Campo Mourão

Empresário divulga nota sobre doação à UTFPR e nega vantagem

A área em discussão a ser cedida à UTFPR é de pouco mais de 17 mil metros quadrados, pertencente a Aboré. (Foto: Arquivo/Tribuna do Interior)

O empresário Agostinho Farrel Piantini Junior, sócio proprietário da Aboré Empreendimentos LTDA, divulgou nota pública à imprensa na tarde desta segunda-feira (24), sobre a doação de área à Universidade Federal do Paraná, campus Campo Mourão, alvo de ação popular ajuizada pelo vereador Luiz Alfredo da Cunha Bernardo. A empresa foi citada no processo.

A área em discussão a ser cedida à UTFPR é de pouco mais de 17 mil metros quadrados, pertencente a Aboré. A Câmara aprovou recentemente a lei 4014/2019 que autoriza o município a fazer a negociação do terreno com a empresa através de permuta, o que levou Bernardo a questionar o caso. O parlamentar sustenta que a lei aprovada pela Câmara e sancionada pelo município foi criada por motivações exclusivamente políticas de interesse econômico particular. No entanto, Junior nega vantagens econômicas.

“Como empreendedores, o melhor resultado financeiro que teríamos seria a manutenção da nossa área no seu estado original para fins de loteamento. A área em questão tem localização privilegiada, estando anexa à UTFPR, Arcam, próxima a UNICAMPO, ao futuro campus da Unespar, faz divisa com outros loteamentos, possui facilidade de infraestrutura e topografia favorável, fatores estes que proporcionariam a realização de um loteamento com menores valores de investimento, rapidez na execução e valorização de seus lotes”, disse ele na nota.

O empresário explicou que a abertura em considerar a possibilidade de uma permuta com o município, advém da compreensão da necessidade de uma Instituição como a UTFPR realizar sua ampliação e das dificuldades financeiras da prefeitura em realizar o pagamento da desapropriação da área em questão.

“Sobre a alegação do vereador Luiz Alfredo, de que a UTFPR possui área de sobra e não necessita de mais terreno, não nos cabe esta análise. Se os responsáveis pela Instituição e autoridades públicas apontam esta necessidade, deduzimos que possuem competência e estão balizados em estudos e planejamentos que a justificam. Não criaremos dificuldade sobre uma questão de tamanho interesse público e social”, diz o documento assinado por Junior.

“Como proprietários da área, não nos cabe legislar, criar ou aprovar leis. Da mesma forma, não participamos da comissão de avaliação de imóveis, composta por profissionais capacitados e devidamente qualificados, ou temos qualquer influência sobre estas definições. As manifestações de respeitadas entidades representativas da sociedade em apoio à doação do referido terreno à UTFPR, através de um processo justo e transparente, coincidem com nossos ideais”, argumentou.

O empresário disse ainda que ‘jamais cederá a qualquer tipo de extorsão’. “E viremos a público quantas vezes forem necessárias para que a sociedade tenha real conhecimento dos fatos. Ressaltamos ainda que, tão importante quanto exaltar a transparência, é combater a hipocrisia e o falso moralismo motivados por interesses desonestos”, disse a nota.

Além da Aboré Empreendimentos Ltda e Agostinho Farrel Piantini Junior, foram inclusos como réus no processo o município de Campo Mourão; o prefeito Tauillo Tezelli (Cidadania); e os vereadores Edson Battilani (Cidadania) - na época em que a lei deu entrada na Câmara ele era presidente do Legislativo-, e Sidnei de Souza Jardim (Cidadania), líder do partido na Câmara. Nos últimos dias, várias entidades de classe do município declararam apoio à doação da área à Universidade, no entanto pedem transparência no processo.