Autor de feminicídio em Campo Mourão tinha histórico de violência doméstica, aponta polícia

Após a instauração do inquérito policial, a Polícia Civil de Campo Mourão, por meio da Delegacia da Mulher, concluiu que o incêndio ocorrido em uma residência no Jardim Paulista, no dia 21 de dezembro de 2025, que resultou na morte de Michelle Barros Rodrigues, de 37 anos, foi um feminicídio praticado pelo companheiro da vítima, que também morreu dias depois. As investigações apontam que o autor tinha histórico de violência doméstica e agiu com intenção de matar.

De acordo com a equipe policial responsável pelo caso, em abril de 2025, o investigado havia sido preso em flagrante por agressões contra a mesma companheira. Na ocasião, foi concedida medida protetiva de urgência, que posteriormente foi revogada a pedido da própria vítima, permitindo a retomada do relacionamento. No momento do incêndio, não havia medidas protetivas vigentes. Ainda conforme a polícia, em fevereiro de 2025, o homem também havia sido abordado pela Polícia Militar durante um surto relacionado ao uso de drogas.

Ainda segundo a Polícia Civil, no dia do incêndio, equipes do Corpo de Bombeiros resgataram o casal de dentro da casa em chamas, localizada na rua Regina Fabris Trivelatto, nas proximidades da antiga pedreira da Casali. Um policial de sobreaviso esteve no local ainda durante o atendimento inicial, dando início às diligências para apuração das circunstâncias do incêndio.

No decorrer das investigações, a polícia apurou que o fogo teria sido provocado de forma intencional pelo companheiro da vítima, após uma discussão entre o casal. Conforme levantado, o homem foi visto momentos antes do incêndio portando um galão de gasolina e teria agido com a intenção de matar a companheira, dificultando a saída dela da residência enquanto o imóvel já estava em chamas. Vizinhos perceberam o fogo e tentaram prestar ajuda. Uma das janelas da casa foi quebrada na tentativa de resgate, mas não houve êxito, já que o casal permanecia no interior do imóvel.

Quando os bombeiros entraram no imóvel, encontraram o homem abraçado à mulher, impedindo que ela deixasse o local. O cabo Barbon, do Corpo de Bombeiros, entrou na residência e utilizou força física para separar o agressor e libertar a vítima. Mesmo após ser retirado do imóvel, o homem continuou resistindo, sendo contido por vizinhos para que o combate ao incêndio pudesse prosseguir.

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Os dois foram retirados da casa em estado gravíssimo, com queimaduras extensas por todo o corpo, e encaminhados ao Hospital Pronto-Socorro de Campo Mourão. Diante da gravidade dos ferimentos da mulher, o Serviço Aeromédico do Samu foi acionado para transferi-la a um hospital de Maringá, onde permaneceu internada por oito dias. A vítima não resistiu e morreu no dia 29 de dezembro de 2025. O companheiro dela faleceu no dia seguinte.

Com base nos elementos reunidos, a autoridade policial chegou a representar pela prisão preventiva do investigado, pedido que foi deferido pelo Poder Judiciário. No entanto, antes do cumprimento da decisão, ambos evoluíram a óbito em decorrência das queimaduras. A residência ficou completamente destruída pelo incêndio. O trabalho das equipes do Corpo de Bombeiros evitou que o fogo se espalhasse para imóveis vizinhos, e a Polícia Militar realizou o registro da ocorrência.

Denúncias

A Polícia Civil do Paraná reforça a importância de que vítimas de violência doméstica busquem ajuda e utilizem os canais oficiais de denúncia, como forma de interromper o ciclo de violência. As denúncias podem ser feitas, inclusive de forma anônima, pelos números 181 do disque-denúncia ou pelo WhatsApp da unidade: (44) 3523-4250. Em caso de emergência, a orientação é acionar a Polícia Militar pelo 190.