Campo Mourão

Com contas no vermelho, entidades assistenciais pedem socorro

["Entidades solicitaram ajuda a vereadores para continuarem com atividades em Campo Mour\u00e3o."]

A crise financeira pela qual atravessa o país e as medidas adotadas pelo novo governo federal de cortes de recursos atingiram diretamente instituições que prestam serviços de assistência social em Campo Mourão. São entidades sem fins lucrativos cujos serviços prestados ajudam muito o poder público. Entretanto, conforme reportagens já publicadas desde o início do ano pela TRIBUNA, com as contas no vermelho, algumas correm o risco de paralisarem as atividades.

Na tarde desta terça-feira, representes de sete entidades reuniram-se com cinco vereadores da mesa diretora da Câmara para pedir apoio. Segundo eles até o pagamento de funcionários foi afetado. A reunião teve a presença de representantes do Centro de Educação Santa Rita (CEDUS), Lar Miriã, CTR, Lar dos Velhinhos, APAE, Lar Dom Bosco e Abrigo A Mão Cooperadora.

“Não aguentamos mais depender de tanta venda de rifa, bolos e recorrer à comunidade para pagar as contas”, desabafou Luiz Carlos Menechini, representante do Lar dos Velhinhos, instituição que atende 67 idosos e cada um tem um custo de R$ 2,8 mil por mês. “Se não houver mudanças nos repasses, vamos apagar as luzes, fechar as portas e entregar as chaves para quem quiser ou estiver disposto a administrar”, disse Menechini.

A vice-presidente da CTR, Ivone Maggioni Fiore, disse que a entidade já teve que dispensar funcionários. “Prestamos serviços de média e alta complexidade em Educação, Saúde e Assistência Social, serviços com um custo elevado. Não aguentamos mais ter de apertar o cinto onde não há mais o que apertar”, disse ela, ao lembrar que caso a entidade paralise o atendimento os assistidos terão de voltar a dormir na rua.

O Lar Dom Bosco, que trata mulheres jovens e adultas dependentes químicas em Campo Mourão tem uma despesa mensal em torno de R$ 50 mil e não tem conseguido arrecadar mais que R$ 35 mil por mês, fruto de convênios, bazares e doações de algumas paróquias. O déficit cada vez mais crescente tem obrigado a direção e contrair empréstimos e pedir ainda mais ajuda na comunidade.

A diretora, irmã Viviane Rodrigues, teme que se a situação persistir a congregação das irmãs da Copiosa Redenção, com sede em Ponta Grossa, poderá retirar as nove freiras que trabalham no local. “É que estamos aqui para prestar serviço de assistência às pessoas em tratamento, mas infelizmente temos que também ajudar a diretoria a correr atrás de recursos financeiros, o que causa muito desgaste”, lamenta a diretora. Caso as irmãs voltem para Ponta Grossa, o trabalho do lar corre o risco de ser paralisado.

A presidente do Lar, Lidiane Maria Stefanello Bernardi, explica que a situação financeira se agravou a partir do mês de dezembro, quando o governo federal deixou de repassar cerca de R$ 10 mil da Secretaria Nacional de Políticas Sobre Drogas (SENAD). Os recursos via município são repassados anualmente e somam R$ 121 mil. “Esse valor é usado para o pagamento de sete funcionários”, explica Lidiane.

O vereador Edson Battilani, um dos que participou da reunião, lembra que a realidade da economia implicou na queda do número de doações pela comunidade e impactou o próprio poder público, que não consegue ampliar repasses financeiros. “Infelizmente, os custos de manutenção se ampliam com o aumento de preços de alimentos, materiais de limpeza, higiene pessoal, água, energia e encargos. Somado a isso, como forma de qualificar a assistência prestada por essas entidades, houve a imposição da legislação para que as estas disponibilizem recursos humanos especializados em diferentes áreas de atuação profissional, aumentando ainda mais as despesas”, analisou o vereador.

Ele reforça que se não fossem as entidades não governamentais, esses serviços teriam que ser prestados pelo poder público. “E quanto isso custaria? Esta pergunta precisa ser respondida e os nossos governantes tem que se atentarem mais para este fato. O governo Federal há longos anos não corrige os valores de repasse a estas entidades, fato que se agrava pelos constantes atrasos no pagamento dos recursos conveniados”, acrescentou o vereador, ao informar que junto com os demais vereadores vai pedir apoio dos deputados para que coloquem emendas parlamentares para as entidades e também defende maior colaboração da prefeitura.