Caso de neto que matou avô passa a ser investigado como possível execução

A Polícia Civil realizou nessa quarta-feira (8) diligências simultâneas em Ubiratã, Campina da Lagoa e Joinville (SC) no âmbito da investigação do crime em que o próprio neto de 18 anos matou o seu avô, identificado como Alceu Slivisnki, 66 anos, no dia 25 de março. As ações envolveram o cumprimento de mandados de busca e apreensão após novos elementos surgirem no decorrer da apuração.

Inicialmente, o caso era tratado como latrocínio. O acusado é próprio neto da vítima, que viajou de Joinville para roubar ouro do avô em Ubiratã. No entanto, com base em depoimentos, análise de celulares e no laudo pericial, a linha investigativa passou a apontar para homicídio qualificado, seguido de furto qualificado.

Segundo a Polícia Civil, o laudo indicou que a vítima foi atingida por disparos encostados no corpo. Um dos tiros, na região da nuca, foi efetuado quando a vítima já estava caída, inconsciente e sem possibilidade de reação, o que, segundo a polícia, indica execução.

Diante dos novos indícios, a Polícia Civil solicitou mandados de busca em endereços ligados a familiares e companheiras dos investigados, com o objetivo de aprofundar a apuração e verificar possível participação de terceiros.

As diligências foram feitas em Joinville (SC) e Guaíra. Em Guaíra, dois celulares foram apreendidos. Em Joinville, durante cumprimento de mandado na casa dos pais do suspeito apontado como executor, o pai foi preso em flagrante por comércio ilegal de munições. Também foram apreendidos aparelhos eletrônicos.

A investigação segue em curso com a análise do material apreendido. A Polícia Civil atua no sentido de definir se o caso será mantido como latrocínio ou será considerado como homicídio qualificado, e na identificação de possíveis outros envolvidos.

O crime

O neto de Alceu, um jovem de 18 anos, que não teve a identidade divulgada, foi preso acusado de matar o avô durante o assalto em Ubiratã, ocorrido no dia 25 de março no bar da vítima. Segundo a polícia, ele e um amigo, que também foi preso, saíram de Joinville, em Santa Catarina, e percorreram cerca de 670 quilômetros até o local.

Alceu foi baleado e morreu no local. De acordo com a investigação, os suspeitos invadiram o bar e efetuaram disparos em frente ao estabelecimento, que estava aberto no momento do crime, mas sem clientes. Horas depois, os dois foram presos na BR-277, em Cascavel. Imagens de câmeras de segurança do bar ajudaram a identificar os acusados.

O neto aparece no vídeo usando capuz, o que, segundo a Polícia Civil, seria uma tentativa de não ser reconhecido pelo avô. A partir das imagens, foi possível identificar o modelo e a placa do carro usado na fuga.

Em depoimento, o neto confessou a participação no crime e disse que viajou com o amigo até Ubiratã para cometer o roubo. Segundo a polícia, o amigo receberia R$ 4 mil pelo apoio no crime. No carro dos suspeitos, a polícia encontrou 184 gramas de ouro, que seriam da vítima, além da arma usada no crime.