Região

Após morte por meningite, Regional reforça a municípios que intensifiquem vacinação

pais ainda resistem à imunização na região.
Estoque de vacinas da Regional de Saúde é suficiente para atender toda a demanda da Comcam

Após a morte da estudante Nathalia Ferreira Hernando, de 15 anos, nesta terça-feira (26), em Campo Mourão por meningite bacteriana, o chefe da 11ª Regional de Saúde de Campo Mourão, Eurivelton Wagner Siqueira, informou que a Regional está reforçando aos municípios para que intensifiquem a vacinação contra a doença, na região. Ele lembrou que o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece a vacina apenas contra o Tipo “C” da enfermidade.

A estudante foi infectada por Meningite Meningocócica do tipo “B”, causada pela bactéria meningococo, uma das formas mais agressivas da doença. “Foi uma fatalidade, estamos muito tristes com isso”, lamentou Siqueira, que manteve ontem contato com a Secretaria Estadual de Saúde (SESA) para reforçar o estoque de vacina da Regional e do município de Campo Mourão, onde houve o foco de meningite. “Neste momento temos estoque para atender toda a demanda regional”, afirmou.

Siqueira pede aos pais que levem seus filhos para vacinar. A vacina para o tipo “C” da doença está disponível para crianças menores de 1 ano e adolescentes de 11 a 14 anos nas Unidades Básicas de Saúde dos municípios da região. “Infelizmente algumas pessoas só ‘acordam’ para o perigo quando acontece um caso grave como este”, falou, ao lembrar do trabalho que a 11ª Regional de Campo Mourão vem enfrentando para alcançar os índices de vacina na Comcam. “Infelizmente temos uma grande parte da população que resiste à vacina”, ressaltou.

O chefe da Regional informou que não há mais casos da doença nem mesmo notificações na região. Ele lamentou que nos últimos dias, circularam notícias falsas com informações de que existiam cinco casos em Campo Mourão. “Infelizmente algumas pessoas se aproveitam do momento para disseminar Fake News, alertamos que isso é muito grave e causa pânico desnecessário na população”, observou.

Disseminação

A disseminação das meningites bacterianas é de pessoa para pessoa, principalmente por meio de gotículas e secreções expelidas pelas vias respiratórias ou através da saliva. A principal forma de tratar a meningite é a partir de antibióticos. Medidas de suporte também podem ser aplicadas, como soro, corticoide e remédios para febre.

PREVENÇÃO

A principal forma de se manter longe da meningite B (e dos outros tipos) é por meio da imunização. E o ideal é que ela comece o mais cedo possível. Bebês devem tomar três doses no primeiro ano de vida (aos 3, 5 e 7 meses) e um reforço após o primeiro aniversário (entre 12 e 15 meses). Os pequenos que têm mais de 6 meses recebem duas doses até completarem 1 ano e uma terceira no segundo ano de vida. Para crianças maiores, adolescentes e adultos a indicação são duas doses com intervalos de dois meses entre cada uma. É importante também que aqueles que têm contato com os bebês se vacinem.

Siqueira observou que a higiene pessoal também é importante na prevenção, como a limpeza das mãos com frequência, evitar contato com material de uso coletivo, como narguiles, por exemplo, entre outros. “E a qualquer sintoma procurar o médico o mais rápido possível”, orientou.

Os sintomas da meningite bacteriana costumam se manifestar rapidamente e podem incluir febre alta e calafrios; alterações do estado mental; náusea e vômitos; pontos vermelhos; sensibilidade à luz; dor de cabeça forte; entre outros.

CASOS

A enfermeira responsável pelo setor de Vigilância Epidemiológica da Secretaria Municipal de Saúde de Campo Mourão, Edna Simão, informou na segunda-feira, em coletiva à imprensa, que o último caso registrado de meningite meningocócica em Campo Mourão foi em 2016. “No ano passado, em outubro, tivemos registro de um morador de outro município. Felizmente a doença tem baixa incidência em toda a região”, falou.

De acordo com a Secretaria Estadual da Saúde (SESA), o Paraná registra em média quatro casos da meningite meningocócica por mês. Neste ano, até o momento, oito casos e quatro mortes de meningite meningocócica e pneumocócica.

Em Maringá, uma criança de 1 ano e 2 meses morreu no último dia 8 vítima de meningite bacteriana. O exame do Laboratório Central do Estado do Paraná (Lacen) apontou para o tipo Streptococcus que, em geral, é menos letal que a Neisseria meningitidis. Segundo a SESA, as outras mortes foram de duas mulheres, uma de 43 anos em Astorga e outra de 74 anos, em Londrina e um bebê em Foz do Iguaçu. No Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde, foram registradas 9.879 casos de meningite meningocócica, pneumocócica e viral em 2018 e 607 mortes.