Campo Mourão

Com vazio sanitário em vigor, produtores devem monitorar lavouras, alerta Adapar

Com o vazio sanitário em pleno vigor no Paraná desde o dia 10 de junho, os produtores de soja na região da Comcam devem intensificar o monitoramento das lavouras para evitar a soja verde no campo. O alerta é da Adapar (Agência de Defesa Agropecuária do Paraná), núcleo de Campo Mourão.

Caso constatada a presença de plantas vivas de soja em propriedades o responsável será penalizado à multa que varia de R$ 7,4 mil a R$ 13,3 mil. O valor pode ser maior dependendo dos atenuantes e agravantes. As fiscalizações pela Adapar acontecem em todos os 25 municípios da Comcam por seus quatros fiscais. “Os produtores já sabem da sua obrigação, estamos percorrendo toda a região fazendo a fiscalização para fazer cumprir a legislação”, falou o engenheiro agrônomo José Alcir de Oliveira, fiscal da Adapar.

De acordo com Oliveira o vazio sanitário da soja é uma das principais estratégias para o manejo da ferrugem-asiática da soja, que é a mais severa doença da cultura. O engenheiro agrônomo explica que o fungo que causa a ferrugem-asiática é biotrófico, ou seja, precisa de hospedeiro vivo para se desenvolver e multiplicar. “Ao eliminarmos as plantas de soja na entressafra “quebramos” o ciclo do fungo, reduzindo assim a quantidade de esporos presentes no ambiente”, explicou.

Oliveira salienta que na região as condições climáticas favorecem a sobrevivência das plantas voluntárias de soja na entressafra, ao contrário do que acontece nos Estados de Santa Cataria e Rio Grande do Sul, por exemplo, onde o clima frio e as geadas dificultam a sobrevivência de plantas voluntárias de soja. “Temos poucas ocorrências de geada e as temperaturas médias ajudam a germinação de sementes de soja e seu crescimento no inverno é favorecida”, ressaltou.

Oliveira destaca a relação custo/benefício do vazio sanitário, pois gera economia, por meio da redução da quantidade de aplicação de produtos químicos para controle da ferrugem asiática. Outro benefício dessa estratégia de manejo é contribuir para evitar que o fungo desenvolva resistência aos produtos químicos disponíveis. “A dedicação e o profissionalismo do produtor rural são novamente requisitados nesse período de vazio sanitário, em benefício de si próprio, de todo o setor produtivo. E não temos dúvidas de que essa importante tarefa será novamente cumprida com êxito”, destacou ele.

Calendarização

O engenheiro agrônomo lembrou que a calendarização do plantio da soja está contribuindo para o vazio sanitário. Pela calendarização, o período de semeadora da cultura é de 11 de setembro a 31 de dezembro. Ou seja, a partir do dia 1º de janeiro o produtor não pode mais plantar soja. Outra consequência é que a soja não pode ser plantada sobre soja na mesma área e ano agrícola. “Vamos supor que o produtor colheu a soja até 25 de dezembro ele não poderá plantar novamente soja sobre aquela mesma área colhida”, explicou. Além disso, a cultura plantada até dezembro deve ser colhida no máximo até 15 de maio do ano seguinte, sob pena de multa.

Conforme a legislação, em situação excepcional, quando condições meteorológicas impedem a semeadura até 31 de dezembro, o produtor poderá realizar em data posterior desde que seja justificado por dados oficiais do Iapar ou Simepar o atraso do plantio. “Até o dia 10 de junho fizemos várias notificações na região com o produtor destruindo a soja posteriormente. Em todo ao no passado não tivemos nenhum auto de infração o que demonstra que o pessoal está ciente da situação”, falou.

Oliveira alertou ainda que o produtor é responsável por cuidar da sua lavoura. Ele comentou que em 2017 houve uma denúncia no município de Mamborê contra um produtor que não estava fazendo o controle de ferrugem em sua propriedade. “Fomos à propriedade fizemos a notificação, mas ele comprovou que estava aplicando os fungicidas. Ou seja, mesmo plantando na época normal, mas não cuidando da ferrugem o produtor está passível de multa”, alertou.

O vazio sanitário da soja no Paraná ocorre de 10 de junho a 10 de setembro. A medida visa reduzir a sobrevivência do fungo Phakopsora pachyrhizi, causador da ferrugem-asiática da soja, evitando assim o surgimento precoce da doença na safra. Desde 2006, o vazio sanitário vem sendo adotado no Brasil. Atualmente a medida está implantada em 11 estados e no Distrito Federal. Durante o período é proibido o cultivo da soja.