Caso Isabel: defesa questiona conclusão de inquérito antes de resultados de perícias

O advogado João Alves Cruz, que defende o homem investigado por envolvimento na morte de Isabel Brilhador, de 65 anos, em Campo Mourão, questiona a conclusão do inquérito policial antes dos resultados de perícias que, segundo ele, ainda estavam pendentes. Em entrevista à TV Carajás, repercutida, ele afirmou que as circunstâncias da morte precisam ser esclarecidas.

Cruz disse que os investigadores poderiam ter aguardado os laudos antes de encerrar o inquérito. Na avaliação dele, a prisão temporária poderia ter sido prorrogada para permitir a conclusão desses exames. Entre os questionamentos, o advogado citou o período em que Isabel morreu e o local onde o crime teria ocorrido. Embora o corpo tenha sido encontrado enterrado no quintal da residência, a defesa afirma que ainda faltam esclarecimentos sobre onde ela foi morta e como a ação aconteceu.

O advogado também informou que aguardava resultados de perícias em veículos relacionados ao caso. Cruz reconheceu o trabalho dos delegados, mas contestou o que considera uma concentração da investigação em uma única hipótese. Para ele, outras possibilidades deveriam ter sido examinadas.

O defensor afirmou que recebeu um relato sobre uma pessoa que teria sido vista entrando na residência de Isabel. A defesa também contesta uma possível motivação financeira. Segundo Cruz, o cliente mantinha um relacionamento com Isabel havia cerca de dois anos, e as transferências via Pix feitas por ela eram uma ajuda financeira recorrente durante a relação.

O advogado afirmou que o cliente colaborou com a investigação e sustentou que ele não participou da morte. “Ele não tem o dolo, o elemento necessário para querer matar”, afirmou Cruz.

Relembre o caso

O desaparecimento de Isabel aconteceu no dia 4 de setembro. A família registrou um boletim de ocorrência no dia seguinte. Durante a apuração, familiares também relataram mudanças nas mensagens atribuídas a ela desde 28 de agosto.

A Polícia Civil ouviu familiares e testemunhas, analisou imagens de câmeras e informações do celular e realizou buscas em áreas de mata, com apoio do Corpo de Bombeiros e de cães.

O investigado foi preso temporariamente no dia 10 de setembro. Segundo informações da investigação divulgadas à época, ele teria apresentado contradições nos depoimentos. No dia 15 de setembro, o corpo de Isabel foi encontrado enterrado no quintal da própria residência, no Jardim Cidade Alta, durante buscas realizadas pela polícia com auxílio de cães.