Região

Município sofre surto de dengue e prefeito pede alerta à população

Cidade iniciou o uso do fumacê para conter mosquito transmissor.
Município começou nesta semana a utilização do fumacê no combate ao Aedes aegypti

O município de Moreira Sales, distante 84 quilômetros de Campo Mourão, está enfrentando um surto de dengue. Foram confirmados ao menos 14 casos da doença, sendo 12 autóctones - transmitidos dentro do próprio município- e 2 importados. O prefeito, Rafael Brito do Prado (PMDB), disse que a cidade está em guerra contra o Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue, febre chikungunya e amarela, e zika vírus.

“Estamos contando com a colaboração da população. Só a estrutura administrativa não é válida”, reforçou. Nesta semana, a Vigilância Sanitária da 11ª Regional da Saúde de Campo Mourão iniciou a utilização do fumacê para o combate ao Aedes. Além de todos os casos já confirmados, Moreira Sales tem ainda outras 30 notificações que estão sendo investigadas.

Prado comentou que o município está fazendo no momento um trabalho de contenção, eliminando criadores do mosquito transmissor da doença e orientando a população sobre os cuidados. Ele disse que a prefeitura está recebendo todo suporte necessário da 11ª Regional da Saúde. “Nosso trabalho está sendo feito, geralmente agentes públicos costumam abafar estes casos, nós estamos fazendo o contrário, mostrando para a população o perigo e pedindo para que cada um faça sua parte”, ressaltou o gestor.

Prado informou que a prefeitura localizou dois grandes criadouros do Aedes na cidade, sendo em uma oficina e uma residência vazia. “Esta residência detinha dois ou três lotes baldios. Os terrenos baldios, aliás, tem sido um problema a todos os municípios, principalmente aos pequenos, que precisam cuidar da conservação destes lotes”, falou.

Apesar da gravidade, o prefeito acrescentou que a situação já está sob controle e que todas as equipes da saúde e vigilância sanitária do município estão intensificando os trabalhos de combate e contenção ao Aedes. “Acredito que vamos conseguir estancar este problema com a ajuda da Regional”, frisou.

Ele lembrou que há cerca de 5 anos, a cidade enfrentou uma epidemia de dengue com mais de 100 casos confirmados registrados. “Estamos vivendo um ano epidemiológico da doença e todo cuidado é pouco”, frisou.

CAMPO MOURÃO

Após 2 anos e oito meses sem circulação do vírus, Campo Mourão registrou não última semana o primeiro caso positivo de dengue. O paciente infectado é uma moradora do jardim Flora. O setor de Epidemiologia ainda analisa a situação para determinar se o caso é autóctone (transmitido no próprio município) ou importado. A cidade corre risco de uma epidemia da doença, alerta a secretaria de Saúde.

O presidente do Comitê Gestor de Combate a Dengue, Carlos Alberto Bezerra pede atenção redobrada da população. “Com este caso se um mosquito que não está contaminado picar essa pessoa ele vai se contaminar e podemos começar a ampliar o número de casos”, alertou. Ele informou que até o momento Campo Mourão está com seis casos suspeitos da doença. “A população tem que se conscientizar em relação aos cuidados”, pediu.

Campo Mourão está com índice geral de 11,40% de infestação do mosquito Aedes aegypti. O alto índice é considerado alarmante, visto que o aceitável pelo Ministério da Saúde é abaixo de 1%. No último levantamento do ano passado, realizado em novembro, o índice já estava alto: 5,2%. Desta vez, das 36 localidades averiguadas, em seis a infestação ultrapassou a casa dos 20%. Em apenas três localidades (centro, Conjunto Milton de Paula Walter e região do Jardim Flora) não foram encontrados focos. Desde 2013 não eram registrados índices tão altos no município.

PARANÁ

No total, o Paraná soma 288 casos de dengue autóctones. São 56 municípios com casos autóctones e 72 com casos confirmados, ainda que importados. Devido ao surto de chikungunya no Pará, o Paraná tem três casos importados da doença em pessoas que viajaram para aquele Estado, um em Foz do Iguaçu, outro em Curitiba e o terceiro em Medianeira. Já quanto à dengue, Foz registra 25 casos autóctones e cinco importados.

A Secretaria de Estado da Saúde vem insistindo bastante na conscientização da população, para que atue na eliminação de criadouros do mosquito Aedes egypti, transmissor da dengue. Eles se reproduzem em todo tipo de água parada, em pratos de plantas, lixo abandonado em terrenos baldios, garrafas, bebedouros de animais ou objetos abandonados em quintais.

A proliferação do mosquito transmissor aumenta muito no verão. Os casos mais graves da doença costumam ocorrer em determinados grupos de risco, composto por idosos, gestantes, lactentes menores (29 dias a 6 meses de vida), dependentes químicos e pessoas com algum tipo de doença crônica pré-existente, como hipertensão arterial, diabetes mellitus, anemia falciforme, doença renal crônica, entre outras.

A orientação é que todos busquem atendimento de saúde tão logo apresentem os primeiros sintomas. O diagnóstico precoce e o tratamento em tempo oportuno reduzem significativamente as chances de agravamento do caso.

Os sintomas são febre acompanhada de dor de cabeça, dor articular, dor muscular e dor atrás dos olhos ou mal-estar geral. Esses sinais não podem ser desprezados.

O verão, com temperaturas mais altas e o clima chuvoso, propicia o acúmulo de água e o desenvolvimento do mosquito Aedes aegypti, transmissor de doenças como a dengue, a zika e a chikungunya. E quem viaja deve redobrar os cuidados para evitar o avanço da doença, tanto no seu imóvel, que ficará desabitado, como na casa eventualmente alugada para a temporada.