Região

Após mais de 30 anos, pavimentação entre Mato Rico e Roncador é realidade

Para os 3.340 mil habitantes de Mato Rico chegar e sair é um desafio. Para qualquer lado que se vá, a estrada é de terra ou então cascalho bruto. A mesma situação vive os moradores de Roncador, que precisam viajar a Pitanga cortando por dentro do município de Mato Rico. Para estudantes universitários das duas cidades e pacientes que precisam ser atendidos em Campo Mourão ou Pitanga, os transtornos são enormes. Mas este sofrimento pode estar com dos dias contados.

O Governo do Paraná pretende aplicar o valor “economizado” na licitação da PR-239 entre Pitanga e Mato Rico - R$ 44,1 milhões- na pavimentação também do trecho da rodovia entre Mato Rico e Roncador, que totaliza 20,1 quilômetros. Os trabalhos foram iniciados no entroncamento da PR-239 com a PR-466, no trevo principal de acesso a Pitanga. O valor de referência orçado pelo Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER-PR) para pavimentação era de R$ 133,5 milhões, mas o consórcio vencedor (Compasa-Gaissler-Via Venetto) vai realizar os serviços por R$ 89,4 milhões, um desconto de 33%.

“Estamos empenhados com toda a equipe da Secretaria de Infraestrutura e Logística e do BID para definir a documentação e estender a chamada ´Rodovia da Esperança´ para a cidade de Roncador”, afirmou o secretário de Infraestrutura e Logística do Paraná (SEIL), Abelardo Lupion em entrevista à TRIBUNA. “Isso é extremamente importante, nós vamos integrar a região toda”, ressaltou.

Equipe do DER esteve na cidade e já fez o levantamento do trecho

Os engenheiros já visitaram o local e fizeram o levantamento de alguns pontos topográficos. O processo está na fase de elaboração do termo de referência para contratar o projeto. A intenção é que tanto a licitação para contratação do projeto quanto a para execução da obra sejam realizadas com recursos do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), integrando o Programa Estratégico de Infraestrutura e Logística de Transportes do Paraná.

O novo trecho, em conjunto com a obra em andamento de Pitanga/Mato Rico, formará um corredor importante, entre Roncador e a PR-466, que deverá atrair o escoamento do Centro-Oeste do Estado, desenvolvendo toda a região.

Sonho

O prefeito de Mato Rico, Marcel Jayre Mendes dos Santos (PP), afirmou que a pavimentação asfáltica do trecho é uma reivindicação de mais de 30 anos. “A obra é um sonho”, ressaltou, ao afirmar que Mato Rico e Roncador são cidades “irmãs” e que a pavimentação asfáltica é um anseio da população das duas cidades e região em torno. “Este trecho é a principal saída de Mato Rico. Estamos a 5 quilômetros da divisa com a cidade de Roncador. Esta obra aproximará ainda mais os municípios que vão unir forças”, sustentou.

Todo o levantamento do trecho já foi feito por equipes do DER, inclusive o IAP já liberou o licenciamento ambiental para as obras. O prefeito afirmou que as obras de pavimentação entre as duas cidades irá oportunizar um novo corredor do Estadoa “O movimento que vem a Ubiratã hoje desce por Campo Mourão, Iretama e Pitanga. No trecho por dentro teria uma diminuição de aproximadamente 45 quilômetros e traria uma possibilidade de união de duas regiões além é claro de trazer uma ligação do município de Mato Rico que é um dos três municípios do Estado que ainda não tem ligação asfáltica. Se observarmos na região todos os municípios tiveram na década de 80 as suas construções de asfalto, como Santa Maria, Palmital, Iretama, Nova Cantu, e agora, depois de 30 anos chega a redenção e esperança para o município de Mato Rico”, falou Santos.

A pavimentação do trecho irá alavancar o desenvolvimento de toda a região de Mato Rico e Roncador. Conforme levantamento do DER existem aproximadamente 140 propriedades rurais nas faixas de domínio nas duas laterais da rodovia. Milhares de moradores da zona urbana e rural serão beneficiados diretamente com a obra.

Além disso, a região é extremamente produtiva, o que oportunizará, com a ligação do asfalto um novo corredor de desenvolvimento com possibilidades inclusive da instalação de empresas. “Teremos também a possibilidade do gás natural que está em Barra Bonita, mas também há um grande poço lacrado em Mato Rico além é claro da capacidade de todo o agronegócio instalado na região. Hoje, por exemplo, a produção de frango está locada em Campo Mourão, Ubiratã e Guarapuava. Passaríamos a ter neste entorno da região de Mato Rico uma nova possibilidade”, disse o prefeito de Mato Rico.

