Campo Mourão

Campo Mourão completa 71 anos nesta quarta sem desfile e com feriado só na segunda

Campo Mourão completa nesta quarta-feira (10) 71 anos de emancipação político-administrativa. Mas apesar de o aniversário ser celebrado hoje, uma mudança na lei municipal transferiu o feriado para a próxima segunda-feira (15). Por isso, na data do aniversário haverá atendimento normal tanto nas repartições públicas quanto no comércio. Também não haverá o tradicional desfile de 10 de outubro. O município fez neste ano desfile único no feriado da Independência do Brasil, 7 de setembro.

A missa das 19 horas desta quarta-feira, na Catedral São José, será em ação de graças ao aniversário da cidade. Logo após a celebração religiosa, na própria catedral, será realizada uma apresentação da Orquestra Antífona WaveStation, convidada pela Fundacam. Ainda dentro da programação dos 71 anos do município, nesta quarta-feira, às 19h30, será entregue a premiação aos ganhadores do Concurso de Poesias promovido pela Fundação Cultural.

Ao longo de sua história, Campo Mourão colecionou fatos, conquistou a ordem e atingiu uma importante colocação na economia do Paraná. Hoje, somos quase 100 mil habitantes, pessoas que lutam por dias melhores sem desanimar.

Atualmente, a cidade dispõe de um belo quadro urbanístico, com modernas edificações, parques à disposição do povo, boas universidades, investimento na área gastronômica e bons supermercados. Na saúde a Santa Casa, mesmo com poucos recursos, garante o atendimento para Campo Mourão e toda a região da Comcam. Quem não consegue ser atendido por aqui é encaminhado para tratamento em Curitiba e outros centros maiores. Enfim, a cidade chega aos 71 oferecendo conforto aos mourãoenses.

Mas nem tudo são flores. As pessoas querem mais. Exigem mais agilidade na saúde, uma metodologia eficiente ao combate às drogas, mais segurança e cobram um novo planejamento no trânsito, afinal a falta de vagas para estacionar em horários de pico é uma das maiores reclamações, deixando o trânsito lento. O estacionamento rotativo pago nas principais vias da cidade seria a saída, evitando que as vagas sejam tomadas o dia todo por quem trabalha no comércio.

A prefeitura tem buscado as melhorias. Recentemente instalou placas impedindo o trânsito de caminhões pesados, com mais de 10 toneladas pelas vias centrais para preservar a malha asfáltica. Ainda assim, a população é feliz. Festeira. Os mourãoenses são receptivos e exibem um calor humano invejável aos demais municípios.

Como tudo começou

Muita gente que mora em Campo Mourão não imagina, mas o município deve muito ao governador da província de São Paulo, Dom Luiz Antonio Botelho e Socio Mourão. Ele foi o responsável por, entre 1769 e 1770, enviar uma expedição para a região do Rio Ivaí, na época chamado de Rio Dom Luiz. Setenta e cinco homens foram comandados pelo Capitão Estevão Ribeiro Baião e Francisco Lopes da Silva com a missão de descobrir e batizar as novas localidades.

Ao avistarem um enorme campo aberto, batizaram o local de “Campos Mourão”, posteriormente mudado para “Campo do Mourão”, e, mais tarde, simplificado para “Campo Mourão”, em homenagem ao governador de São Paulo. A história do município é dividida em três momentos: o descobrimento pela expedição de Dom Luiz, seguido pela chegada das primeiras famílias atraídas por informações de que a nova terra era próspera e a criação do município.

No livro “Campo Mourão na espiral do tempo”, a escritora Edina Simionato relata encontros de expedicionários com os índios que ocupavam a região. “Em 1893 os expedicionários vindos de Guarapuava (PR), Norberto Marcondes, Guilherme de Paula Xavier e Jorge Walter chegaram à região com 120 homens, para se dedicarem à criação de gado. Eles também fizeram os primeiros contatos com duas tribos de índios, uma de chefe Gembre e a outra liderada por Capitão índio Bandeira, que, ao que consta, seria um mestiço.”

Até a década de 1960 o município de Campo Mourão compreendia toda a Microrregião 12 e os municípios que hoje a integram eram seus distritos administrativos. Na década de 80, foram desmembrados dois dos seus últimos distritos administrativos: Luiziana e Farol do Oeste, ficando sobre sua tutela apenas o distrito de Piquirivaí.

Tem suas origens também em antigas estradas onde se passavam circos e lojas voadoras vindo de Mato Grosso e São Paulo com destino ao oeste do Paraná. A partir de então começou a receber migrantes gaúchos e catarinenses que vinham atraídos pela fertilidade da terra roxa e por problemas políticos na região, formando assim a base da sociedade mourãoense.

As famílias que chegaram no início do século passado e deram início a uma vila nos campos que serviam de ponto de descanso de vaqueiros que passavam tocando boiadas para negociar no Mato Grosso e de tropeiros que usavam o chamado Caminho de Peabiru em direção às Missões no Rio Grande do Sul, Paraguai, Uruguai e Argentina, ainda têm seus descendentes morando na cidade, como os Teodoro, os Custódio, Oliveira, Mendes, Paula Xavier e Marcondes.

A história de Campo Mourão que os livros não contam

Há 70 anos, os paranaenses elegiam o empresário Moysés Lupion como governador. Quebrava-se um jejum de anos, sem eleições imposta pela ditadura Vargas. Em março daquele ano, a Assembleia Legislativa iniciava seus trabalhos para a elaboração da nova Constituição do Estado. Meses depois, em agosto, com a Carta Magna já promulgada, o deputado Lopes Munhoz reivindicava a criação de novos municípios, cujo dispositivo foi inserido na Constituição recém aprovada.

A notícia correu o Paraná. Em Campo Mourão, Francisco Albuquerque ouviu a novidade pelo rádio. Assim que terminou de ouvir, de imediato procurou o fazendeiro Pedro Viriato de Souza Filho, que tinha ligações políticas em Curitiba. Entusiasmados com a possibilidade da criação do município, Pedro Viriato viajou no dia seguinte para Curitiba.

Na Capital, conseguiu uma audiência com o governador. No Palácio São Francisco - hoje sede do majestoso Museu Paranaense - expôs a Moysés Lupion a necessidade da criação de mais um município no projeto que tramitava na Assembleia Legislativa.

Enquanto atenciosamente Lupion ouvia a explanação, um assessor palaciano interrompeu o diálogo e mencionou que naquele momento era impossível a criação do município de Campo Mourão. E foi mais adiante: Campo Mourão somente poderia virar município 15 anos depois. Pedro Viriato ficou furioso e desacatou o assessor na presença do governador. Ânimos acirrados, o governador concordou com a criação do município, desde que Pedro Viriato fosse o prefeito. Ou seja, a cidade somente se tornou município graças a uma discussão e articulação política.

Outro detalhe que a história omite é que foi o deputado estadual Lacerda Werneck que defendeu a criação do município de Campo Mourão na Assembleia Legislativa. O projeto já estava tramitando e não previa a criação de outros municípios. Campo Mourão tem ainda uma dívida histórica com a memória deste parlamentar que articulou a sua criação.

O projeto de lei que criou o município de Campo Mourão foi aprovado com a emenda prevendo a criação da cidade. Enviado ao governador o projeto, tornou-se a Lei nº 2, sancionada em 11 de outubro de 1947.