Pedro Washington
Humildade afinal!

A inesperada demonstração de humildade exibida ontem pelo Chefe da Casa Civil, Aloísio Mercadante, comparecendo à TV para demonstrar que o governo reconhece o direito democrático do povo de demonstrar sua insatisfação, com o panelaço exibido durante a fala da presidente  Dilma, a pretexto de homenagear o Dia Internacional da Mulher, pode ser um bom sinal. De que finalmente nossas autoridades maiores estão descendo do salto alto que exibiram até dias atrás,  quando não reconheciam as dificuldades impostas ao povo, gerando o índice de insatisfação que começa a extravasar. Ainda sem ter a dimensão do que poderá vir nos próximos dias 13 e 15. A tentativa da presidente de conseguir apoio para o quadro que se enfrentará  pelo tempo que for necessário, para usar suas próprias palavras,  mas que  se estenderá até o final do segundo semestre, significa dizer em português bem claro, até o final deste ano, no mínimo.  Para quem desmente as afirmações  feitas  até meses atrás,  no ano que passou, estar tudo sob controle, um avanço. Assim como reconhecer agora que,  a crise de 2008 não foi  uma marolinha como a classificou o ex-presidente Lula;  momento que para o Brasil foi a oportunidade jogada fora, se o governo tivesse usado aquele momento para promover as reformas que o Brasil precisa, inclusive reduzindo substancialmente os gastos com a máquina pública. A humildade que faltou naquele ano, o governo, premido pelas circunstâncias, assume agora. Nem que seja só para efeito externo, para fingir que foi a crise internacional da qual os países já começam a sair, a responsável pela situação atual. Não a teimosia da presidente, insistindo numa política suicida que serviu apenas para garantir a reeleição. Resta agora que a presidente e sua assessoria, tida como fraca, deem  provas de estar encarando com seriedade a nova proposta encabeçada pelo ministro Joaquim Levy, contestada pelo próprio PT. Hoje é ele o nome que avaliza, junto ao mercado e às agências internacionais de avaliação,  o governo Dilma. Vai precisar de muito apoio para levar avante o seu projeto de recuperação econômica do país. Caso contrário...

Preocupação consciente

Os que ainda restam com conceito na classe política (e esses nomes felizmente existem, mais do que se imagina), veem com preocupação a decrescente  credibilidade que toma conta da população consciente, em relação ao futuro político do país. Isso por que, na quadra atual, está difícil convencer gente de bem a ingressar nos partidos políticos. Significa dizer que, como lugar não fica vazio, os espaços serão cada vez mais ocupados por gente sem nenhum espírito cívico.

Tempo demais

O lamentável, depois da divulgação das dezenas de nomes supostamente envolvidos em situações grotescas deslindadas pela Operação Lava Jato, é a certeza da  demora com que as investigações serão feitas, no emaranhado de recursos que as várias instâncias a que os processos são submetidos,  conduzem. Há quem veja tempo não inferior ao do mensalão para se chegar a condenações. Tempo suficiente para o assunto cair na vala comum da certeza de impunidade,  que logo tomará conta do momentoso assunto  na opinião pública. Ainda com os pífios resultados que se viu naquele doloroso episódio. Bom para quem deve; ruim para eventuais inocentes!

Filho bastardo

O colunista que conhece de há muito, até por participação direta em alguns governos, como o operoso período de Jaime Canet Jr., de resultados extraordinários com apenas 12 secretarias, não consegue entender a dificuldades em se explicar a atual conjutura. A pergunta, onde foi parar o dinheiro?, tem explicação no tratamento recebido por este Estado no decorrer dos anos. Basta ao governo rememorar  os episódios em que o Paraná foi subtraído pelo governo federal, e a opinião pública entenderá o quanto ele foi espoliado. Não foram apenas os recursos dos dois últimos anos, arrancados a fórceps, num momento em que pela sua representação política (4 ministros) deveria ter sido muito bem tratado! Os maus tratos vão muito além! O Paraná, afora alguns poucos e pontuais  períodos,  sempre foi o filho bastardo da Federação!