Cidades irmãs

A prefeita de Roncador, Marília Perotta Bento Gonçalves (PSDB), comemorou a possibilidade real da pavimentação do trecho. Ela lembrou que a obra era uma reivindicação de lideranças de toda aquela região. “Somos cidades irmãs, muitas pessoas moram aqui e trabalham em Mato Rico e vice-versa. Mato Rico se utiliza muito do nosso comércio e dos bancos. Ou seja, existe este trânsito grande entre as duas cidades”, falou.

Marília lembrou também que grande parte da safra de grãos do município de Mato Rico é escoada em cooperativas agrícolas de Roncador. “Ou seja, a cidade tem um laço extremamente forte com Mato Rico tanto por interesses comerciais quanto familiares”, ressaltou. A gestora destacou também que os estudantes das duas cidades serão beneficiados com a pavimentação.

Para se ter ideia, hoje alunos de Mato Rico que precisam se deslocar a universidades de Campo Mourão enfrentam 21 quilômetros de estrada de terra para chegar ao seu destino, a mesma situação vivem estudantes de Roncador que estudam em Pitanga. Marília comentou que a população já não acreditava mais nas obras de pavimentação do trecho devido às várias promessas feitas por governos passados. “Tanto se falou e nada foi cumprido desde então”, lamentou.

Atualmente o Produto Interno Bruto (PIB) de Mato Rico e Roncador alcança mais de R$ 150 milhões por ano. Ou seja, a região é bastante produtiva e tem importante contribuição econômica com o Estado. “Mais que isso somos merecedores deste investimento haja visto que todos os municípios do Estado tem ligação asfáltica”, cobrou o prefeito de Mato Rico, Marcel Santos.

Prefeito compara trecho à Estrada Boiadeira de Campo Mourão

A demora para pavimentação asfáltica do trecho entre Mato Rico e Roncador fez o prefeito mato-riquense, Marcel Jayre Mendes dos Santos (PP), comparar a situação com a da rodovia BR-487 (Estrada Boiadeira), que faz ligação com Campo Mourão e Cruzeiro do Oeste. Foram mais de 30 anos até a obra sair do papel.

Marcel: “É uma segunda Estrada Boiadeira do Estado do Paraná”

“Estive conversando com várias pessoas que são fundadoras de Mato Rico e também da região de Roncador, Barra Bonita e Pitanga, que informaram que esta obra é esperada há cerca de 50 anos. É uma segunda Estrada Boiadeira do Estado do Paraná. Em Campo Mourão levou aproximadamente 30 anos para ganhar asfalto, os governos foram passando e a obra ficando. Felizmente saiu o asfalto na Boiadeira e agora temos esta expectativa também”, comentou.

O prefeito comentou que a quantia de R$ 44 milhões é o limite para a obra. “Mas se precisar de contra partida temos certeza que o Estado irá cumprir a sua palavra com a região”, observa. “Muitos governos passaram e nós tivemos esta felicidade agora de ter a elaboração de projeto, vinculação de recursos, o empréstimo do BID que é algo em torno de US$ 220 milhões de dólares, hoje algo em torno de R$ 1 bilhão, aprovado autorizado, e vinculado às contas do Estado. E o que é mais interessante para que estas obras sejam realizadas é que precisam da aprovação do Banco Interamericano, e nós já fizemos todos estes procedimentos. A comissão do BID esteve em Mato Rico, foram realizadas todas as audiências públicas. Inclusive este processo já foi conversado nas audiências. Ou seja, estamos a um passo à frente de todas as outras pretensões”, emendou.

O ex-governador e a história dos cavalos

Durante este tempo à espera de asfalto, histórias e até piadas grotescas se passaram na cidade de Mato Rico, lembra o prefeito Marcel dos Santos. A mais conhecida, segundo ele, é a do ex-governador Roberto Requião (MDB), hoje Senador. Segundo Santos, Requião chegou a declarar ao prefeito da cidade, em uma certa ocasião, que os moradores não poderiam cobrar asfalto, já que a população de Mato Rico só andava a cavalo. “Parece mentira, mas isso realmente aconteceu”, lembrou Santos.

Depois disso, o município teve a esperança com o ex-governador Jaime Lerner, na década de 90 com o início da pavimentação por meio do projeto “Caminhos da Educação”. “Era um asfalto de três metros e meio que infelizmente onde foi feito trouxe um problema muito sério porque não tinha base adequada e nem condição de pista de rolamento adequada. Mas isso começou e não houve prosseguimento”, disse o prefeito.

Segundo ele, o assunto foi retomado em 2013, quando ele retornou para o terceiro mandato. “Durante visita do Governador Beto Richa em Mato Rico perguntei a ele se era possível nós trabalharmos o projeto, e ele disse que sim para depois buscarmos a condição de aporte financeiro para execução, sendo realizado este empréstimo do BID”, acrescentou.