Sociedade e Desenvolvimento
Crer para ver

Uma pessoa com uma crença é igual a 99 que tenham somente interesses.

John Stuart Mill

Não, você não leu errado não... o que quero dizer hoje é que, se queremos progredir, seja em nossa vida pessoal, seja na profissão, ou em qualquer área ou projeto, precisamos acreditar firmemente que conseguiremos. O sucesso é muitas vezes uma questão de crença.

Por isso, ao contrário de São Tomé, aquele que ficou famoso por não ter acreditado quando os discípulos lhe contaram que haviam visto Jesus ressuscitado, dizendo mais ou menos assim: Se eu não ver com meus próprios olhos e tocar suas feridas com minhas mãos, não acreditarei, ao contrário disso, a reflexão de hoje é sobre confiar em algo que ainda não viu, mas que almeja como futuro.

Quando começamos um novo ano, ou um novo projeto, um novo emprego, precisamos crer que dará certo, para depois ver o resultado. Então trata-se de confiar que as coisas darão certo, que teremos a competência de acertar e que nossas decisões serão as melhores.

Outro dia conversava com uma pessoa sobre o quanto a economia depende da confiança, por exemplo. A expectativa positiva e o otimismo leva a maiores investimentos, que por sua vez geram mais empregos, as pessoas têm mais renda, consomem mais, e a roda gira positivamente. A expectativa negativa faz com que deixemos de investir, as empresas demitem, a renda cai, as dívidas aumentam, e paramos de consumir, gerando mais desemprego.

Não se trata de viajar na maionese e achar que tudo se resolve sendo otimista. Mas trata-se de confiança nas pessoas, instituições e empresas. Porque onde não há confiança, não há progresso. Se o patrão não confia no empregado, sua empresa não vai progredir, porque ao invés de buscar novos mercados, vai ficar no caixa cuidando para não ser roubado. Se a empresa não confia no fornecedor, vai investir em caros sistemas de controle ao invés de progredir através de outras parcerias.

Acontece que quando trata-se de confiança, temos dois extremos: a confiança cega, também chamada de ingenuidade, ou a desconfiança severa, que podemos chamar de suspeita. Ambas podem nos trazer problemas. É preciso, na minha opinião, que a sociedade comece a agir com uma confiança inteligente, onde parte-se da premissa que as pessoas são confiáveis até que provem o contrário.

A desconfiança é muito cara. Imagine só quantos milhões de dinheiros são gastos no mundo todo sob a justificativa de que é preciso fiscalizar, garantir, controlar. No Brasil, você vende seu carro olhando no olho do comprador, e precisa comprovar em cartório que você é você mesmo, que o carro é aquele mesmo, que a assinatura é sua mesmo, tudo isso em duas vias autenticadas, porque senão o outro cartório não reconhece o que o primeiro carimbou.

Multiplique isso pelos milhões de processos diários criados por uma burocracia baseada na premissa de que ninguém é confiável. Imagine isso se a premissa fosse exatamente o contrário.

Um dos maiores negócios de crédito do mundo, o Grameen Bank, foi fundado por Muhammad Yunus exatamente com a premissa de que os pobres precisavam de um voto de confiança para empreender e viver de forma digna. Aliás, essa história eu adoraria contar em uma próxima coluna.

Por hoje, o que gostaria de deixar é a mensagem de que a falta de confiança pode ser uma grande barreira para seu progresso. Acredite que seu ano será fantástico, e que as pessoas são boas. Verá como isso fará diferença em sua vida.

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Carlos Alberto Facco - Secretário de Desenvolvimento Econômico de Campo Mourão | [email protected]