Campo Mourão

Rubens Bueno avalia ministérios e proposta “absurda” de Bolsonaro

O deputado federal Rubens Bueno (PPS) esteve em Campo Mourão, onde veio participar da entrega do título de Cidadania Honorária à empresária Leila Tonello da Luz e cumprir agenda na região. Em entrevista exclusiva à TRIBUNA, ele fez uma avaliação positiva dos principais nomes anunciados como ministros pelo novo presidente Jair Bolsonaro, como nas áreas da Agricultura, Saúde e Justiça.

“O presidente traz promessas importantes. Cumpri-las é que é o desafio. Porque não se faz nada na democracia se não tiver o respeito à sociedade e aos poderes constituídos”, argumentou

Bueno também revelou o que considerou a proposta mais absurda do novo presidente. “Qual a necessidade de mudar a embaixada de Tel-Aviv para Jerusalém? Isso afeta especialmente o agronegócio, que desenvolveu e investiu numa estrutura de produção para atender o mundo árabe e agora foi criada uma reação negativa”, analisou Bueno, que na próxima terça-feira será diplomado para o quinto mandato como deputado federal.

Fim de ano, fim de mandato. Como está o ambiente em Brasília diante desse quadro?

Temos um presidente da República eleito, assim como um novo Congresso, portanto, um novo tempo. O presidente traz promessas importantes. Cumpri-las é que é o desafio. Porque não se faz nada na democracia se não tiver o respeito à sociedade e aos poderes constituídos. Estamos às vésperas da posse do presidente e da sua equipe, que terão que dizer qual o projeto de país em seus diferentes setores. E a principal é a econômica, que sem ela não tem como fazer o país funcionar.

Em relação ao novo presidente, o que o senhor considera mais interessante em relação as ações e composição dos ministérios?

Olha, na área da Agricultura a colega deputada Teresa Cristina é uma profunda conhecedora e acho que poderá fazer um trabalho interessante pela paz no campo e estímulo à produção. O ministro Mandeta também é um nome importante pelo conhecimento na Saúde e o próprio juiz Sérgio Moro, pela sua liderança e currículo.

E qual a proposta mais absurda?

Achei um absurdo a mudança da embaixada de Tel-Aviv para Jerusalém. Para que?? Qual a relevância disso no mundo da economia e num sistema globalizado? Isso afeta especialmente o agronegócio, que desenvolveu e investiu numa estrutura de produção para atender o mundo árabe. E agora há uma reação pronta por conta disso. Não há porque intervir em situações que tragam prejuízos para o país. Outro absurdo é imaginar que o governo pode tudo. Na economia não disse ainda como vai ser o equilíbrio fiscal, o combate ao déficit público, num sistema que tem teto para gastar. Mas vamos contribuir para que esse novo dê certo.

Conhecedor do funcionamento da Câmara Federal, como avalia essa denúncia sobre depósitos de dinheiro público na conta do motorista do filho do presidente eleito?

Se você olhar, isso faz parte dos vícios do parlamento brasileiro, onde tem funcionário à vontade, coloca lá, coloca aqui... O próprio presidente eleito teve problema com uma funcionária flagrada vendendo açaí na praia em horário de expediente no serviço público. É mais uma mostra que não há muita responsabilidade em contratar gente com dinheiro público. É preciso mais cuidado com contratação. Quando tem dinheiro depositado na conta de alguém que deixa dúvida, é necessário investigar e esclarecer.

O senhor encerra este ano com mais uma conquista importante para a educação em Campo Mourão.

Sim, depois de muita luta estivemos em audiência nesta semana no FNDE quando foi autorizada a liberação de uma verba de R$ 5,4 milhões para construir a nova escola Gurilândia, uma antiga reivindicação de Campo Mourão, especialmente do prefeito Tauillo Tezelli. É uma vitória da educação e ficamos felizes por conseguir colocar no orçamento do próximo ano.

O senhor teve uma redução significativa no número de votos nesta eleição em Campo Mourão. Isso não desestimula a continuar o trabalho da forma como vem fazendo?

Não. Sou muito grato pela votação que recebi e por ter mais um mandato. Os números indicam que essa foi uma eleição atípica. Candidatos foram para a rede social dizer um monte de bobagem, de puro oportunismo e demagogia. Mas temos que respeitar a vontade do povo e aqueles que se elegeram. Já tive votações pequenas, votações grandes, mas sou muito grato pela reeleição e pelo reconhecimento que sempre recebo pelo trabalho parlamentar.

O senhor tem combatido sistematicamente os privilégios. A aprovação do fim do foro privilegiado no Senado é um avanço?

Mesmo não sendo da forma ideal, é um avanço. Tenho uma proposta desde 2012 que acaba com o foro privilegiado para todas as autoridades, que são mais de 55 mil. Isso é um absurdo, não existe nada igual em nenhum lugar do mundo. Mas foi aprovada essa proposta do senador Alvaro Dias, que estabelece o fim do foro, mantendo os privilégios para os presidentes dos poderes. Se fosse para alterar teria que começar tudo de novo, por isso já é um avanço e deverá ser aprovado na Câmara.

O senhor é favorável ao fim do recesso parlamentar em julho?

Sou favorável. Antes era mais ainda e recentemente já restringimos para 15 dias. Isso vem do tempo do Império, quando as autoridades europeias que viviam aqui iam curtir o verão europeu. As férias tem que ser no fim de ano apenas. Temos que extinguir essas coisas que ficaram ao longo de tempo que não tem mais razão de ser.

O novo governador do Paraná, Ratinho Junior, teve apoio do PPS na campanha. O partido vai ter espaço na composição do novo governo com algum cargo?

Tenho uma expectativa que o Ratinho será um bom governador. Considero que sua equipe é muito boa, que está tentando organizar o Estado com mais transparência e vamos ajudar para que isso aconteça. Quanto a equipe depende dele. Claro que se tiver que colaborar, o PPS tem e sempre teve bons nomes. Mas se não for possível, vamos ajudar do mesmo jeito. É do nosso maior interesse que o governo do Ratinho Junior dê certo.

O PPS vai mudar de nome?

No mês de janeiro vamos convocar o congresso nacional do PPS para decidir possíveis fusões, um projeto que já vem desde o mês de março. Só não mudamos antes das eleições para não prejudicar até mesmo a imagem do partido ou tirar proveito eleitoral. Agora vamos preparar esse novo nome, essa nova condição. Vários movimentos, como Renova Brasil, Movimento Livre, aderiram ao PPS e vão nos ajudar nessa nova sigla.