Sociedade e Desenvolvimento
A inovação nossa de cada dia

“Se eu perguntasse a meus compradores o que eles queriam, teriam dito que era um cavalo mais rápido”. Henry Ford

Estamos trabalhando junto à Câmara de Inovação do Codecam um texto para a criação da Lei de Inovação de Campo Mourão. É uma iniciativa para estimular um ambiente de negócios mais inovador para nossa cidade, atingindo não só empresas mas também organizações e poder público.

Para efeitos da Lei, obviamente haverá um “corte” no conceito de inovação, para contemplar as iniciativas em que possa haver incentivos ou subsídios e que possam gerar novos produtos ou serviços.

Mas hoje, gostaria de ressaltar que o conceito de inovação não pode ser entendido como aquela coisa de startup do Vale do Silício, ou aquelas invenções disruptivas que criam novos produtos diferentes e aposentam os que utilizamos hoje.

Aliás, é bem o contrário: atualmente, é quase obrigação pensar em inovação, qualquer que seja seu ramo de atividade.

Se pegarmos a palavra innovatia, termo latino que origina a palavra inovação, ele representa uma criação que não tem equivalente em padrões anteriores. Porém, hoje em dia, o conceito vai bem além disso. Pode-se inovar em porte de empresa, seja através da melhoria (inovação incremental), ou da introdução de algo totalmente novo (inovação disruptiva).

O importante é considerar que, se não estimular a inovação nas empresas ou organizações, estará destinando-as ao obsoletismo e ao lugar-comum no mercado.

Nesse aspecto, um dado preocupante é que os empreendimentos iniciais brasileiros apresentam baixíssimo potencial inovador. Em 98,8% dos casos o produto não é novo para ninguém, em 99,5% a tecnologia existe há mais de cinco anos e em 98,6% os consumidores estão apenas no Brasil. Estes dados são da Pesquisa GEM – Global Entrepreneurship Monitor sobre Empreendedorismo no Brasil.

A falta de planejamento e inovação nos novos negócios que surgem no Brasil podem explicar em parte, o ainda elevado número de empresas que fecham antes de completar dois anos no mercado, pois, apesar de a inovação não ter o mesmo nível de importância em todas as áreas, na maioria das atividades a inovação é essencial para manter a empresa em nível de competitividade.

Pensar em novos produtos, novos processos, novas abordagens de mercado, novos modelos de negócios são essenciais para atender a clientes que estão diariamente sendo bombardeados com novidades. É preciso ousadia, como na frase de Henry Ford, para criar novas necessidades e novos mercados.

Carlos Alberto Facco - Secretário de Desenvolvimento Econômico de Campo Mourão | [email protected]