Região

Comcam tem 4 notificações de febre amarela e regional fica em alerta

Biólogo Reginaldo Leal Blanc. (Foto: Walter Pereira/Tribuna do Interior)

Os surtos de febre amarela no País tem deixado o Paraná em alerta contra a doença. E em Campo Mourão, não é diferente com a 11ª Regional de Saúde. Embora não há casos confirmados no Estado e na região, os cuidados contra o vírus, que é transmitido pelo Aedes aegypti , mosquito transmissor da dengue, são constantes. Até o momento, a Comcam tem registrado quatro notificações nos municípios de Campo Mourão, Araruna, Terra Boa e Engenheiro Beltrão. Os casos ainda estão sendo investigados.

Por causa da situação, as autoridades em saúde têm adotado algumas medidas, como treinamento de profissionais, prevenção com vacinas entre outros. Em Campo Mourão, o biólogo Reginaldo Leal Blanc, inspetor de saneamento da 11ª Regional de Saúde de Campo Mourão, passou por um treinamento especial pela secretaria estadual de Saúde do Paraná. Ele é o responsável pela necropsia de macacos encontrados mortos na região.

Blanc explicou que se alguém encontrar o animal morto deve notificar imediatamente a secretaria de saúde do seu município que informará a regional de saúde para os procedimentos cabíveis. “É importante que este aviso chegue a nós o quanto antes para que possamos fazer o procedimento de necropsia e retirada dos órgão para procedimentos de análises para confirmar se existe ou não contaminação por febre amarela do animal encontrado morto”, explicou. Para o trabalho, ele conta com um kit fornecido pelo estado com materiais de procedimentos cirúrgicos.

A orientação é que se alguma pessoa encontrar algum macaco morto em hipótese alguma tenha contato com o animal. “Pelo contrário, o local precisa de isolamento”, alertou o biólogo. Também em alguns casos pode ser comum a pessoa encontrar o animal e fazer o enterro, o que também não é recomendado. “O melhor a fazer é não manusear mesmo, até porque sempre que fazemos a necropsia o bicho é incinerado”, falou Blanc. Ele orientou também que os moradores devem tomar a vacina para prevenir a doença.

O último caso de febre amarela autóctone confirmado no Paraná foi em 2008, em Laranjal, região central do Estado. Com relação a óbitos, os últimos também ocorreram no mesmo ano nas cidades de Maringá (caso importado) e Laranjal.

Além da vigilância de casos, o Estado também realiza a vigilância do óbito de macacos e coleta de mosquitos. Apenas em 2017, foram investigados 182 pontos em 89 municípios, o que corresponde a 22,3% do território estadual. O último inquérito foi realizado no mês de dezembro e, até agora, todos os resultados foram negativos para a presença do vírus.

Vítimas

Enquanto aumenta a quantidade de casos de febre amarela no estado, macacos — que não são transmissores — viram vítimas não só da doença, mas da população. O biólogo alerta que a morte dos animais prejudica o sistema de vigilância contra a doença, uma vez que os primatas funcionam como o primeiro alerta da circulação do vírus pela região

“Por que é importante não matar os macacos? Porque são os nossos primeiros alertas de que o vírus circula na região. Quanto menos macacos, mais o mosquito buscará sangue das pessoas. O macaco protege os humanos. O nosso problema é que as áreas de mata são cada vez menores. Os macacos são dispersores de sementes. São fundamentais para que a floresta seja saudável”, falou Blanc.

Ele acrescentou que, no momento, a população precisa ficar atenta aos sinais de doenças nos animais, como primatas no chão, isolados ou com movimentos lentos. Sinal de hemorragia também é um alerta importante. “Isso serve para todos os macacos”, alertou.

O macaco é um sentinela. Quando a doença é diagnosticada no animal, é possível atuar de forma mais rápida. A febre amarela é transmitida pela picada das fêmeas dos mosquitos Haemagogus, Sabethes ou Aedes aegypti. Os macacos são hospedeiros naturais. Eles adoecem e morrem da doença. Principalmente, os bugios (também conhecidos como barbados ou guaribas) e os sauás (ou guigós). O reservatório da doença é o mosquito. A morte dos macacos é um aviso de que o vírus está presente numa determinada região.