Região

Em um mês, região de Campo Mourão confirma 72 casos de dengue

Os números da dengue não param de aumentar em Campo Mourão e região. Em apenas cerca de um mês, já são 72 casos confirmados. As notificações somam 445. A situação mais grave enfrenta a cidade de Moreira Sales, que já confirmou 47 casos autóctones da doença, transmitidos no próprio município. Em Campo Mourão, de acordo com a Vigilância Sanitária, são 24 casos, sendo 20 autóctones e 4 importados. O município de Araruna também confirmou esta semana o primeiro caso de dengue do ano na cidade.

O momento requer alerta das autoridades em Saúde, já que estas cidades enfrentam alto risco de epidemia de dengue, devido ao alto índice de infestação do Aedes aegypti, mosquito transmissor também da febre amarela, chicungunya, e zika vírus. Os moradores também devem fazer sua parte cuidando dos seus quintais, evitando lixos que acumulem água, coibindo a proliferação do mosquito.

Em Campo Mourão, o Comitê Gestor de Combate a Dengue pede que a população redobre seus cuidados, para a redução dos focos do mosquito. Os novos casos na cidade surgiram no Jardim Paulista e no Conjunto Cohapar. Desde a semana passada a Secretaria Municipal da Saúde, por meio do Setor de Endemias, vem trabalhando com a aplicação do fumacê em bairros que apresentam maior incidência de casos de dengue, como os Jardins Flora, Albuquerque, Izabel, Nossa Senhora Aparecida, Alvorada e Santa Nilce, áreas onde estavam concentrados a maioria dos casos de dengue registrados neste ano.

Moreira Sales

A secretária da Saúde de Moreira Sales, Roberta Cristina da Silva Carpiné, comentou que o município já conseguiu controlar o surto da doença ocorrido na cidade no mês de fevereiro. No entanto, ressaltou que a população deve redobrar os cuidados nesta época de chuva e muito calor, ambiente propício a proliferação do Aedes. “Muitas pessoas só deixam para tomar alguma atitude quando a ‘bomba estoura’, mas aí já é tarde”, lamentou.

Segundo ela, o município tem realizado várias ações para contornar a situação, como a aplicação do fumacê, campanhas educativas nas escolas e à comunidade em geral, arrastões por toda a cidade, entre outras. “Após o suto, hoje podemos dizer que controlamos a situação. As notificações que tínhamos muitas reduziram bastante”, falou. Segundo ela, o município conta com 7 agentes de endemias e um coordenador para atender a cidade. Apesar de o número suprir a demanda, ela comparou que o município tem quase 13 mil habitantes e que se os moradores não se conscientizarem do perigo de nada adianta os esforços da administração pública. “É preciso que todos tenham consciência do perigo do Aedes, não adianta eu fazer a minha parte se o vizinho não faz”, falou.

Discrepância

Os números divulgados pelos municípios não batem com os divulgados pela Secretaria Estadual de Saúde (Sesa). O último boletim divulgado pela Sesa nesta semana aponta para um total de apenas 36 casos da doença, sendo 30 em Moreira Sales e 6 em Campo Mourão. Esta diferença acontece porque a Sesa só confirma os dados após os resultados laboratoriais do Lacen (Laboratório Central do Estado do Paraná), cujos resultados demoram mais para serem confirmados.

Na região da Comcam, as cidades com notificações são Altamira do Paraná (4); Araruna (9); Barbosa Ferraz (12); Boa Esperança (5);Campina da Lagoa (12); Campo Mourão (55); Engenheiro Beltrão (4); Fênix (1); Goioerê (42); Iretama (6); Janiópolis (7); Juranda (2); Luiziana (6); Mamborê (18); Moreira Sales (163); Peabiru (4); Quarto Centenário (6); Quinta do Sol (13); Rancho Alegre d’Oeste (3); Roncador (5); Terra Boa (16); e Ubiratã (52). No entanto, grande parte dos casos suspeitos já foram descartados após exames laboratoriais.

Situação no Paraná

De acordo com a Sesa, em uma semana, os casos de dengue confirmados no Paraná passaram de 798 para 962. Os casos autóctones aumentaram de 740 para 896 e os importados passaram de 58 para 66. Seis municípios paranaenses estão em alerta de epidemia, quatro a mais que na última semana epidemiológica - Itambé, Moreira Sales, Rancho Alegre, Santa Mariana, Nova Londrina e Capanema.

Cuidados

A população deve limpar os quintais todas as semanas, para evitar acúmulo de lixo que possa juntar água. Vasos de plantas também podem conter ovos ou larvas de mosquitos. Os criadouros estão em qualquer acúmulo de água parada, por menor que seja, até em tampinhas de garrafa. Mas são encontrados com maior frequência em lixo, como resíduos plásticos, espalhados pelas ruas. É preciso atuar ativamente mantendo quintais limpos, sem acúmulo de lixo, pneus, garrafas, por exemplo; calhas, marquises e ralos.

Os pratos das plantas podem ser completados com areia grossa até as bordas ou ser lavados com água, bucha e sabão todas as semanas, para eliminar ovos do mosquito. Locais de armazenamento de água devem ser mantidos com tampas.