Campo Mourão

Após notificação, Regional de Saúde faz alerta contra febre maculosa

Campo Mourão já teve casos notificados em 2015 e 2017.
Carrapato transmissor da doença é hematófago e pode ser encontrado especialmente na capivara, o maior de todos os reservatórios naturais

Apesar de não haver registro de febre maculosa na Comunidade da Região de Campo Mourão (Comcam), doença provocada pelo carrapato-estrela, a 11ª Regional de Saúde de Campo Mourão faz um alerta para a doença. Do início do ano até agora já foram sete casos confirmados e 33 notificações da doença no Estado. Na Comcam foi feita apenas uma notificação, o que ascende o sinal de alerta à população para que se previna contra a doença.

Segundo o chefe da 11ª Regional, Eurivelton Wagner Siqueira, de 2015 até agora, foram notificados 6 casos suspeitos da doença, mas todos deram resultados negativos. Este ano, até o momento, foi feita uma notificação em Mamborê, mas já descartada também. “Isso quer dizer que devemos tomar todos os cuidados de prevenção”, alertou. “Se há notificação existe perigo”, emendou.

Em Campo Mourão, a procriação descontrolada de capivaras no Parque do Lago, principal hospedeiro do carrapato estrela, levantou a discussão quanto aos perigos da febre maculosa, já que o animal fica em locais frequentados pelas pessoas. “Neste caso a população deve se cuidar e ficar sempre em alerta”, disse Siqueira. De acordo com a Regional, Campo Mourão já teve casos notificados da febre maculosa em 2015 e 2017, mas que deram negativos. Hoje o setor de epidemiologia da cidade faz estudos para verificar se há o risco de a doença entrar ou não no município.

A febre maculosa é uma doença transmitida pelo carrapato-estrela ou micuim da espécie Amblyomma cajennense infectado pela bactéria Rickettsia rickettsii. Esse carrapato hematófago pode ser encontrado em animais de grande porte como bois, cavalos ou ainda em cães, aves domésticas, roedores e, especialmente, na capivara, o maior de todos os reservatórios naturais.

Para haver transmissão da doença, o carrapato infectado precisa ficar pelo menos quatro horas fixado na pele das pessoas. Os mais jovens e de menor tamanho são vetores mais perigosos, porque são mais difíceis de serem vistos. “Não existe transmissão da doença de uma pessoa para outra”, explicou Siqueira.

Quando a bactéria cai na circulação causa vasculite, isto é, lesa a camada interna dos vasos. Os primeiros sintomas aparecem de dois a 14 dias depois da picada. Na imensa maioria dos casos, sete dias depois. A doença começa abruptamente com um conjunto de sintomas semelhantes aos de outras infecções: febre alta; dor no corpo; dor de cabeça; inapetência; e desânimo. Depois, aparecem pequenas manchas avermelhadas, as máculas, que crescem e tornam-se salientes, constituindo as maculopápulas.

No Paraná, a doença foi confirmada nas Regionais de Saúde de Paranaguá (5), de Jacarezinho (1) e na Região Metropolitana (1). Siqueira comenta que o diagnóstico é feito por exame de sangue e a demora para identificar a doença pode provocar complicações graves, como hemorragia e comprometimento de múltiplos órgãos. “Outras consequências, ainda, são sequelas neurológicas, necroses e amputações ou até evoluir para óbito”, alertou o chefe da regional. Ele orienta que em caso de suspeita da febre maculosa, o caso deve ser notificado às autoridades sanitárias e iniciado o tratamento com medicamentos disponíveis nos serviços de saúde.

Ainda segundo a Regional, o controle químico, com o uso de veneno, é recomendado apenas em situações especiais e deve ser orientado por profissionais da área porque sua ação é apenas momentânea e localizada.

“Para o controle é preciso roçar os terrenos baldios e também tratar os animais que entram nas matas e depois retornam para os domicílios na zona urbana”, disse Siqueira. A recomendação é para que os terrenos baldios fiquem livres do mato, uma forma de reduzir os locais de abrigo do carrapato.