‘A informação de atraso não confere’, diz aspirante sobre atuação da PM em caso de estupro
Na tarde dessa terça-feira (2), a TRIBUNA recebeu agentes do 11º Batalhão de Polícia Militar (BPM) de Campo Mourão para esclarecer pontos relacionados ao atendimento a uma ocorrência de estupro de vulnerável registrada na semana passada, no município. A visita buscou detalhar o trabalho realizado pela equipe policial após repercussão pública sobre um possível atraso no deslocamento até o local dos fatos.
O aspirante Lucas Marchak, responsável pelo setor de Comunicação Social do 11º BPM, acompanhado da auxiliar, cabo Greice Kelly Machado, afirmou que a repercussão inicial gerou interpretações equivocadas sobre suposta omissão da Polícia Militar (PM).
O 11º BPM já havia divulgado, na sexta-feira (28), uma nota à imprensa esclarecendo a atuação da equipe e os procedimentos adotados no atendimento. Mesmo assim, o assunto continuou repercutindo nas redes sociais, o que motivou a visita da equipe de comunicação à TRIBUNA para detalhar os fatos.
Segundo os representantes do batalhão, as informações inicialmente divulgadas não correspondem à real atuação da equipe. Eles explicaram que a divergência ocorreu, principalmente, por uma falha no sistema interno da PM ao registrar os horários de acionamento e atendimento.
A ocorrência, identificada na noite de quinta-feira (27), envolveu uma criança de 8 anos, cujo relato mobilizou familiares, moradores e autoridades. O suspeito, um idoso, cuja identidade não foi divulgada, acabou preso no dia seguinte – sexta-feira (28) – pela Polícia Civil, que conduziu a investigação e permanece responsável pelos desdobramentos do inquérito.
Atendimento da PM
Durante a entrevista, Marchak explicou que a equipe policial militar foi acionada às 21h09, conforme constava no Sistema de Atendimento e Despacho de Emergências (Sade), da Polícia Militar do Paraná (PMPR).
“O despacho da ocorrência foi às nove e nove da noite. Às nove e trinta e três [a equipe] estava no local”, relatou. Segundo o aspirante, levando em consideração o deslocamento até o endereço informado, o tempo de resposta foi “menor do que vinte e cinco minutos”, dentro do que é considerado padrão até chegar ao local, e não superior a uma hora, como havia sido divulgado inicialmente.
Ele reiterou que o registro posterior indicando atendimento às 22h10 não corresponde à atuação real da equipe na rua. Marchak destacou que a diferença entre o horário registrado e o tempo efetivo de chegada se deve a uma falha técnica. “A ocorrência repercutida foi que a polícia demorou um lapso de tempo maior que uma hora, no entanto, isso não confere, porque isso foi um erro do nosso sistema”, afirmou.
“No Sade, nosso sistema interno, foi dado o que a gente chama de J9, que é ‘deslocamento para ocorrência’, às nove e nove; e o J10, que é ‘em atendimento à ocorrência’, foi dado às dez e dez”, detalhou, ao informar que, nesse segundo horário registrado, a equipe já estava, na verdade, saindo para o patrulhamento na tentativa de localizar o suspeito.
Dessa forma, sobre o atendimento em si, quando receberam o chamado, os policiais foram informados de que que se tratava de um estupro de vulnerável que teria acontecido antes de quinta-feira (27). “A mãe recebeu o relato da criança e que tinha descoberto que essa havia sido estuprada em dias anteriores”, afirmou o aspirante.
Mesmo não se tratar de uma situação de flagrante, uma equipe da PM se deslocou ao endereço. Ao chegar à residência indicada, os policiais foram informados de que o suspeito havia sido contido por familiares, porém conseguiu fugir, deixando para trás documentos e objetos pessoais, o que permitiu sua identificação imediata.
Com base nesses dados, a equipe iniciou buscas no entorno. “Com essa identificação do autor, eles [policiais em serviço] começaram a realizar diligências, um patrulhamento no entorno. Cerca de vinte a trinta minutos depois, nesse patrulhamento, foram abordados indivíduos suspeitos”, informou. Durante as buscas, um homem com mandado de prisão em aberto chegou a ser capturado, mas o suspeito do referido crime de estupro não foi localizado.
Gravações comprovam a atuação
O militar explicou que a comprovação do tempo real de atendimento só foi possível porque um dos policiais que participou da ocorrência estava gravando toda a ação, com equipamento particular. “O lapso temporal foi comprovado porque um policial estava gravando toda a situação, então, ele tinha todos os recortes do tempo de atuação da polícia”, disse.
O uso do equipamento não é um procedimento padrão da corporação, mas, segundo Marchak, é permitido para resguardar a atuação diante de situações sensíveis. “Foi por sorte. Se fosse outro policial, muitas vezes, poderia ser punido sem ter qualquer tipo de culpa”, avaliou, com preocupação.
Competências: PM e Polícia Civil
Durante a entrevista, Marchak também reforçou os limites entre as atribuições da PM e da Polícia Civil. Conforme reforçou, a partir do momento em que o suspeito fugiu e não houve flagrante, a continuidade da investigação tornou-se atribuição da Polícia Civil.
“A Polícia Civil, judiciária, é responsável pelo processo investigativo, sendo que ela trata do pós-crime. A Polícia Militar, ostensiva, repressiva, trata de ocorrências que estão acontecendo”, elucidou.
Diante da situação, a cabo Greice, auxiliar de comunicação do 11º BPM, também presente na visita ao jornal, enfatizou a necessidade de cautela na divulgação de casos graves, que exigem precisão nas informações. “Nós, da Polícia Militar, reforçamos que qualquer situação, antes de disseminar informações que sejam imprecisas, espere a manifestação da Polícia Militar a respeito de ocorrências, principalmente mais graves”, pontuou.
Ela destacou também os canais oficiais de atendimento, que podem ser acessados em qualquer situação de suspeita ou identificação de crimes. “A Polícia Militar pode ser acionada por meio dos canais oficiais, que são o telefone de emergência 190 ou o aplicativo 190”, reforçou.

