Conselho de Ética ouve testemunhas em caso Renato Freitas
O Conselho de Ética da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), presidido pelo deputado Delegado Jacovós (PL), colheu, na manhã desta terça-feira (23), o depoimento de testemunhas no processo que apura a suposta quebra de decoro parlamentar por parte do deputado Renato Freitas (PT), devido ao seu envolvimento em uma briga registrada no Centro de Curitiba. A denúncia foi apresentada por oito autores.
Testemunha arrolada pelo relator do processo, o deputado Marcio Pacheco (PP), o manobrista à época dos fatos, Weslley de Souza Silva, prestou depoimento. Foi ele quem trocou golpes com Freitas na ocasião. O colegiado também ouviu duas testemunhas indicadas por Renato: Carlos Alberto Ferreira de Souza e Arleide Cerqueira Xavier Muller, ambos acompanhavam o parlamentar na ocasião.
Os fatos apontados pela representação nº 25804-80.2025 ocorreram no dia 19 de novembro de 2025. Imagens de celular mostram Freitas em uma briga com Silva, em que os dois trocam golpes entre as ruas Vicente Machado e Visconde do Rio Branco. Posteriormente, foram divulgadas gravações de câmeras de vigilância que mostram a confusão em frente e dentro de um estacionamento da região. À época, Freitas afirmou que o confronto começou quando Silva avançou de maneira brusca com o carro em sua direção, abaixando o vidro e proferindo ofensas e ameaças. Segundo o deputado, ele saía de um exame de gravidez junto à mãe de seu filho.
Todas as representações apresentadas sustentam que Freitas infringiu o artigo 5º do Código de Ética e Decoro Parlamentar, que considera como ato incompatível “praticar ofensas físicas ou vias de fato contra qualquer pessoa, no exercício do mandato”. As representações, reunidas em uma única acusação, foram apresentadas pelos vereadores de Curitiba Bruno Secco (PMB), Eder Borges (PL), Guilherme Kilter (Novo) e Tathiana Guzella (União); e pelos deputados estaduais Fábio de Oliveira (Novo), Ricardo Arruda (PL) e Tito Barichello (União). Também ingressou com a ação Willian Pedroso da Rocha, coordenador estadual do Movimento Brasil Livre (MBL).
Oitivas
Durante cerca de 40 minutos, Silva apresentou sua versão dos fatos, afirmando que manobrava um carro quando Renato transitava com uma mulher logo atrás do veículo. Segundo ele, houve discussão após um desentendimento no trânsito. “Falei ‘aqui não é faixa de pedestre’. Assim que falei isso, ele me xingou”, relatou.
De acordo com Silva, ao sair do carro, teria sido agredido. “[Renato Freitas] chegou me agredindo, com uma ‘voadora’. Os dois me agrediram, deram socos e pontapés na costela e no rosto”, afirmou. Ele disse ainda que não conhecia o parlamentar e negou motivação política.
O assessor parlamentar Carlos Alberto Ferreira de Souza foi o segundo a depor. Ele afirmou que não presenciou o início da confusão. “Só ouvi o Renato dizendo ‘respeita o pedestre’. Olhei em direção ao veículo; o Weslley estacionou e saiu rapidamente do estacionamento, indo na direção de Renato”, disse. Segundo ele, tentou evitar o confronto.
Por fim, Arleide Cerqueira Xavier Muller prestou depoimento por videoconferência. Ela afirmou que acompanhava Freitas para a realização de um exame quando ocorreu a situação. Segundo a testemunha, o motorista teria se dirigido até eles, momento em que o deputado teria se defendido.
Imagens
O advogado Edson Vieira Abdala, que representa Freitas, solicitou que as imagens das câmeras do edifício onde ocorreu o conflito, bem como gravações do sistema de monitoramento da região, sejam anexadas integralmente ao processo. O pedido será analisado pelo relator, Marcio Pacheco.
Próximos passos
Na próxima terça-feira (31), o deputado Renato Freitas apresentará sua defesa no processo e responderá a perguntas dos integrantes do Conselho de Ética. A sessão está marcada para as 10h30. Em seguida, estão previstas as etapas de alegações finais, apresentação do parecer e julgamento.
Participaram da reunião os deputados Delegado Jacovós (PL), Marcio Pacheco (PP), Thiago Bührer (União), Márcia Huçulak (PSD) e Luiz Claudio Romanelli (PSD), membro suplente do colegiado.

