José Eugênio Maciel
Nascida da fogueira

“Porque o fogo que me faz arder é o mesmo que me ilumina”

Etienne de La Boeyie

Há pelo menos 400 milhões de anos o homem iniciava verdadeiramente uma trajetória irreversível rumo à civilização graças a descoberta do fogo.

Dito assim direto sem vírgulas e entonação parece que foi tudo fácil. Fácil só na narrativa dos fatos históricos.

A observação dos raios que atingiam as árvores, espalhadas as labaredas, exerceram no homem das cavernas fascínio pelo fogo, ao mesmo tempo irresistível atração e afastamento.

A descoberta propiciou ao homem inventar uma multiplicidade de usos presentes hoje e sustentáculos da modernidade, pois o fogo é recurso e sentido de nossas ações.

A capacidade de observação, senso comum quando aliada à capacidade inventiva, conduziu o homem a se aproximar e se juntar aos demais, reunidos em torno da fogueira, a se aquecerem ante as noites gélidas, olhar pela primeira vez na escuridão no rosto dos seus semelhantes.

A fogueira se tornou fator de confraternização, também servia para manter animais bem longe dos humanos. Aliás, sem temer animais ferozes, o então pré histórico concluiu que poderia dormir mais e melhor, visto que o fogo era a vigília dele.

Em torno do fogo feito e apreciado como ritual social e sacrário, transformou o homem carnívoro que só ingeria e conhecia carne crua. O fogo foi determinante para que, aliada a colunária e a invenção da agricultura, o homem deixasse de lado a condição de bandos nômades extrativistas para se tornar fixo no mesmo lugar, sedentário.

Lembremos disso agora no rotineiro hábito de acender a chama do fogão ou da churrasqueira e agradeça aos nossos rudes antepassados das cavernas.

Nos tornamos civilizados ao superarmos o instinto de viver, sobreviver reunidos e não mais em bandos conquistando a consciência da real necessidade de viver coletivamente, de termos e fazermos com a consciência a própria história.

A gélida temperatura das densas florestas nas madrugadas foi aquecida pelo fogo como associação humana. Chamas que são agora o lume civilizatório, o homem-animal se tornou gente iluminada e iluminadora, claríssima humanidade.

Fases de Fazer Frases (I)

O fogo afaga. É fagulha. Fogueira fagueira.

Fases de Fazer Frases (II)

Somos parte do todo de toda parte.

Fases de Fazer Frases (III)

Ações semeiam hábitos para serem cultivados.

Fases de Fazer Frases (IV)

Guarde no tempo só o que (es)tiver passado.

Fases de Fazer Frases (V)

Se mentes, não dá frutos. Sementes são frutos.

Olhos, Vistos do Cotidiano

Sexta anterior, blogue do jornalista Fábio Campana reproduziu notícia da revista Veja: o senador do Paraná (Rede) Flávio Arns nomeou o segundo suplente dele e homônimo num cargo com salário de 22 mil. O suplente Flávio está no gabinete do titular Flávio. É favor ou paga?

Farpas e Ferpas (I)

Arranjo de palavras é mero enfeite do diz nada.

Farpas e Ferpas (II)

A sanha é a senha da fúria icúria assanhada

Caixa Pós-Tal

“O Estado é Rondônia”, concisa assim escreveu Gleyze Jeane Teodoro ao apontar o erro aqui, pois escrevi que o senador Acir Gurgacz (PDT) como sendo do Acre. Agradeço a ela por apontar e me permitir corrigir o erro na Coluna passada Férias do senador ladrão.

“Parabéns pela coluna do dia 22/06, me fez olhar para algumas atitudes das quais tenho que mudar. Muito obrigada!”, palavras da professora Hélyda Radke Prado Mitsui, em referência a Coluna “Desligue o celular!”. Também sobre a mesma Coluna vieram cumprimento e crítica num só tempo: “Você tem razão, porque as pessoas não estão nem aí, atendem, falam alto, postam e não tiram o olho do celular. Na escola, trânsito, velório, verdadeiro absurdo!”, escreveu o Recifense Valdomiro Oliveira Silva, estudante pernambucano. A todos eles, obrigado.

Reminiscências em Preto e Branco

O pobre para parecer nobre é esnobe. E o ex-nobre finge manter-se nobre.

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José Eugênio Maciel | [email protected]