José Eugênio Maciel
A mocidade da Academia Mourãoense de Letras

Contemplo em cada um de vós um a um dos 40 que puseram em marcha a instituição que vos peço licença para começar a chamar nossa; contemplo em vós os sucessores que, enfrentando momentos difíceis, vieram trazendo a nossa instituição ao que ela é hoje. Evanildo Bechara

Ela nasceu do silêncio. Não o calado, mas sim o meditar da própria criação, necessário a ética como primeiro critério. As reuniões preparatórias traziam no seu bojo o horizonte da arte, das letras. A evocação do passado cultural e educacional com os primeiros nomes que edificaram o início de Campo Mourão, eles abriram caminhos como o de Peabiru; do Capitão Índio Bandeira ou o da Boiadeira, carreadores, estradas vicinais na terra fértil, perfume da madeira, lavoura, feitura de casas, percursos poéticos e da prosa, boca em boca.

A Academia Mourãoense de Letras antes de vir a luz foi fecundada através de uma comissão instituída que colheu, recolheu, organizou e registrou consubstanciadamente aqueles que se tornariam nomes das pioneiras cadeiras acadêmicas. O grupo não poderia ter escolhido lugar melhor para sucessivos encontros, a sede da Fecilcam – Faculdade de Ciências e Letras de Campo Mourão.

Tive a honra de participar de tais reuniões, nas quais prevalecia e norteava o sentimento de criar a Academia, nominar e nomear pessoas apenas após regressarmos do encontro com a história, ponto de partida de nossa gente, origens estoicas. Depois colocar imagem e conteúdo na moldura, antes pronta, para então receber e perfilar os dez primeiros nomes.

Dia 21 de maio de 2002 oficialmente apresentada e o silêncio foi substituído pela efusiva saudação para e pela Academia Mourãoense de Letras, pois o silêncio não tem fisionomia, mas as palavras muitas faces, dizer do Machado de Assis. Naquela noite jubilosa todos os segmentos da sociedade mourãoense ocuparam todas as poltronas do Teatro Municipal, no uníssono aplauso de reconhecimento legítimo na posse dos primeiros integrantes fundadores da Academia.

A AML é uma moça com características próprias da juventude, como rebeldia, senso crítico, valendo-se da palavra oral e escrita, cultura e educação projetadas na comunhão que ela protagoniza. No intenso o percurso de coesão e ela vem adquirindo maturidade, o viço que é próprio da literatura, demonstrando efetivamente toda a capacidade para seguir adiante, sempre em defesa e na promoção do patrimônio material e imaterial da cultura. Aliás, em um único instante sequer, existiu qualquer dúvida que a Academia seria forte, essencial no ser e no produzir nossa obra maior, o espírito latente da criação humana de todas as artes.

quase duas décadas, a Academia incluiu novos membros e que, bem-vindos e vindos para o bem, asseguram união, solidez e dinâmica, atualmente são 40 acadêmicos. Personalidades que, mantendo a singularidade, ao mesmo tempo todos compõem o somatório de um ambiente de reflexão, de todos os ângulos de saberes, mantendo-se o respeito libertário mútuo, em renovar a contribuição da AML no desenvolvimento humano.

Fases de Fazer Frases (I)

Uma palavra não leva outra, uma palavra traz outra.

Fases de Fazer Frases (II)

Imaginação costuma flertar com a ilusão, mas ilusão é achar que ninguém imagina.

Fases de Fazer Frases (III)

Entre cada passo da vida há espaço em vida.

Olhos, Vistos do Cotidiano

Foi o atual que enviou para a Assembleia Legislativa e ela aprovou: os futuros governadores do Paraná não terão mais direito de se aposentar e receber mais de 30 mil reais por mês.

Os que recebem tais proventos, inclusive muitos deles sem terem contribuído ao longo da vida, continuam sossegados. Dois têm idade avançada, Emílio Gomes, 93 anos e Paulo Pimentel, 91. Por terem assumido só seis meses, então vices, recebem como aposentados Mário Pereira e Orlando Pessuti. A ex-governadora Cida Borgueti requereu a aposentadoria. O governador Ratinho declarou que não concederá a ela tal benefício.

Fiapo e Ferpa

O presidente Jair Bolsonaro detém nível, baixo, verbal de xingamento. Cortou recursos no orçamento da educação. O dele, não. Não se corta o que não tem.

Reminiscências em Preto e Branco

Não é o novo que contrasta o antigo, é o velho que o constata.

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José Eugênio Maciel | [email protected]