Economia

Economia global se enfraquece e pune Bolsas de NY

Os mercados acionários americanos apresentaram perdas expressivas nesta sexta-feira, 14, fazendo com que os três principais índices em Nova York entrassem em território de correção técnica ao mesmo tempo, pela primeira vez desde março 2016. Dados abaixo do esperado na China e na zona do euro voltaram a ligar o alerta para a possibilidade de desaceleração acentuada da economia global, ao mesmo tempo em que indicadores econômicos nos Estados Unidos continuaram a dar aval ao processo de aperto monetário do Federal Reserve (Fed, o banco central americano).

Nesse cenário, o índice Dow Jones fechou em queda de 2,02%, cotado a 24.100,51 pontos, com perda semanal de 0,56%, enquanto o S&P 500 cedeu 1,91% e 0,42% na semana, cotado a 2.599,95 pontos. Já o índice Nasdaq encerrou o pregão de hoje em baixa de 2,26%, mas mostrou ganho semanal de 0,55%, ao ser cotado a 6.910,66 pontos. O índice de volatilidade VIX, por sua vez, que usa as opções do S&P 500 para medir as expectativas dos traders em relação às oscilações nas bolsas, fechou em alta de 4,75%, para 21,63 pontos.

Indicadores da economia chinesa voltaram a assombrar os mercados. Tanto a produção industrial quando as vendas no varejo do país asiático decepcionaram os investidores ao subirem menos do que o esperado pelos agentes em novembro, trazendo à tona, novamente, preocupações quanto ao desempenho da economia chinesa. Isso pesou em ações de empresas do setor industrial, como Boeing (-2,06%) e Caterpillar (-2,98%). O que já era ruim, no entanto, ficou pior à medida que a IHS Markit divulgou, no início da manhã, que dados de atividade na Europa também desapontaram. Os índices de gerentes de compras (PMIs, na sigla em inglês) compostos da zona do euro e da Alemanha amargaram os piores níveis em 49 meses, enquanto a atividade econômica francesa apresentou contração na leitura preliminar de dezembro do PMI composto, afetada pelos protestos contra o presidente Emmanuel Macron.

Como destacaram os economistas da LPL Financial, a história foi outra em solo americano. Tanto as vendas do comércio varejista quanto a produção industrial dos EUA surpreenderam analistas e fizeram com que as projeções de crescimento da economia americana no quarto trimestre fossem revisadas para cima. A IHS Markit elevou sua estimativa de PIB anualizado do quarto trimestre de 2,5% para 2,6%, assim como outras instituições, como Goldman Sachs, que aumentou sua projeção de 2,5% para 2,7%, e Credit Suisse, que elevou a previsão de 2,2% para 2,6%. O Barclays, por sua vez, manteve sua estimativa de expansão anualizada dos EUA inalterada em 2,9% entre outubro e dezembro.

"O crescimento global sairá de 3,2% este ano para 3,0% em 2019 e enquanto esperamos que a economia mundial continue desacelerando, notamos que ela se tornará cada vez mais vulnerável a choques", comentaram, em nota a clientes, os economistas da IHS Markit. Para eles, erros de política monetária continuam a ser as maiores ameaças ao crescimento no próximo ano, e, entre outros riscos, estão os conflitos comerciais. "Ao mesmo tempo, a liquidação nos mercados de ações e commodities, além da remoção gradual de estímulos por alguns bancos centrais, indicam que as condições financeiras em todo o mundo estão diminuindo."

O Banco do Japão, durante a madrugada, diminuiu o volume de compras de bônus do governo japonês (JGBs, na sigla em inglês) de cinco a dez anos, indicando nova redução da liquidez, enquanto o Banco Central Europeu (BCE) encerrou seu programa de compra de ativos e o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) segue com suas elevações nos juros e com o programa de enxugamento do balanço. Isso, contudo, não impede a forte baixa dos preços de ações de instituições financeiras. Somente nesta sexta-feira, o papel do Goldman Sachs caiu 1,79%, enquanto o Citigroup perdeu 1,34% e o Morgan Stanley cedeu 2,36%.