Pedro Washington
De corruptos e corruptores

Uma frase forte do juiz Sérgio Moro, repercutida pela jornalista Míriam Leitão, justifica as divulgações dadas aos depoimentos dos denunciados pela Operação Lava Jato, sem direito a foro privilegiado; este por sinal,  uma excrescência que precisa ser abolida. Se todos são iguais perante a lei, não há porque abrir exceção aos ocupantes de cargos eletivos, a não ser quando se tratar dos chamados crimes de opinião. Teria afirmado o Dr. Moro: Não cabe ao Judiciário ser guardião de segredos sombrios, e com isso abrindo ao público através da imprensa, revelações que dão conta de como a teia de corrupção se armou,  em relação à momentosa investigação a que é submetida a  Petrobras. Conluio entre corruptores e corruptos, que já se fizera presente em outros casos como o mensalão, dos poucos  em que punição, mesmo branda, foi sentenciada a corrompidos. Este colunista que assistiu uma oferta a seu velho pai, prefeito de sua cidade natal em anos da década de 40 do século passado, numa obra da estrada de ferro Sorocabana, sabe que esse é um tema recorrente na administração pública brasileira. Lembra-se do espanto de todos por não ter sido a tentadora proposta aceita, o que prova que muitos repudiam a corrupção  ‘da boca pra fora’. Aos que, tendo oportunidade,  não se rendem à tentação,  classificam como burros. No caso do atual escândalo que enlameou a estatal petrolífera brasileira e a deixa em imensas dificuldades para seguir em sua missão, algumas tentativas estão sendo feitas para mudar o rumo das investigações ou livrar gente e até instituições, encalacradas até o pescoço. Caso da manifestação  do atual presidente do PT, Rui Falcão, em defesa do tesoureiro da agremiação, afirmando que o Partido só recebeu doações lícitas e devidamente registradas! Afirmação que lá atrás, por ocasião do julgamento do mensalão, foi desmentida pelo então tesoureiro Delúbio Soares, que admitiu a existência de caixa 2: dinheiro não contabilizado, afirmou. Felizmente, a cada dia, novos fatos se somam para evitar que o dramático episódio seja enfiado para baixo dos tapetes, como é norma neste país. Daí as críticas às audiências concedidas pelo ministro  José Eduardo Cardoso, da Justiça, a advogados das partes denunciadas. Atitude  que confirma uma velha frase do então médico/deputado Paulo Camargo: Todo mundo por mais inteligente e preparado, tem cinco minutos de burrice no dia. Menos mal se no caso do ministro, for mesmo isso!

Fogo amigo

A audiência do ministro da Justiça a advogados das partes envolvidas na Operação Lava Jato,  tem dado ‘pano pra manga’. Algumas sutilezas do caso, como o registro das audiências, demonstram que havia preocupação em não identificar o objetivo dos encontros. Sabia sua assessoria que o tema era explosivo. O curioso é que as repercussões do caso, interessam aos que dentro do governo com ele disputam a indicação para a vaga do ministro Joaquim Barbosa, no STF.

Trabalhadores...

Na confusão em que se transformaram as disputas entre governo e prefeituras, ante os aplausos dos grupos que há dezenas de anos são sacrificados pelo mau negócio que é o sistema de transporte coletivo da Região Metropolitana de Curitiba, alguns resultados negativos já se observam. Caso dos trabalhadores de Araucária com emprego em Curitiba. Especialmente domésticas. Com a passagem ida e volta desconectada da Integração, por dia pagarão em torno  de R$ 12 reais (não obstante internamente a prefeitura tenha baixado para R$ 2,50), o que inviabilizará centenas de empregos.

...prejudicados

No sistema integrado da Região Metropolitana de Curitiba, o município de Araucária é o que melhores condições tem de bancar até a gratuidade do transporte coletivo. Trata-se do segundo orçamento municipal do Paraná, só inferior ao de Curitiba. Município com pouco mais  de 150 mil habitantes, supera em arrecadação os 397 outros, entre os quais Londrina, Maringá, Ponta Grossa, Cascavel, Foz do Iguaçu, para só citar alguns. No cenário de dificuldades vivido pelos demais municípios, um  orçamento para ninguém botar defeito!

No escuro

Até o momento em que esta coluna era redigida, nenhuma  informação existia circulava sobre  a reunião entre representantes do governo do Paraná e da APP-Sindicato, em que as reivindicações classistas que redundaram na greve que já se estende por mais de dez dias, deixando sem aula em torno de 1 milhão de alunos, seriam analisadas.