Economia

Bolsas de NY recuam com tensões comerciais e petróleo

Os mercados acionários encerraram o pregão desta quarta-feira, 11, em baixa, prejudicados pelas tensões comerciais entre Estados Unidos e China, que também foram o principal fator para o tombo no preço do petróleo, que caiu 5% em Nova York.

O índice Dow Jones fechou em baixa de 0,88%, aos 24.700,45 pontos, apagando, novamente, os ganhos do ano. O S&P 500 recuou 0,71%, aos 2.774,02 pontos, e o Nasdaq cedeu 0,55%, aos 7.716,61 pontos.

Na noite de terça-feira, os EUA foram adiante com as ameaças contra a China e divulgaram uma lista de 6.031 tipos de produtos do país asiático que somam US$ 200 bilhões anuais e que devem ser alvo de tarifas de 10%, as quais serão alvo de um período de contestação por empresários até 30 de agosto. "Toda vez que uma manchete nova surge, parece sugar o oxigênio de tudo o que o mercado estava prestando atenção", disse o vice-diretor de estratégia de investimentos do PNC Financial Services, Jeff Mills.

No entanto, diferentemente das outras investidas tarifárias americanas, Pequim não anunciou o que fará efetivamente, dizendo apenas que irá tomar "contramedidas necessárias" contra os EUA. A falta de clareza sobre as medidas chinesas gerou especulações sobre quais ações poderiam ser tomadas pelo governo chinês. Com o Banco do Povo da China (PBoC) ordenando o enfraquecimento do dólar na taxa de paridade de quarta-feira e em meio a recentes comentários de dirigentes do banco central, os investidores passaram a acreditar que os chineses poderiam agir via Treasuries.

Logo no início do dia, os rendimentos dos títulos públicos americanos apresentaram avanço, com a perspectiva de que a China poderia se desfazer de suas reservas de Treasuries. Isso, no entanto, foi negado durante a tarde, após um leilão de US$ 22 bilhões em T-notes de dez anos mostrar forte participação de estrangeiros.

Com yuan e Treasuries fora da jogada, as especulações do mercado se voltaram ao mercado de petróleo. "Se os EUA implementarem a tarifa adicional sobre US$ 200 bilhões em produtos chineses importados, será difícil para a China não impor tarifas maiores sobre as commodities importadas dos EUA, incluindo o petróleo", disse o chefe da consultoria de energia Petromatrix, Olivier Jakob. Até o momento, a China, que é o segundo maior comprador de petróleo americano, não colocou barreiras na commodity.

Em Nova York, o petróleo tombou 5% e, em Londres, a cotação recuou quase 7%, afetando papéis de companhias de energia em solo americano: a Chevron cedeu 3,19% e a ExxonMobil caiu 1,28%. Já o subíndice de energia do S&P 500 liderou as perdas do índice ao apresentarem baixa de 2,15%, para 559,84 pontos. Apesar disso, muitos investidores continuam otimistas sobre o setor de energia, que tem visto o maior aumento nas estimativas de lucros para o segundo trimestre, de acordo com a FactSet. "Se o petróleo ficar na faixa entre US$ 60 e US$ 70, é um bom ponto para a economia em geral", disse Mills, do PNC.

Alguns investidores, no entanto, estão preocupados com o fato de que o embate tarifário possa levar a aumento dos preços para os consumidores americanos e pressionar o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) a elevar as taxas de juros. Nesta quarta-feira, o índice de preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês) mostrou avanço de 3,4% na comparação anual de junho, o maior aumento anual desde novembro de 2011, de acordo com o Departamento do Trabalho dos EUA.

"Em termos mais amplos, quando pensamos sobre o que acabará com o ciclo de bull market atual, é mais provável que seja o Fed do que uma guerra comercial global", disse a chefe de pesquisa de mercados na John Hancock Investments, Emily Roland.