José Eugênio Maciel
"Desligue o celular!"

“Vou pedir só ali: coronel, se quiser desligar o celular enquanto o governador estiver falando, agradeço. Se o senhor tiver algo urgente, pode sair da sala e usar o celular. Mas enquanto o governador estiver falando, por favor, preste atenção. O mesmo vale em relação ao seu comando”.

João Dória, governador de São Paulo

“Desligue o celular!”, certamente o caro leitor já ouviu tal expressão. E que fique bem claro, leitor, o já ouviu a expressão, não significa que a tenha escutado como sendo crítica direta a você, mas sim testemunhado o fato em relação a alguém que não larga o telefone móvel.

Quando não se tem mais ou suficientemente a vergonha, somada ao o individualismo e sensação de impunidade, pessoas se sentem mais a vontade para agirem, sem a menor preocupação com as outras. Falta de vergonha caracterizada pela irresponsabilidade social é o indivíduo atender o celular a hora que bem ele entender e da modo que achar conveniente, para ele, tão somente.

O problema ganhou maior dimensão de desrespeito que já não é atender o celular. Mas sim o de acessar todas as mensagens, respondê-las e tudo mais, não estando nem aí para quem quer que seja ou esteja em ambiente público.

É na escola, o estudante com o fone de ouvido, aparelho como o único “material escolar” que ele jamais esquece. É nos cinemas, luzes dos aparelhos que competem com a telona. São encontros os mais diversos que o mundo a parte e prioritário é estar vidrado no celular.

O curioso é que reclamamos, comentamos ou lamentados a falta de atenção humana do ser humano para com os semelhantes. Uma boa dose de demagogia e hipocrisia estão embutidas, por não se tomarem atitudes que resultem na atenção de fato para com os outros, que deveria ser a de olhar nos olhos, prestar atenção.

Para mencionar uma única situação como exemplo e sem precisar dar aqui a resposta, já que o caro leitor bem saberá responder. Em uma consulta como ficará o paciente, se o médico der mais atenção ao “Zap zap” e sem se importar com o caro leitor paciente?

E quem achar que o governador de São Paulo foi arrogante, fato discutível, é provável, na maioria dos casos, que a motivação de quem não gostou é subterfúgio para não assumir o que está infelizmente se naturalizando, o desrespeito.

O desrespeito ao atender ou celular ou acessar mensagens não é porque se trata de governador, mas a afronta cotidianamente se constata, comportamento individualista como se estivessem numa bolha.

Mais grave ainda são reuniões que visam se ter conhecimento do que é relevante e a consequentemente reflexão sobre fatos. Gravíssimo é tomar decisões sem ouvir, prestar atenção, comportamento que vai além de ser omissivo e irresponsável, é desonesto.

Fases de Fazer Frases (I)

A vida, sem dúvida, é uma dúvida sem vida.

Fases de Fazer Frases (II)

Mesmo quando começo a escrever… Não paro de começar.

Olhos, Vistos do Cotidiano (I)

Rodo desculpas ao caro leitor. Na Coluna anterior – Reminiscências em Preto e Branco (II) – foi registrada a morte de um grande jornalista. Porém, não foi colocado o nome dele. Graças ao pedagogo e amigo desde infância Gilberto Santa de Alencar, ao ler, ele se manifestou: “faltou dizer que o nome do jornalista é Clóvis Rossi.”. Grato, caro amigo.

Olhos, Vistos do Cotidiano (II)

Árvore morta numa rua mourãoense. É nítido, ela desaparece para aparecer a fachada comercial. Ali os pássaros não mais batem palmas. Talvez nem baterão as asas.

Farpa e Ferpa

Se tiver que afiar a língua, o melhor é o dicionário.

Reminiscências em Preto e Branco

Há oito anos, 21 de junho, pedíamos a bênção pela última vez, eu supunha. Mas não. A bênção é constante, de eterna gratidão e saudade. A falta que a senhora faz é por tudo que fez de amor, pelos filhos. Uma falta preenchida de saudade vinculada em seus todos pertences, mais ainda nas grandes lições de mãe que, sem falta, corrigia e antes ensinava o que era falta. Com o pedido de bênção, obrigado, dona Elza Brisola Maciel.

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José Eugênio Maciel | [email protected]