Trotes prejudicam serviço do Corpo de Bombeiros em Campo Mourão

Os trotes telefônicos ainda não pertencem ao passado. Numa época em que os orelhões estão praticamente sendo extintos nas ruas pelo uso cada vez mais frequente do celular, as falsas comunicações de ocorrências continuam perturbando atividades essenciais e, inclusive, atrapalhando o atendimento de emergências em Campo Mourão, como é o caso do Corpo de Bombeiros. Segundo o comandante da corporação, 1º tenente Anderson Luiz Feijó, os trotes são praticamente diários na cidade. Ele estima que entre quatro a cada dez atendimentos telefônicos são trotes. Infelizmente o trote ainda é uma situação bem comum, quase que diária, inclusive com números absurdos durante algumas épocas do ano, falou Feijó.

Conforme o comandante, a maior parte dos trotes é passada por crianças, que geralmente na saída da escola acabam ligando para brincar com os colegas. Mas infelizmente ainda temos alguns adultos que não tem a consciência do problema e do risco que isso proporciona e acabam fazendo estas brincadeiras de mau gosto, para se exibir para amigos ou porque realmente tem algum problema de ego, observou.

O tenente comenta que os trotes prejudicam e muito o serviço do Corpo de Bombeiros. Em Campo Mourão, por exemplo, a corporação tem uma ambulância e um caminhão de prontidão. Quando estas viaturas saem, é acionado um efetivo de sobreaviso para que venham até o quartel para assumir as viaturas reservas. Então quando estas viaturas saem para uma falsa ocorrência, a cidade por um período acaba ficando desguarnecida. Ou seja, se entrar uma solicitação neste período pode ser que a pessoa que realmente necessite esteja sem o recurso para atendê-la, alerta o comandante.

Nos casos de crianças, a corporação age com desconfiança e confirma a ocorrência, pois há o registro do número do telefone. “Costumamos retornar para saber se é verdadeiro o fato. Mas há também adultos que fazem o trote e são bem convincentes, aí deslocamos pessoal e viatura ao endereço em vão”, salienta. O subtenente ressalta que os trotes representam também prejuízos financeiros. E neste momento de crise econômica e política, qualquer gasto pode fazer diferença no futuro, observou.

Segundo Feijó, geralmente os Bombeiros têm dificuldade de identificar os responsáveis pelo trote. Porém, algumas pessoas acabam fazendo a brincadeira do próprio celular. Nestes casos a gente faz um boletim de ocorrência na Polícia Civil informando o número de telefone para que sejam tomadas as providências. Uma delas é o cancelamento da linha telefônica e quando conseguirmos identificar o proprietário da linha tomamos as providências legais para que a pessoas seja responsabilizada, comentou.

Entre os trotes mais frequentes, segundo o comandante, são alertas de incêndios, salvamento e resgate. A pessoa deve ter responsabilidade e bom senso e se colocar no lugar dos outros. Às vezes o familiar da própria pessoa que costuma passar trote pode precisar de atendimento e não ter o recurso por uma brincadeira de mau gosto, acrescentou Feijó.

Crime

O trote, na verdade, é tipificado como crime na legislação brasileira. Além disso, uma outra lei aprovada em 2012 prevê multa de até R$ 1,6 mil para o dono da linha telefônica que originarem chamadas aos Bombeiros, Samu ou Polícia Militar que não contenham informações verdadeiras sobre ocorrências. A multa, porém, não exclui a aplicação de sanções penais.

pelo Código Penal, quem interromper ou perturbar o serviço telefônico estará sujeito à pena de prisão de um a três anos. Além disso, o infrator pode ser acionado pelas autoridades com base no Código Civil para reparar ou indenizar o Estado pelos custos gerados pela falsa ligação de socorro.