Campo Mourão

Valmir: 41 anos de trabalho no mesmo local onde começou aos 14 anos

Aos 55 anos, o mais antigo funcionário do Poder Legislativo espera a aposentadoria para março de 2020.

O contador Valmir Costa Melquíades completou este ano 41 anos de trabalho. O detalhe é que ele nunca prestou serviço em outro local, que não fosse a Câmara de Vereadores de Campo Mourão, onde começou aos 14 anos de idade. Na época integrava a guarda-mirim do município e foi contratado para entregar correspondências e buscar encomendas, como materiais gráficos, entre outros.

Aos 55 anos, o mais antigo funcionário do Poder Legislativo espera a aposentadoria para março de 2020. “Como comecei muito novo, pela legislação ainda não tenho idade para aposentadoria”, observa Melquíades. Ele, porém, só defende o trabalho para adolescentes em condições semelhantes à que foi contratado. “Tive uma oportunidade num ambiente limpo, saudável, com carga horária definida num serviço fácil e que nunca atrapalhou meus estudos”, observa.

Ele explica que trabalhava até 17 horas e estudava à noite. “Depois de terminar a 8ª série no Colégio Marechal Rondon, fui fazer o curso de Técnico em Contabilidade no Colégio Estadual. “Enquanto estudava, também tive oportunidades de aprender com pessoas que tiveram paciência comigo na Câmara. Ganhava 70 por cento do salário mínimo, mas não era explorado, pelo contrário, fui valorizado e encaminhado para uma vida profissional”, acrescenta.

Durante o curso de Técnico em Contabilidade (2º grau na época), ele já datilografava empenhos, envelopes, cuidava dos arquivos, ofícios e fazia controle da entrada e saída de documentos. “Tinha um livro que eu escrevia a mão controlando os ofícios encaminhados pela Câmara ao prefeito. Conforme o prefeito ia respondendo eu dava baixa”, relata.

Com o sonho de ser professor, ao terminar o curso técnico Melquíades começou a estudar faculdade de Geografia na Fecilcam. Porém, os planos mudaram quando num momento de transição de governo, em 1989, ele ganhou uma nova oportunidade dentro do Poder Legislativo. “O diretor da Câmara era o advogado Roberto Ribeiro de Castro que criou a seção contábil. O contador vinha uma vez por semana e era eu quem fazia toda a papelada da contabilidade. O doutor Roberto, sabendo que eu era técnico contábil, me pediu para tirar o CRC e me colocou como contador da Câmara. Então parei com o curso de Geografia, prestei novo vestibular e comecei fazer a graduação em Ciências Contábeis”, conta.

Concluído o curso superior, há 27 anos Melquíades ocupa o cargo de diretor da Câmara, um cargo em comissão do Legislativo municipal. Nessa função, é responsável por todos os trâmites, até mesmo autorizar o empréstimo do plenário para a comunidade. “As compras, processos licitatórios e até atestados médicos de servidores, tudo vai minha assinatura junto com a do presidente da Câmara”, observa.

Conhecedor como ninguém do funcionamento do segundo Poder do município, o diretor acredita que a política avançou para melhor, especialmente em razão da transparência. “Hoje tudo é publicado e esse controle social é muito importante”, pondera Melquíades, que defende a renovação, não necessariamente de pessoas no poder. “A pessoa pode ficar na política a vida toda, mas tem que renovar o comportamento. Campo Mourão de hoje tem necessidades diferentes de 40 anos atrás. É preciso que o político enxergue isso”, acrescenta.

Apesar de há quatro décadas fazer parte do cotidiano de um poder político, ele garante que nunca pensou em disputar eleição. “A partir do momento que tiver que escolher uma sigla partidária, isso vai te colocar em confronto de opiniões. E para um servidor de carreira que sempre foi valorizado como profissional, não julgo conveniente uma disputa eleitoral”, arremata.