Campo Mourão

Infestação de caramujos na região deixa Saúde em alerta

Sete municípios enfrentam infestação da praga na região.

Com o período de chuvas nesta época do ano, a 11ª Regional de Saúde de Campo Mourão alerta sobre a proliferação de caramujos africanos (Achatina fulica), uma vez que as condições climáticas são favoráveis à sobrevivência desse animal. Para conter o avanço dessa praga, além das ações desencadeadas pelo setor público, o apoio da população é determinante.

Segundo a Regional de Saúde, na Comunidade dos Municípios da Região de Campo Mourão (Comcam), há registros de infestação de caramujos africanos em Campo Mourão; Terra Boa; Moreira Sales; Iretama; Quinta do Sol; Barbosa Ferraz; e Goioerê. “O caramujo é um molusco de áreas úmidas, como houve um grande volume de chuvas por bastante tempo, isso propiciou a reprodução”, comentou a chefe da Vigilância Epidemiológica da Regional de Saúde, Elizabeth Mitiko Konno de Lozada.

Conforme os municípios, a infestação tem ocorrido em áreas específicas, ou seja, não é generalizada. Elizabeth comentou também que em alguns casos a água das chuvas pode ter levado óvulos do molusco de áreas banhadas para locais povoados, disseminando o caramujo. “Talvez por isso as pessoas estão encontrando mais”, acredita.

Os caramujos africanos podem transmitir verminoses conhecidas como angiostrongilíases ao ser humano, por meio do muco que produzem para se deslocar (quando se toca o caramujo com as mãos nuas e levamos a mão à boca) ou por meio da sua ingestão de verduras e hortaliças sujas com o muco do bicho. Em alguns casos, a doença pode levar até a morte, já que pode ocorrer a perfuração intestinal.

Por esse motivo, Elizabeth orienta a população a nunca tocar nestes animais sem uma proteção (como luvas de borrachas) e a realizar a higienização adequada das mãos após eventual contato, bem como dos alimentos. Apesar da possibilidade de transmissão dessas verminoses, não há registro da doença na região até o momento.

A forma mais adequada de se eliminar os caramujos africanos é por meio do controle mecânico, que consiste na catação manual destes animais. Após proteger as mãos para pegar os moluscos, a recomendação é acondicioná-los em um saco de lixo e jogar dentro cal virgem em quantidade abundante, para matar os moluscos. Os restos devem ser enterrados em local adequado. “Como é um trabalho sistemático é recomendado manter os quintais e terrenos sempre limpos, pois geralmente são nesses locais que os caramujos se escondem”, orientou Elizabeth. Ela pediu que em caso infestações do animal, o morador deve procurar a vigilância sanitária do município para receber orientações adequadas de como proceder com a eliminação.

“A coleta manual deve ser feita periodicamente, até eliminar a infestação do local. Uma dica importante é não jogar sal diretamente nos caramujos livres, pois além de contaminar o solo, as conchas sobrarão no ambiente e se encherão de água de chuva, favorecendo a proliferação do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue”, ressaltou a chefe da Vigilância Epidemiológica.

Histórico

O caramujo africano foi trazido ao Brasil entre as décadas de 1970 e 1990, especificamente nos Estados de Minas Gerais, São Paulo e Paraná, respectivamente, destinado equivocadamente ao consumo humano, aproveitando que o comércio de escargot (outro tipo de caramujo criado especificamente para consumo humano) rendeu financeiramente aos seus produtores. Como o caramujo africano não tem valor nutritivo, nem mesmos as características do escargot, não houve aceitação do mercado e os moluscos foram soltos na natureza, causando desiquilíbrio ambiental. Como não tem predadores e sua taxa de reprodução é alta, atualmente, esse tipo de molusco está presente em quase todo o território nacional.