Campo Mourão

Bons preços animam produtores de soja na região de Campo Mourão

Preço pago pela saca de 60 quilos da soja valorizou 17% do início do ano até agora.

A colheita da safra de soja 2017/2018 está praticamente finalizada na Comunidade dos Municípios da Região de Campo Mourão (Comcam). Aproximadamente 99% dos 680 mil hectares já foram retirados do campo até o momento. A média de produtividade está sendo entre 10% a 15% menor que a safra 2016/2017. Na região, os produtores estão colhendo em média 120 a 160 sacas por alqueire.

No entanto, o que está animando o sojicultor é o preço pago pela saca de 60 quilos, que do início do ano até agora valorizou 17%. Se comparado ao mesmo período do ano passado, a valorização foi ainda maior: 23%. Para se ter ideia, no começo deste ano, a saca estava cotada a R$ 63,00 aumentando para R$ 76,50 agora. No mesmo período de 2017, o valor comercializado era R$ 58,00.

O economista do Departamento de Economia Rural (Deral), órgão ligado a Secretaria de Estado da Agricultura, em Campo Mourão, Anderson Roberto dos Santos, informou que as cotações da oleaginosa foram impulsionadas pela disputa comercial entre os Estados Unidos e a China, e a quebra da safra argentina, segundo maior produtor se soja da América do Sul, por conta da seca, que causou perda histórica, reduzindo a produção do país em mais de 10 milhões de toneladas. “A alta do dólar motivada pela instabilidade política no País também está contribuindo para este cenário”, falou Santos.

Na última semana, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos reportou a venda de 232,5 mil toneladas de soja para destinos desconhecidos. No acumulado da temporada, os embarques da oleaginosa totalizam 41.893,5 milhões de toneladas. "Os investidores temem que uma disputa entre as duas maiores economias do mundo reduza a demanda por soja americana. A escalada das tensões entre os países desencadeou uma onda de compras de soja dos EUA por compradores europeus, em um dos primeiros sinais de que as ameaças tarifárias entre as duas principais economias do mundo estão prejudicando os fluxos globais de commodities", informou o economista.

Santos orientou o produtor que acompanhe diariamente o mercado. “O produtor deve ficar atento vendendo escalonadamente a sua produção para fazer uma média. A melhor coisa e ficar de olho no mercado e ir vendendo aos poucos”, ressaltou. Ele disse que a valorização veio em uma boa hora porque a produção foi menor este ano em comparação a 2017.

A safra deste ano foi afetada por problemas climáticos - falta de chuva no início do plantio e excesso durante o ciclo de desenvolvimento da cultura-, derrubando a produção. Segundo Santos, no Paraná o produtor comercializou cerca de 30% da safra 2017/2018 até o momento. A venda está sendo intensificada por conta da valorização da oleaginosa.

O produtor agradece

O produtor rural, Yoshio Sakurada, está comemorando a valorização da soja. Ele considera a alta bastante significativa. “Há trinta dias estava R$ 66,00 hoje está R$ 76,50, é uma diferença grande”, ressaltou. Nesta safra, Sakurada cultivou 120 alqueires de soja, segundo ele, a produtividade foi cerca de 20 sacas a menos por alqueire em relação ao ano passado. “Em compensação o preço está ajudando”, ressaltou.

Sakurada informou que já comercializou cerca de 30% de sua produção. Ele disse que está vendendo aos poucos na esperança de que o valor melhore ainda mais. “Conforme vai subindo vamos vendendo para fazer uma média”, explicou. Ele alertou que o produtor deve ficar atento ao mercado para não sofrer prejuízos. “Do mesmo jeito que aumentou pode baixar a qualquer momento”, falou.

Quem também comemora o bom momento dos preços, é o produtor de Campo Mourão, João Luiz Ferri. No entanto, para ele a preocupação é que o valor dos insumos agrícolas acompanhe o aumento da soja. “De maneira geral lógico que reflete muito na rentabilidade do negócio. São dois sentimentos: um de felicidade pelo preço e outro de preocupação porque geralmente quando os preços da soja sobem os dos insumos acompanham. Como vamos adquirir estes produtos para próxima safra temos este receio”, disse.

Ferri informou que cultivou nesta safra 450 hectares de soja. Segundo ele, 50% da sua produção já foram comercializadas. “A perspectiva é que possa subir mais, mas não credito que isso aconteça porque tudo tem um limite”, observou. O produtor comentou que sua produção deste ano foi em média 5% menor que ano passado. “Tivemos um período de excesso de chuvas que prejudicou muito”, comentou. A colheita em sua propriedade foi finalizada há cerca de 20 dias.

Produção regional

De acordo com o Deral, a área com soja na Comcam na safra 2017/18 é de 680 mil hectares contra 670 mil na safra 2016/17. Apesar da expansão da área, o volume de produção será menor: 2,3 milhões de toneladas contra 2,4 milhões no ano passado. Conforme o Deral, no ano passado a produção foi atípica com um volume acima da média histórica.