Sociedade e Desenvolvimento
Capital Social: um pilar do desenvolvimento local

"Se quer ir rápido, vá sozinho. Se quer ir longe, vá em grupo." Provérbio Africano

Faça uma análise de qualquer projeto ou case de desenvolvimento local ou regional e encontrará um ponto importantíssimo e comum em todos eles: o Capital Social. Não estou falando aqui daquele Capital Social que aparece no Contrato das empresas, refiro-me à capacidade de relacionamento entre os atores da cidade ou região em prol de um objetivo comum.

Conceitos mais modernos de desenvolvimento, que suplantam o econômico, trazem a premissa de que, para ser sustentável, o processo tem que ser também integrado, endógeno e abranger a todos os envolvidos. Juarez de Paula, meu ex-colega de Sebrae, em seu livro Desenvolvimento Local Como fazer?, apresenta quatro pontos-chave para o processo se perpetuar: Capital Humano, Capital Social, Capital Empresarial e Capital Natural. Em síntese, significa olhar para as pessoas, para as relações entre elas, para o econômico e para a natureza.

Porém, essa teia somente se mantém ao longo do tempo se estiver ancorada nas relações entre as partes, o tecido, o Capital Social. Porque requer o crescimento dos níveis de cooperação e confiança entre as pessoas. Não há metodologia, processo, discurso ou recurso suficientes, se não houver a participação efetiva e o empoderamento das pessoas.

Já tivemos em nosso município várias tentativas de criar movimentos para pensar o futuro, criar projetos de longo prazo e trabalhar pelo desenvolvimento sócio-econômico local e regional. Todos tiveram sua importância e contribuição, e alcançamos avanços importantes. Na minha modesta opinião, o fundamento de sustentação destas e de quaisquer outras iniciativas passa pela constituição de um Capital Social forte, seja institucional, de lideranças ou das pessoas envolvidas.

Durante muitos anos trabalhei com projetos de Desenvolvimento Local em dezenas de municípios, e vi muitos planos excelentes acabarem no fundo das gavetas. Mas também pude ver projetos medianos alcançarem resultados fantásticos baseado no engajamento, comprometimento e entusiasmo de pessoas que assumiram o protagonismo e fizeram as coisas acontecerem.

É mister, portanto, que se constituam redes de cooperação e ajuda mútua, onde a confiança e a solidariedade sejam os princípios norteadores. Precisamos deixar um pouco de lado o paradigma da competição. Em quaisquer aspectos, ao olharmos somente para a lei do mercado, a lei do mais forte, ou até aquela famosa Lei de Gérson, não é possível avançar com sustentabilidade. Após certo ponto, as relações se deterioram, as lideranças se enfraquecem, o processo míngua.

O novo paradigma é o da diversidade, flexibilidade, interdependência, cooperação e parceria. Estas são as condições de sustentabilidade dos sistemas complexos. Basta olharmos com uma visão sistêmica, ou seja, olharmos o todo, na sua complexidade e no dinamismo da relação entre as partes, que vamos constatar que nada está isolado, tudo faz parte de uma densa teia de relações, uma grande rede. Essa rede deve ter seus nós bem apertados, firmes, não pode se romper. E, caso haja o rompimento de um nó, os outros devem ser fortes o suficiente para manter a teia.

Portanto, o capital social é essa teia, esse tecido, essa rede de conexões, que quanto mais forte, mais capaz será de gerar desenvolvimento sustentável. O capital social é o produto da confiança e da cooperação entre os atores sociais, que lhes confere organização, capacidade de participação e empoderamento. O desenvolvimento, de certa forma, é produto do capital social, cita Juarez de Paula.

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Carlos Alberto Facco - Secretário de Desenvolvimento Econômico de Campo Mourão | [email protected]