Região

Primeiras áreas de soja colhidas na Comcam apontam perdas de até 60%

(Foto: Walter Pereira/Tribuna do Interior)

Produtores rurais iniciaram a colheita da soja safra 2018/19 na Comcam confirmando perdas que variam entre 30% a 60% nas primeiras áreas colhidas. A quebra aconteceu em decorrência da estiagem prolongada durante o mês de dezembro. Os trabalhos para retirada da oleaginosa do campo tiveram início nos municípios de Engenheiro Beltrão, Quinta do Sol, Fênix, Juranda, Boa Esperança, Ubiratã e Campina da Lagoa, onde o plantio é realizado mais cedo. O auge da colheita deverá ser atingido na região nos próximos 20 a 30 dias. O Departamento de Economia Rural (Deral), núcleo de Campo Mourão, divulgará um levantamento mais detalhado das perdas somente no fim deste mês.

O engenheiro agrônomo do Deral de Campo Mourão, Edilson de Souza e Silva, informou que nestes municípios onde a colheita está em andamento, produtores que esperavam colher até 150 sacas de soja por alqueire estão retirando apenas 60. “Nesta região temos percebido um percentual de quebra maior porque o plantio foi feito mais cedo sendo mais atingido pela estiagem”, comentou. De acordo com ele, a intensidade da quebra vai depender muito da variedade escolhida pelo produtor e da época do plantio.

Conforme o Deral, a colheita atingiu cerca de 5% da área semeada na Comcam. Em Campo Mourão, os trabalhos ainda não tiveram início. Nas regiões onde o plantio foi feito mais tarde a quebra será menor. “Varia muito dentro dos próprios municípios. Por exemplo, tem regiões que choveu bastante em uma localidade e quase nada em outra. Tem agricultor que pode até não ter quebra nenhuma. Em Campo Mourão mesmo, há produtor que não vai sentir nada de perda porque plantou tarde e a chuva veio”, explicou Silva.

O núcleo regional do Deral de Campo Mourão trabalha com estimativa de 680 mil hectares de soja, é a maior área entre os 19 núcleos regionais espalhados pelo Estado. A estimativa inicial de produção na região era de 2,5 milhões toneladas da oleaginosa, mas esta expectativa não será mais atingida devido à quebra causada pela estiagem.

Na Comcam 50% das lavouras estão na fase de frutificação; 25% maturação; 20% em floração; e 5% em desenvolvimento vegetativo. Estes 75% em fase de frutificação, floração e desenvolvimento vegetativo, conforme o Deral, são áreas localizadas na região de Mamborê, Nova Cantu, Roncador, Iretama, e Luiziana, onde o plantio é feito tardiamente. “Nestas áreas a quebra será menor”, ressaltou Silva. Na região de Roncador, o percentual de quebra da safra de soja no município, conforme produtores rurais, atinge atualmente entre 5% a 10%.

Segundo Silva, se voltar a faltar chuva as áreas semeadas mais tarde correm riscos de sofrer mais perdas. “A intensidade da estiagem será a intensidade da quebra. E também, chuva demasiada pode prejudicar a colheita afetando a qualidade do produto e perda pelo apodrecimento em áreas secas”, observou. “Esperamos que não ocorra qualquer outro contratempo para não prejudicar ainda mais”, emendou.

A saca de 60 quilos da soja está cotada a R$ 67,00. A perspectiva é que o preço melhore com o avanço da colheita devido às perdas previstas no Estado. Silva argumentou que além das perdas no Paraná pela estiagem, a safra enfrenta problemas de produção também no norte do Brasil, Paraguai e Argentina, reduzindo a oferta do produto no mercado, contribuindo para sua valorização.

“A recomendação ao produtor é que se tiver condições aguarde a evolução da colheita e o comportamento da produção a nível nacional para decidir melhor a comercialização. Acreditamos que o mercado deva sofrer uma reação porque tudo indica que a oferta será menor do que está sendo projetada”, orientou Silva.