Campo Mourão

Dom Bruno: progressista e conservador no episcopado

Dom Bruno: “Junto com os padres vamos estar anunciando a esperança na vida do povo.”. (Foto: Clodoaldo Bonete/Tribuna do Interior)

O bispo coadjutor da diocese de Campo Mourão, dom Bruno Eliseu Versari concedeu ontem a sua primeira entrevista coletiva para a imprensa, na Cúria Diocesana. Iniciou falando que estará sempre aberto à comunicação, e que quando sentir a necessidade de divulgar alguma informação da igreja, ou mesmo outro tipo de assunto, estará convidando a imprensa para se manifestar. Da mesma forma se colocou à disposição dos profissionais da imprensa, dizendo que sempre que alguém desejar ouvir a opinião da igreja pode entrar em contato. “Podem contar comigo. Quero ser parceiro de vocês nesse mundo da comunicação, que é muito dinâmico”, disse ele.

Dom Bruno tem vasta experiência e intimidade com a mídia. Na arquidiocese de Maringá, de onde vem, ocupava o cargo de diretor de uma rádio enquanto padre. “Vou estar sempre procurando e aberto para falar sobre temas como a Campanha da Fraternidade, finais de ano e outras datas importantes. Se possível também vamos buscar um espaço no rádio para estar levando a Palavra de Deus, porque nossa missão é a evangelização”, ressaltou.

Antes de abrir espaço para as perguntas, dom Bruno fez questão também de explicar a diferença entre o papel de coadjutor e auxiliar. “A diferença é que o bispo coadjutor pode assumir o cargo quando o titular sai, enquanto quem exerce o cargo de auxiliar não tem esse direito. É bom deixar isso claro porque houve confusão na divulgação em um meio de comunicação”, explicou.

Depois de ser apresentado e empossado no domingo passado na Catedral São José, o religioso iniciou uma série de visitas aos padres de todas as paróquias de Campo Mourão para depois conhecer as paróquias da região. “Estou visitando cada um, conhecendo suas paróquias, a realidade de cada lugar, como vivem e quais seus maiores desafios. Tenho percebido que algumas comunidades enfrentam o problema da falta de moradia para as famílias. Vamos tomar ciência desse tipo de situação e mesmo sabendo que certas coisas são de responsabilidade do estado, é importante saber como podemos ajudar, cobrar das autoridades e dialogar, afinal o bispo é aquele que zela e que caminha com suas ovelhas. Junto com os padres vamos estar anunciando a esperança na vida do povo.”

Padre na política

Questionado sobre sua posição quanto ao envolvimento da igreja no meio político, dom Bruno disse que no Paraná os bispos do Regional Sul 2 decidiram por não apoiar que padres saiam candidatos. “É uma posição do Regional Sul 2 que os padres não devem ser candidatos. O que ele pode fazer é orientar, incentivar e apoiar pessoas da comunidade que queiram entrar na política para ajudar a comunidade. Existe até curso com essa finalidade. Entendo também que a função do padre é de animador da comunidade, onde concentra vários partidos”, revela.

Dom Bruno disse que como líder da igreja, o bispo precisa aliar um pouco do conservadorismo com o progresso. “Há momentos em que não podemos perder o chão, a base que é o tradicional, a educação familiar que vem de nossos pais e avós. Os valores da família são importantes, mas hoje em dia tudo está muito dinâmico, a informação é dinâmica, as coisas se atualizam rápido demais. Os pais hoje precisam educar diferente, por isso é necessário ser um pouco progressista também”, comenta.

Deus é misericórdia

Sobre o lema escolhido para seu episcopado “Deus é Misericórdia”, dom Bruno disse que buscou inspiração em seu ministério de padre. Segundo ele, todos precisam ter ciência de que Deus perdoa, mesmo diante da dificuldade que o ser humano tem de reconhecer as suas falhas. “As pessoa têm dificuldades em perdoar, mas Deus nos perdoa e isso tem recuperado muita gente. Temos que reconhecer que a humanidade tem falhas, mas Deus dá sempre mais uma chance, então podemos dizer que Deus é Misericórdia, que Ele não desiste de nós. E esse é o meu desejo também, não quero desistir nunca daqueles que Deus me confiou. Se ele não desiste de nós, também quero viver assim meu serviço no episcopado.”

Com todos seus familiares residindo no distrito de Piquirivaí, dom Bruno disse ser uma pessoa muito simples e que por isso chegou a questionar o Núncio Apostólico, quando foi informado de que havia sido escolhido pelo Papa Francisco para ser bispo em Campo Mourão. “Falei para o Núncio que eu sou muito simples e nem saberia como seria ser bispo, mas ele respondeu que o Papa tem escolhido mesmo pessoas simples. Eu sou simples e peço até a paciência das pessoas, porque sou sincero, falo o que penso e não sei ser diferente”, afirma.

Por fim ele disse que gosta de futebol e que se for convidado vai querer voltar a jogar bola. “Sou dos campinhos de futebol, dos torneios e joguei bola no seminário, enquanto padre, mas nos últimos anos estive parado. Agora para voltar preciso me integrar com pessoas da mesma idade.”