Região

Estiagem prolongada quebra safra de milho em 28% na região da Comcam

Muitas lavouras tiveram o potencial de produção reduzido devido à estiagem prolongada (Foto: Walter Pereira)

O período de mais de 40 dias sem chuvas entre os meses de abril e maio afetou significativamente a safra de milho na Comcam e atrasou o plantio de trigo e outros cereais de inverno. Na região de Campo Mourão, o Departamento de Economia Rural (Deral), órgão ligado à secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento, contabiliza prejuízos com perdas do milho da ordem de R$ 260 milhões. A estimativa é que a safra tenha sofrido uma quebra de 28%.

A área com o cereal na Comcam é de 325 mil hectares contra 370 em 2017. A estimativa inicial de produção de era 1,8 milhão de toneladas, porém com a seca caiu para 1,5 milhão. A safra começou a enfrentar problemas desde o plantio que atrasou por conta da colheita da soja que terminou tardiamente. Quem plantou mais tarde teve ainda prejuízos maiores.

Para o Deral, o clima não está favorável ao desenvolvimento da segunda safra de grãos no Estado. O cenário é o mesmo para o trigo e demais cereais de inverno, cujo desempenho está totalmente dependente do clima em que persiste um quadro com chuvas abaixo do esperado. A esperança dos produtores rurais é que parte dos prejuízos já previstos possa ser compensado com preços melhores, principalmente para os produtores que diversificam a produção.

Como exemplo, o milho já valorizou bem nos últimos meses. Em relação ao mesmo período do o cereal mais que dobrou o preço da saca de 60 quilos. “No ano passado nesta época o preço de mercado do milho era R$ 16,00, hoje está 32,50”, comentou o economista do Deral, Anderson Roberto dos Santos.

Além da estiagem prolongada, algumas áreas da região sofreram ainda com as chuvas de vento, que atingiram plantações derrubando os pés de milho. “A chuva veio muito forte com vento causando o acamamento em várias lavouras derrubando ainda mais o potencial produtivo”, comentou o economista.

Segundo o Deral, 80% das lavouras de milho estão no estágio de frutificação, 15% em maturação, e 5% floração. A expectativa é que as primeiras áreas sejam colhidas até o fim deste mês. O produtor tem que torcer agora para que as áreas ainda em maturação não sejam atingidas por geadas e que a colheita não sofra interferência com as chuvas.

PARANÁ

No Paraná, os prejuízos com a estiagem na segunda safra de grãos 2018 atingem R$ 1,34 bilhão. A estimativa do Deral é de uma produção de 36,8 milhões de toneladas, 12% menor que a anterior, que foi de 41,7 milhões de toneladas.

No mercado interno, a preocupação é com a redução no consumo de milho, frente a possibilidade das empresas integradoras em diminuir os alojamentos de frangos para fazer frente ao embargo das exportações de frango pelo mercado comum europeu. Além disso, existe o conforto de uma produção de milho normal no Brasil, sendo que a queda na produção está concentrada no Paraná.

Conforme relatório do Deral, a colheita da segunda safra de milho terá uma redução de 2,2 milhões de toneladas, que corresponde a uma perda de R$ 1,2 bilhão.

O Deral está estimando agora uma colheita de 10 milhões de toneladas de milho da segunda safra, que corresponde a um recuo de 18% em relação à estimativa inicial da safra 2018 que esperava um volume de 12,2 milhões de toneladas. E um recuo de 25% em relação à segunda safra colhida no ano passado, cujo volume foi de 13,3 milhões.

As perdas da segunda safra estão concentradas nas regiões Oeste e Norte do Estado, que ficaram mais de 40 dias sem chuvas. As chuvas que ocorreram sobre o Estado na primeira quinzena de maio atenderam as necessidades hídricas na região Oeste, mas não foram suficientes para suprir todo o deficit hídrico dos solos na região Norte e Centro do Estado.

O período de desenvolvimento das lavouras é considerado crítico, porque está sujeito a outros riscos como uma geada que pode afetar os plantios mais tardios de milho da segunda safra. O plantio de milho safrinha ocupou uma área de 2,15 milhões de hectares este ano, cerca de 300 mil hectares a menos que os 2,41 milhões de hectares plantados no ano passado, situação que já induzia a uma queda no volume de produção, antes do impacto do clima. Parte da área que seria ocupada com o plantio de milho da segunda safra migrou para o plantio de trigo e cereais de inverno. Problemas como baixos preços do milho na época de plantio e o atraso na colheita da soja da safra de verão 2017/18 foram determinantes para muitos produtores recuarem na área plantada com milho de segunda safra.

Esse cenário, porém, não impactou de forma significativa a comercialização do grão, que está sendo vendido entre R$ 32,00 a R$ 34,00 a saca em média, cotação próxima ao mercado internacional. O Deral não acredita em falta de milho no mercado, se considerar que as perdas com a segunda safra estão restritas ao Paraná, e a produção nacional não deve ser inferior a 80 milhões de toneladas este ano, que é um volume suficiente para atender a demanda.