Região

Risco de geada na Comcam preocupa produtores de trigo

Cultura já foi bastante prejudica pela estiagem.
Na região, áreas mais susceptíveis a geadas estão em Campo Mourão, Campina da Lagoa, Mamborê, Luiziana e Roncador

O risco de geadas com as temperaturas mais baixas na região da Comunidade dos Municípios da Região de Campo Mourão (Comcam) preocupa produtores de trigo na região. O Sistema Meteorológico do Paraná (Simepar) aponta para o risco de geadas fracas em algumas cidades da Comcam para este sábado (11). Se confirmar, muitas lavouras poderão ter o potencial produtivo comprometido.

Apesar de a previsão ser para geadas fracas, alguns triticultores já se preocupam com a situação. É o caso do produtor rural de Campo Mourão, Vicente Mignoso, que plantou 40 alqueires de trigo. Ele disse que sua lavoura está no ciclo de enchimento de grãos, fase mais crítica da planta. “Esperamos que se vier mesmo que seja uma geada bem fraca, caso contrário a produção ficará comprometida”, falou.

Segundo Mignoso, a cultura já sofreu com a estiagem prolongada e que uma geada a esta altura quebraria ainda mais a produção. “A seca reduziu o porte da planta e o tamanho dos cachos, a produção já está comprometida, já é uma lavoura frustrada”, lamentou.

O produtor comentou ainda sobre os preços do cereal, que já caíram nos últimos dias. O produto chegou a ser cotado a R$ 51,00 a saca de 60 quilos caindo agora para R$ 48,00. “Trigo é a coisa mais complicada quando tem produto não tem preço e quando não o preço vai lá em cima”, observou.

Já o produtor rural Ivar Tonete, mantém o otimismo. Baseado nas previsões, ele que plantou uma pequena área de trigo, acredita que dificilmente as lavouras sejam atingidas por geadas nos próximos dias em Campo Mourão. “Eu acho que não chega afetar o trigo esta previsão. Para prejudicar teria que ser um frio muito mais intenso”, opinou.

De acordo com o Departamento de Economia Rural (Deral), núcleo de Campo Mourão, órgão vinculado à Secretaria Estadual da Agricultura, a geada pode limitar a produtividade e a eficiência das produções de trigo na região. Em várias áreas a cultura está mais suscetível a danos causados por fenômenos desta categoria, já que está em fase de floração e frutificação. “Nas áreas onde a semeadura foi tardia não há o risco elevado de eventuais danos causados pelas atuais condições do tempo”, comentou Anderson Roberto dos Santos, do Deral.

Com a formação de pequenas camadas de gelo, a presença de bactérias é mais ativa, o que potencializa os danos causados pelas geadas. Porém, há a capacidade de resistência às baixas temperaturas da planta, chamada e aclimatação. “Desta forma, existe a necessidade de aguardar a intensidade do fenômeno para depois falar em prejuízos”, frisou Santos.

Na região, as áreas mais susceptíveis a geadas estão em Campo Mourão, Campina da Lagoa, Mamborê, Luiziana e Roncador. De acordo com o Deral, 25% das lavouras estão em estado vegetativo na Comcam, 55% em floração e 20% no estágio de frutificação, estas duas últimas fases são as mais críticas da cultura. No ano passado, a cultura sofreu perdas significativas com geada.

Por outro lado, conforme o Deral, o déficit hídrico que prejudicava a cultura foi resolvido na região com as últimas chuvas. Em Campo Mourão, por exemplo, o acumulado foi de 100 milímetros. A chuva atingiu toda a Comcam. "As chuvas agora têm sido favoráveis. Hoje, se a gente pensar, a questão hídrica está resolvida. O que precisa agora é de condições climáticas mais estáveis, que ajudem no desenvolvimento, na formação do grão, o que se reflete em produtividade", falou Santos.

ÁREA DE TRIGO

O Paraná é o maior produtor nacional de trigo. Neste ano a área com o cereal na Comcam teve um crescimento de 5% em relação a 2017. Os produtores rurais semearam 105 mil hectares do cereal contra 100 mil no ano passado. A produção prevista para este ano é de 295 mil toneladas, volume 48% maior que o ano passado, quando foram colhidas 200 mil toneladas. O crescimento da área está relacionado principalmente à redução da área do milho safrinha. Como atrasou o início do plantio, muitos produtores migraram para o trigo.

No Paraná, o Deral estima 1,04 milhão de hectares, alta de 7% frente o anterior. O departamento prevê um salto de 48% na produção deste ano, para 3,3 milhões de toneladas, ante 2,2 milhões em 2016/17, quando diversos problemas climáticos, incluindo uma forte geada em julho, prejudicaram as lavouras.