Região

Baixa adesão à vacinação contra HPV preocupa e Regional da Saúde intensifica campanha

A baixa adesão à vacinação contra HPV (Vírus do Papiloma Humano) na Comunidade da Região dos Municípios de Campo Mourão preocupa a 11ª Regional da Saúde de Campo Mourão, que intensifica a partir deste mês a campanha de imunização em toda a região. Para se ter ideia, apenas 8,9% do público-alvo foi vacinado até o momento na Comcam. A vacina contra HPV é eficaz e protege contra vários tipos de cânceres em mulheres e homens.

De acordo com dados repassados pela Regional ontem à TRIBUNA, devem se vacinar na Comcam 13.664 pessoas de 9 a 14 anos (meninas de 9 a 14 anos e meninos de 11 a 14). Porém, até o momento, tomaram a primeira dose da vacina apenas 1.225 crianças e adolescentes. A quantia de pessoas que receberam a segunda dose é ainda menor: só 1.126. O total de faltosos, somando a primeira e segunda dose, atinge 22.093 faltantes. “Os números realmente são muito baixos e preocupam”, comentou a enfermeira da Vigilância Epidemiológica da Regional de Saúde de Campo Mourão, Evandra Cristina Pereira.

De acordo com Evandra, a secretaria estadual de Saúde do Paraná elaborou um plano de ação para os municípios executarem a partir deste mês para melhorar a cobertura da vacina na região. Entre as ações, está vacinação nas escolas, orientação do setor da educação dos municípios para a mobilização dos adolescentes, entre outras. Em outubro, será realizado também pela Regional de Saúde um encontro regional em Campo Mourão com autoridades de saúde para tratar do assunto.

“Os municípios já estão colocando em prática este plano de ação, fazendo o chamamento do público alvo com campanhas de orientação e conscientização para a vacina. Temos até outubro para colocar este plano em ação para melhorar a cobertura até o final do ano”, ressaltou Evandra. Ela disse que a resistência dos pais à vacina é o principal fator para o baixo índice de vacinação. “O que a gente ouve são relatos de que os pais resistem à vacina porque acham que a vida sexual do filho vai começar cedo. Mas isso é um estigma, não tem nada a ver”, observou.

O público alvo da campanha é meninas de 9 a 14 anos e meninos de 11 a 14 anos. Evandra alerta que a cobertura vacinal só está completa após a segunda dose da vacina. O adolescente que recebeu a primeira aplicação deve voltar ao posto de saúde após seis meses para repetir a imunização.

A enfermeira explicou que o vírus do papiloma humano, ou HPV, é causa de diversos tipos de cânceres. A vacina previne 70% dos casos de câncer de colo de útero, 90% de câncer anal, 63% de câncer de pênis, 70% de câncer vaginal, 72% de câncer de orofaringe e 90% das verrugas vaginais. “A vacina é segura e não aumenta o risco de eventos adversos graves”, ressaltou.

Números

Desde a incorporação da vacina HPV no Calendário Nacional de Vacinação, 4 milhões de meninas de 9 a 14 anos procuraram as unidades do Sistema Único de Saúde (SUS) para completar o esquema com a segunda dose, totalizando 41,8% das crianças a serem vacinadas. Com a primeira dose, foram imunizadas 4 milhões de meninas nesta mesma faixa, o que corresponde a 63,4%.

Segundo estudo realizado pelo projeto POP-Brasil em 2017, a prevalência estimada do HPV no Brasil é de 54,3 %. O estudo entrevistou 7.586 pessoas nas capitais do país. Os dados da pesquisa mostram que 37,6 % dos participantes apresentaram HPV de alto risco para o desenvolvimento de câncer.

O estudo indica ainda que 16,1% dos jovens tem uma Infecção Sexualmente Transmissível (IST) prévia ou apresentaram resultado positivo no teste rápido para HIV ou sífilis. Os dados finais deste projeto serão disponibilizados no relatório a ser apresentado ao Ministério da Saúde até o final do ano.

O projeto POP-Brasil é uma parceria do Ministério da Saúde, o Hospital Moinhos de Vento (RS), a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Universidade de São Paulo (Faculdade de Medicina (FMUSP) – Centro de Investigação Translacional em Oncologia), Grupo Hospitalar Conceição (GHC), Secretarias Municipais de Saúde das capitais brasileiras e Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal.

Estudos internacionais também apontam o impacto da vacinação na redução do HPV. Nos EUA, dados mostram uma diminuição de 88% nas taxas de infeção oral por HPV. Na Austrália, redução da prevalência de HPV de 22.7% (2005) para 1.5% (2015) entre mulheres de 18–24 anos. Outro estudo internacional mostra que nos EUA, México e Brasil entre homens de 18 a 70 anos: brasileiros (72%) têm mais infecção por HPV que os mexicanos (62%) e norte-americanos (61%).

Números na Comcam