José Eugênio Maciel
Ela Luzia

“O que passou, passou, mas o que passou luzindo, resplandecerá para sempre”. Goethe

É a primeira e provavelmente a última vez que escrevo o verbo luzir, no futuro subjuntivo:

Quando eu luzir.

Quando tu luzires.

Quando ela luzir.

Quando nós luzirmos.

Quando vós luzirdes.

Quando eles luzirem.

Luzíamos em todos os verbos, tempo, entonações das declamações.

Infelizmente luziremos sem Luzia. Era ela quem melhor luzia, próprio dela.

A luz está agora apagada. Para sempre. De repente, intensa, abrupta.

Sempre luz a brilhar nos amigos, colegas de trabalho e sobretudo familiares.

Era luz própria do luzir radiante, alma e espiritualidade.

Brilhava, a encandecer todos a volta dela, assim era a professora Luzia Terezinha Francisco.

Ela laborava na Coordenação Financeira, Núcleo Regional de Educação de Campo Mourão.

Transmitia a serenidade na voz versada no equilíbrio.

Apegada a rotina, relógio de pulso, pulsava a vida que ela sabia bem marcar.

Antes de iniciar as férias dela, comentou sobre educação:

Apesar dos problemas, acreditava, pelo saber é possível suplantar realidade adversa.

A luz própria da Luzia brilha agora no infinito inalcançável para nós mortais.

Prossegue a luzir, clarear de tão grandiosos feitos edificantes de um ser humano sublime.

A luz do sol no entardecer prenuncia despedida. E vem a luz da lua, brilho belo da noite.

nossos olhos fecharem para sempre não veremos o sol e a lua.

Fechados os olhos da Luzia eles recolhem a luz que ela tinha, leva e nos deixa.

Domingo passado o brilho dela é memória a nos iluminar, inefável saudade sentida.

Fases de Fazer Frases (I)

Sem querer tudo é querer mesmo quando não se quer.

Fases de Fazer Frases (II)

Sem querer, tudo é querer mesmo quando não se quer.

Fases de Fazer Frases (III)

Sem querer tudo, é querer mesmo quando não se quer.

Fases de Fazer Frases (IV)

Sem querer, tudo é querer, mesmo quando não se quer.

Olhos, Vistos do Cotidiano

Na comunicação deve-se evitar o duplo sentido. A chamada ambiguidade se torna pior também no jornalismo. E se ainda contiver o gerúndio, é o pior dos piores. Eis a questão: “Campo Mourão vende área do antigo pesqueiro”, título da notícia do Jornal Folha de Londrina, publicada na Coluna Giro pelo Paraná. O verbo vende pode levar a conclusão que a prefeitura conseguiu vender a citada área, pois no gerúndio está, repitamos, escrito vende.

O terreno ainda está a venda, ou seja, não foi vendido. Sugestão modesta, Campo Mourão põe a venda. No futebol é comum o gerúndio e a ambiguidade, como: o time vence a partida. Quem não estiver acompanhando ao vivo o jogo, pode ser levado a concluir que o time venceu de fato a partida. Mas o vence poderia ser o registro de um fato ainda acontecendo.

Fiapo e Ferpa

O é dono da verdade não a põe a venda. Põe a venda quem não a tem.

Reminiscências em Preto e Branco (I)

Antigamente quando o relógio começava a atrasar ou parava, era preciso dar corda.

Em sua maioria relógios há muito tempo não têm corda nem ponteiros.

Relógios apontam cordas ponteiras do tempo que somos ou deixamos de ser.

Ora somos adiantados, ora atrasados Somos horas que somamos.

Reminiscências em Preto e Branco (II)

Morreu um dos mais importantes jornalistas brasileiros. Aos 76 anos, era integrante do Conselho Editorial e colunista da Folha de São Paulo. Desde os anos 80 sou leitor da Folha e dele. Independente, lúcido o conhecimento era retratado nos profícuos textos jornalísticos, verdadeiras aulas de narração dos fatos e análise precisa.

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José Eugênio Maciel | [email protected]