Campo Mourão

Campo Mourão teve 10 suicídios e 115 tentativas em 2018

{"Pscic\u00f3logo Frank Duarte":" \"\u00e9 preciso melhorar a assist\u00eancia \u00e0 sa\u00fade mental\"."}

O setor de Epidemiologia da Secretaria Municipal de Saúde de Campo Mourão registrou, no ano passado, 10 suicídios e 115 tentativas. Os números fazem parte das notificações recebidas pela Secretaria dos casos atendidos nos hospitais ou pelo Instituto Médico Legal. E este ano começou já com três tentativas registradas no mês de janeiro.

Os números são considerados alarmantes pelo psicólogo e professor Frank Duarte (CRP 08/24.989), ouvido pela TRIBUNA sobre o assunto. Segundo ele, Campo Mourão está entre as cinco cidades do mesmo porte no país no ranking de suicídios. Para ele, é importante falar sobre o assunto para mobilizar e sensibilizar a sociedade para o problema.

“Antigamente o suicídio era atribuído a possessão demoníaca. Hoje, com mais acesso a informação, a sociedade está mais sensível e a imprensa tem esse papel fantástico de levar a informação e fazer com que a massa e as autoridades possam perceber que temos um problema de saúde pública e precisamos intervir”, ressalta o psicólogo. Ele atribui o alto índice de mortes e tentativas à falta de políticas públicas na área de saúde mental. Confira a entrevista na íntegra..

Qual a leitura que o senhor faz desses números?

São alarmantes, não só em Campo Mourão e região como em todo o país. Demonstra que parte da nossa sociedade está em sofrimento psíquico e alguns estão vendo no suicídio a única forma de aliviar essa dor. Temos acompanhado alguns casos e de uma forma geral trabalhado as condições de prevenção e especialmente assistência às famílias.

Como prevenir?

Primeiro é preciso dizer que é mito achar que quem fala não faz. Quando as pessoas verbalizam que querem tirar a própria vida isso é um alerta. As pessoas próximas têm condições de perceber com mais facilidade as mudanças de comportamento, como deixar de sair, ficar mais reservada, dizer que a vida não tem mais sentido, que perdeu a graça de viver. As pessoas mais próximas podem auxiliar, inclusive buscando ajuda profissional.

O que tem levado as pessoas a esse comportamento?

Principalmente a faixa etária entre 15 e 28 anos tem sofrido cada vez mais quando se depara com as frustrações. Muitas vezes querendo o melhor para o filho na infância, os pais procuram blindá-los das frustrações e às vezes evitam dizer não. Assim esse sujeito não aprende lidar com as frustrações e isso, em algumas pessoas, gera um sofrimento, uma dor. Quem comete suicídio não quer morrer, quer aliviar uma dor. Paixão de escola, separação de pais, são algumas situações, além da dificuldade de aceitar-se, pressão para passar no vestibular ou pela independência financeira, entre outros.

A sociedade sabe lidar com isso?

É preciso dizer que todas as pessoas tem possibilidade de desenvolver ideias suicidas. Mas temos a predisposição de jugar o sofrimento do outro. A dor não tem escala. Dizer para a pessoa que você superou situações muito mais difíceis ou que não passa de frescura ou preguiça o que ela sente é muito pior, faz aumentar ainda mais a dor.

Suicídio está diretamente ligado à depressão?

Embora nem só a depressão leve a pessoa ao suicídio, quem sofre dessa doença tem visão negativa de si, da sociedade e do mundo. Ninguém, em depressão crônica, tem forças para cometer o suicídio. Em grande parte da população a depressão faz com que ela desenvolva a visão negativa até chegar a tentar o suicídio.

Falar sobre suicídio estimula quem pensa em se matar?

Há pesquisas que indicam que reforçar fenômenos incentiva. Não precisamos falar da forma, mas é importante informar sobre o assunto, os números, para mobilizar a sociedade sobre o tema. Se não informar, dá impressão que nada aconteceu em Campo Mourão no ano passado. Então precisamos questionar sobre procedimentos realizados pela saúde pública, como esse pessoal está sendo atendido, como está a assistência à família. A pessoa que tenta pela primeira vez tem 100 por cento de possibilidade de tentar de novo. É preciso acompanhamento, em alguns casos medicamentos e até internação. Temos que construir um protocolo para dar suporte a essas pessoas que estão doentes e precisando urgente de tratamento.

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