Região

Produtores de soja e milho reduzem uso de agrotóxicos com monitoramento de pragas

O Engenheiro Agrônomo do Instituto Emater de São Jorge do Ivai, Claudinei Minchio, diz que a técnica não interfere na redução da produtividade da lavoura

Produtores rurais de São Jorge do Ivai estão sendo surpreendidos por uma experiência bem sucedida de monitoramento de pragas da cultura do milho safrinha. A partir de um projeto de monitoramento de parasitismo de pragas e doenças na cultura de soja e milho safrinha, liderado pela prefeitura municipal de São Jorge do Ivaí em parceria com o Instituto Emater, pode-se observar que houve um grande avanço no sentido de diminuir o uso de agrotóxicos nestas culturas.

O trabalho desenvolvido com 14 produtores rurais desde a cultura da soja até momento, onde o milho se encontra na fase de pré pendoamento, em 50 % dos produtores não houve necessidade de se aplicar qualquer tipo de inseticida ou fungicida para o controle de pragas e doenças, tanto na soja quanto no milho. O monitoramento está gerando uma economia de aproximadamente 30 sacas de soja por alqueire se somarmos o custo de aplicação e o custo dos produtos para o controle, tanto na soja quanto no milho safrinha, mantendo e até aumentando o potencial produtivo dessas lavouras.

A maioria dos produtores tem feito seis aplicações para o controle de pragas e doenças na cultura da soja, porém os produtores que não estão participando do projeto já fizeram até o momento oito aplicações no milho safrinha, sendo quatro para controle de percevejos, duas para controle de lagarta do cartucho, uma para controle de pulgão e uma aplicação de fungicida para o controle de doenças foliares.

Segundo o Engenheiro Agrônomo do Instituto Emater de São Jorge do Ivai, Claudinei Antonio Minchio, ‘com tantas aplicações feitas pelos produtores, eles não acreditam que se possa tirar uma lavoura de milho ou soja sem o uso de veneno’. “Mas nós estamos provando que é possível sim, basta se ter vontade e iniciar o processo de monitoramento das lavouras de forma racional, com o princípio tecnológico que nós desenvolvemos para isso, sem que isso interfira na produtividade da lavoura”, observou Minchio.

Segundo o agrônomo, o controle de percevejo barriga verde no milho safrinha, principal praga desta cultura, inicia pelo bom monitoramento de pragas e doenças na cultura da soja. “Quem monitorou bem e não necessitou utilizar muito veneno na soja, com certeza terá menos chance de utilizar veneno no milho safrinha. Claro que o monitoramento tem que ser mais constante e com mais atenção aos detalhes, principalmente de parasitismo efetuado por inimigos naturais”, falou.

Minchio observou que atualmente o custo de produção está muito elevado e a instabilidade climática torna a produção de milho de alto risco no período de safrinha. “Se conseguirmos diminuir o custo tanto em soja como em milho e economizarmos 30 sacas de soja por alqueire, é ou não é um bom negócio?”, exemplificou.

Segundo ele, o município de São Jorge do Ivai é o terceiro na região de Maringá em consumo de agrotóxicos, o que tem aumentado os casos de doenças vinculadas às populações expostas a estes produtos. Com o monitoramento de parasitismo de pragas e monitoramento de esporos de ferrugem da soja, o município de São Jorge do Ivai recebeu em 2018 o Prêmio Gestor Público, do sindicato dos auditores fiscais da Receita Estadual, se destacando pela menor utilização de agrotóxicos no ambiente, como solução para a diminuição do uso destes produtos inclusive para áreas de produção de grãos em larga escala.

“Não estamos pensando em rotular a lavoura se ela é orgânica ou agroecológica, mas existem critérios técnicos que foram desenvolvidos pela equipe local da Emater que propiciam a produção tecnificada, com alto potencial produtivo, porém livre de contaminantes químicos provenientes do uso de agrotóxicos”, destacou o agrônomo. Ele orienta os produtores a procurar o escritório da Emater de São Jorge do Ivai para se ter maiores detalhes sobre essas técnicas de monitoramento.