Região

Sem recursos financeiros, prefeito fecha hospital na região

“A bomba estourou nas minhas mãos”, falou gestor à TRIBUNA.
Recentemente, moradores da cidade chegaram a fazer um protesto para evitar o fechamento.

Sem recursos financeiros no caixa da prefeitura, o prefeito de Janiópolis, Ismael José Dezanoski (PSD), se viu obrigado a fechar nesta semana o único hospital municipal da cidade. Os atendimentos estão sendo feitos agora no posto de saúde do município das 7 às 23 horas. Após este período, pacientes que necessitarem de consultas médicas estão sendo encaminhados pelo município para atendimento na Santa Casa de Goioerê, distante 25 quilômetros de Janiópolis.

Recentemente, moradores da cidade chegaram a fazer um protesto para evitar o fechamento, mas não surtiu efeito. A TRIBUNA conversou ontem com o gestor sobre a decisão. Ele justificou que o município não tem condições financeiras de manter o hospital, que está em funcionamento na cidade desde a década de 80. Dezanoski informou que além de contratações para a unidade, o prédio do hospital necessita de reformas urgentes. Segundo ele, a Vigilância Sanitária interditou recentemente o refeitório da unidade. A estrutura necessita ainda de várias readaptações. “A situação do hospital é muito complicada o prédio é muito antigo e não suporta apenas uma reforma simples”, falou.

O prefeito informou que está buscando a ajuda ao Governo Federal e Estadual para reabertura da unidade. Segundo ele, o gasto mensal de manutenção do hospital é de cerca de R$ 200 mil. Uma pequena parte do dinheiro - apenas R$ 20 mil-, o município vinha recebendo do governo federal, e o restante era bancado com recursos livres da prefeitura. “Estávamos desembolsando de R$ 170 a R$ 180 mil mensais dos recursos livres da prefeitura”, informou.

Dezanovsk disse que a situação vinha se arrastando há muitos anos no município. Segundo ele, os gestores anteriores ‘não tiveram coragem de tomar iniciativa’ deixando a situação chegar a este ponto. “E agora não tivemos outra saída”, lamentou. “Eu como prefeito jamais queria fechar o hospital. Aliás, esta bomba já existia e estourou agora na minha mão”, frisou.

Caos nas finanças

Dezanoski informou ainda que as finanças públicas da cidade estão um caos. Segundo ele, o índice de gasto com pessoal ainda continua alto, consumindo 51,8% da receita corrente líquida do município. Ele disse que quando assumiu a prefeitura, no final de maio, o índice estava em 59%. “Conseguimos baixar, mas não o suficiente que é abaixo de 50%. Estamos trabalhando para isso”, falou.

O prefeito acrescentou que se ele fizer novas contratações o índice volta a subir e o município pode incorrer nas sanções da lei de responsabilidade fiscal, com risco inclusive de perder as certidões negativas, o que complicaria ainda mais a situação. “Estou impedido de contratar pelo Tribunal de Contas do Estado que já nos notificou”, ressaltou o gestor.