Campo Mourão

Márcio Nunes assume secretaria e descarta disputar prefeitura de Campo Mourão

Reeleito deputado estadual em outubro do ano passado com 59.192 votos, o mourãoense Márcio Nunes assumiu no dia 1º de janeiro o cargo de secretário estadual de Sustentabilidade Ambiental e Turismo. Em entrevista exclusiva à TRIBUNA, ele disse que aceitou o convite do governador Ratinho Junior porque terá força política para conseguir recursos, projetos e obras em várias áreas, além de foco no combate a corrução; educação ambiental para a sustentabilidade e agilidade nos licenciamentos.

Questionado sobre o futuro político, ele já descartou disputar a próxima eleição para prefeito de Campo Mourão, mas adiantou que poderá tentar um mandato de deputado federal daqui quatro anos. Nascido em Campo Mourão, Márcio Nunes foi secretário municipal de Agricultura e Ambiente e vice-prefeito no primeiro mandato de Tauillo Tezelli (1997-2000). Ele também foi chefe do Núcleo Regional da Seab, diretor da Emater e presidente do Instituto das Águas no governo Beto Richa. Leia abaixo a entrevista completa.

O que o governador Ratinho Junior pediu para o senhor ao nomeá-lo secretário de Estado?

Ganhamos a eleição no primeiro turno e representamos esse espírito de mudança com uma nova safra de homens públicos. O governador nos confiou uma secretaria muito robusta com uma fusão de três grandes institutos nessa área para formar o Instituto de Agua e Terra, além do Simepar, para monitoramento. Temos também que reconstruir o turismo no Paraná, que hoje é tímido, enxugar a máquina e fazer com que o meio ambiente e o turismo caminhem juntos para trazer novos empreendimentos sustentáveis. O governador quer nossa secretaria focada em três grandes eixos: combate a corrupção; educação ambiental para a sustentabilidade e agilidade nos licenciamentos.

O que a região de Campo Mourão pode esperar do senhor nesse cargo?

O governo só tem 15 secretários e me coloca numa posição de destaque, por isso teremos muita força para levar recursos, projetos, obras, não só na minha área, mas também com geração de empregos, com atração de empresas. Nosso relacionamento é estreito com os demais secretários, temos reuniões todas as terças e assim será um trabalho muito afinado para que todo o Paraná seja bem atendido.

É mais viável ser secretário que deputado?

Se fosse pensar num projeto pessoal talvez fosse melhor como deputado, mas isso o tempo vai dizer. É uma decisão que tomei não pensando em mim. Como o governador fez questão de me trazer, não poderia deixar de contribuir e aproveitar essa força política em prol da região. A ideia é fazer um bom trabalho com os deputados que se elegeram junto comigo para aproveitar esse momento importante para o Paraná.

O deputado Douglas Fabrício também licenciou-se do cargo para ser secretário e teve uma redução significativa no número de votos, o que pode significar que o eleitorado não aprovou essa troca. O senhor não tem essa mesma preocupação?

Tenho sim. Tanto que relutei muito até aceitar. Mas a partir do momento que o governador mostrou que precisa de verdade de mim no governo não tive como dizer não. Sabemos que na época o Douglas foi convidado para acomodar uma situação política de Guarapuava. No nosso caso foi diferente, o governador me deu carta branca, fortaleceu nossa secretaria. Se essa secretaria não funcionar as demais também terão dificuldade.

Que estrutura e orçamento a Secretaria de Sustentabilidade Ambiental e Turismo dispõe?

Teremos um orçamento de quase R$ 1,5 bilhão e quase 1.000 funcionários. Mas um bom trabalho depende das pessoas e estamos prestigiando funcionários de carreira, que estão participando da construção dessa nova secretaria. Estamos motivando os servidores para dar o resultado que precisamos e estou feliz com essa oportunidade.

O senhor sempre teve forte ligação com o setor agrícola. A pasta que está assumindo não exige um certo confronto com esse setor em termos de interesses?

Não, pelo contrário. Hoje não estamos mais discutindo ideologias, mas metodologias. Os produtores rurais hoje são os que mais preservam. Somos um país de muita mata preservada, até por exigência do novo Código Florestal. Hoje o produtor depende de licenciamentos para suas atividades e buscar esse equilíbrio entre as partes é fundamental. Nossa experiência nessas áreas é que fez com que o governador nos convidasse.

O senhor pretende montar uma estrutura da sua secretaria em Campo Mourão?

Não. Já temos o IAP, o Instituto da Águas e o que vamos fazer é organizar para funcionar da melhor forma possível.

A votação que o senhor obteve como deputado e o próprio cargo no governo eleva ainda mais sua liderança política. Seu grupo politico já trabalha com foco na próxima eleição municipal?

Minha preocupação é fazer um bom trabalho como secretário. Existe um relacionamento estreito com o grupo político que hoje está na prefeitura e estamos trabalhando por Campo Mourão, tanto eu quanto o prefeito Tauillo e os deputados Douglas Fabricio e Rubens Bueno. Esse bom relacionamento deu muitos frutos, que já podem ser percebidos na cidade, que está sendo bem cuidada. Quero o melhor pela cidade, onde nasci. Não buscamos o poder pelo poder.

Por falar em poder, o senhor poderá disputar a próxima eleição para prefeito de Campo Mourão?

Isso está fora do meu projeto político. Seria uma perca para a região. O projeto da minha carreira política, tendo em vista a expressiva votação que tive, é ser candidato a deputado federal daqui quatro anos. Para prefeito temos tantos outros bons quadros.

O novo presidente da Câmara de Vereadores de Campo Mourão é seu aliado político. O senhor interferiu na eleição do Legislativo municipal?

Não. São poderes independentes. Não interferi assim como tenho certeza que o prefeito Tauillo também não. O novo presidente, Olivino Custódio, curiosamente, foi quem lançou tanto eu quanto o Tauillo na política.

Enquanto deputado, qual a área que conseguiu atender melhor?

Modéstia à parte fiz um mandato muito profícuo na como legislador. Destaco a participação na aprovação da Lei que dá 60 por cento de desconto na energia elétrica entre 21h30 e 6 horas da manhã para produtores de frango, peixe, suínos e de hortaliças Isso representa muito em termos de competividade de mercado. Outra foi a lei que reduziu a máfia dos combustíveis, onde um dispositivo eletrônico que detecta fraude cassa o CNPJ e o fraudador não pode mais atuar nessa atividade. Outra foi a Lei da Complementariedade, que permite repasses a instituições filantrópicas, como é o caso da Santa Casa. O hospital recebeu dinheiro que chegou graças aos políticos e muitas vezes as pessoas não reconhecem. Na parte de atenção aos municípios fui um dos líderes na liberação de recursos e fiz política em alto nível, participando ativamente da eleição do nosso governador.