou um artefato de utilização indígena nas proximidades de sua propriedade rural, na Região do Alto da Boa Vista. E depois de alguns anos, optou por doar a alguma instituição para que o mesmo pudesse ser objeto de estudos e apreciação popular. E na manhã desta sexta-feira entregou o mesmo para o historiador Arléto Rocha, que instituiu o Museu do Caminho de Peabiru, no Município de Peabiru, voltado estritamente aos vestígios da forte presença indígena na região no passado, que era muito forte, de acordo com estudos já elaborados.

Em sua avaliação inicial, o historiador já se referiu ao artefato como um histórico utensílio dos índios, que foi deixado na região. “Acredito que este artefato tenha entre 500 e mil anos, época em que esta região era povoada pelos índios, em uma das ramificações do Caminho de Peabiru, que já é objeto dos nossos estudos por muitos anos”, afirmou.

O agricultor, que no ato da doação oficial estava acompanhado por sua esposa Vanessa, falou da satisfação em estar contribuindo com os estudos e com a cultura popular regional. “Para mim é uma grande felicidade, um momento muito especial, estar contribuindo com os estudos da cultura indígena, com a história popular e com o resgate de objetos que fizeram parte desta gente, que nos antecedeu. Eu já estava guardando este material a algum tempo, e por intermédio de um amigo, Diego Reis, pude ter a honra de fazer esta doação, contribuindo com o resgate histórico e com o conhecimento das pessoas, principalmente das crianças, adolescentes e os jovens, para que estes possam valorizar o passado, para uma boa construção do futuro”, ressalta.

Arléto agora explica que o objeto vai ser restaurado e enviado para estudos, possivelmente no Museu Paranaense. “A peça está em bom estado, mas tem uma anomalia em sua ponta. Vamos restaurar, o material está bem conservado, pela qualidade e capricho com o qual foi produzido, agora passará por estudos, para verificar em qual tribo o mesmo possa ser localizado, há quantos anos possa ser produzido e qual tenha sido seu uso, de fato. De antemão, acreditamos que o mesmo poderia ser utilizado como um pilão para produzir o urucum”. Ele aproveitou para agradecer o casal de agricultores pela contribuição com os estudos, com a cultura, e com a história, de uma maneira geral.