José Eugênio Maciel
A renúncia do presidente

“Fui vencido pela reação e, assim, deixo o Governo. Nestes sete meses, cumpri meu dever. […]. Mas, baldaram-se os meus esforços para conduzir esta Nação pelo caminho de sua verdadeira libertação política e econômica, … […] a que tem direito o seu generoso povo. Desejei um Brasil para os brasileiros, afrontando, nesse sonho, a corrupção, a mentira e a covardia que subordinam os interesses gerais aos apetites e às ambições de grupos ou indivíduos, inclusive, do exterior. Forças terríveis levantam-se contra mim, e me intrigam ou infamam, até com a desculpa da colaboração. […]. Encerro, assim, com o pensamento voltado para a nossa gente, para os estudantes e para os operários, para a grande família do País, esta página de minha vida e da vida nacional. […].

Jânio da Silva Quadros, Brasília, 25 de agosto de 1961.

Alegou que “forças terríveis” o impediam de governar, banir a corrupção, impuseram a renúncia, só sete meses no cargo, Neste 25 de agosto faz 48 anos da renúncia do Jânio Quadros como presidente. A corrupção que tanto bradou em eloquentes discursos da campanha eleitoral, simbolizada na vassourinha que varreria a roubalheira, foi determinante na vitória dele.

História não é mero registro cronológico do tempo, é advertência, lições do passado que possibilitam evitar ou repetir erros. Jânio renunciou e os reflexos de tais fatos têm a ver com o golpe militar de 1964, longa ditadura de 21 anos.

O ápice da redemocratização foi a escolha direta de Fernando Color. Porém, o primeiro presidente foi cassado em 1992. Tinha discurso do mesmo teor janista, intitulado “caçador de marajás”. Disse não ter o poder de governar, vítima da elite por ser “defensor dos “descamisados”.

Lições da história. Embora não próximo de termos parecido desfecho quanto ao presidente atual Jair Bolsonaro, o “mito” prometeu ser implacável contra a corrupção, e que inauguraria uma “nova política sem barganha”. Jair fala enfaticamente que precisa e quer governar com mais poder.

58 anos da renúncia de Jânio e a cassação de Collor evidenciam, a democracia não está nem morta nem enterrada, cujo o pressuposto é a liberdade, ainda que não tão vigorosa, não é aniquilada por medíocres presidentes pretensamente despreparados e despóticos.

Fases de Fazer Frases (I)

O que devo, deveras.

Devo o que devo, deveras.

Devolvo o que deveras devo.

O que devi não deverás.

Vi o que não deverás.

Via o que devia e verás que não mais devo.

Vi deveras o que deverás o que vi.

Fases de Fazer Frases (II)

Olhar mais puro é o que vê sem enxergar.

Fases de Fazer Frases (III)

A vida mais bela é a que tem na beleza, a vida.

Fases de Fazer Frases (IV)

ao longe trazem para perto evocação dos já percorridos.

Olhos, Vistos do Cotidiano

O senador paranaense Álvaro Dias sugere ao presidente Jair Bolsonaro vetar o projeto de lei sobre o abuso de autoridade. Logo ele?! A última vez, (única), que foi governador, jogou a cavalaria em cima dos professores que acampavam no Palácio Iguaçu, (dia 30 próximo faz 31 anos). E não foram poucos os servidores que conseguiram na justiça reassumirem cargos que lhes foram tirados arbitrariamente pelo então governador perseguidor. Sem carecer entrar no mérito quanto ao presidente, Álvaro não tem moral para falar de abuso. Aliás, nunca conseguiu ser novamente governador, bem que queria, mas perdeu duas, 1994 e em 2002.

Fiapo e Ferpa

Poder estar com os poderosos, e não ficar, é ficar com o poder próprio.

Reminiscências em Preto e Branco

Um dicionário novo contém palavras antigas.

Um dicionário antigo não contém palavras novas.

Creio saber o que faço com o dicionário.

Não sei o que fazer com as palavras sem ele.

Sei dele. Não sei delas.

José Eugênio Maciel | [email protected]