José Eugênio Maciel
Nelsinho, fazedor, contador de causos do campo

Na minha casinha de reboco abraço a vida, sem medo da solidão reconstruo a minha estória caipira contando "causos", pois sou o cheiro desse chão - Robson Ruas

O que tinha de diminuto unicamente, o apelido, com afeto, Nelsinho. Homem do Campo, das terras, glebas, destoca, solo arável, sabia, com peculiar e notório conhecimento, o quão essencial conhecer e aplicar técnicas em termos de produção e produtividade.

A riqueza era o saber ao plantar, colher. A prosa o levava a trocar informações, experiências, um leque de aprendizados compartilhados que bem sabia dispor.

Nelson Teodoro de Oliveira foi sempre o homem do campo, terra. A ruralidade não se limitava a propriedade dele, entrelaçava preocupações e ações que fizessem, sociedade e governos, compreenderem que a riqueza da terra era alimento, exportação, a soberania do Brasil.

Homem do campo das pequenas até as grandes extensões, lavoura que beijava, prece de pedir, agradecer. Nelsinho agregou, durante mais de meio século, os homens da terra, apregoava união a fortalecer o meio rural. É por demais conhecida a inestimável contribuição na fundação da COAMO, homem que não veio só para aparecer na foto.

Não carecia chamá-lo, as lutas, desafios, sonhos que precisavam ser concretas realidades, ele estava sempre pronto para a luta, com entusiasmado liderava, assumia risco, não se omitia.

De espírito comunitário, foi vereador, militou em clubes de serviços, agregava com a sua capacidade de percepção e talento inegável para somar.

A família, tão amada e tendo dele suporte, era inspiração, legado maior que deixa, de homem de justeza e companheirismo. Família que aprendeu a conviver na ausência do pai, viagens, encontros que ele comparecia, articulava, postulava, aplaudia e cobrava.

Era homem a favor do processo desenvolvimentista, notadamente tendo como alvo o Paraná e a nossa região, bem a altura da família de pioneiros empreendedores que descendeu e é legado.

Homem do Campo, do Mourão como a cerca a unir grandes cercanias, porteiras abertas para o diálogo. Abriu picadas de progresso, assumiu a dianteira de muitos projetos, foi protagonista.

Era bom ouvi-lo, fala simples, direta, respeitosa, franca e se fosse preciso, mais que cobrar exigia respeito, não admitia ser enganado, era compromissado com o bem-querer, sempre do bem.

Uma memória tão ágil que ele recordava causos com riqueza de detalhes, descrevia personagens, tudo parecia, durante a sua narrativa, que ocorreria naquele exato instante, com seriedade ao tratar dos momentos históricos ou nas piadas com elevado humor.

Semeava inspiração, ideias, plantava sonhos, projetos, cultivava, colhia e partilhava frutos. Não desanimava com revezes. Soube cativar/cultivar amizades, ao longo de décadas, sempre a acrescer novos laços de fraternal convívio.

é com o sempre, agora que o sempre do eterno que na despedida inaugura, a sempre sentida ausência dele, indizível, quando muito atrevimento de crer que a terra que o acolheu está honrada por receber seu bravo defensor, assim como o céu das nuvens carregadas que garantiram fartas colheitas, agora chuva,.choro a encharcar a terra, na homenagem ao Nelsinho.

Fases de Fazer Frases

Se amar é armar-se, amar-se é desamar-se.

Olhos, Vistos do Cotidiano

Como na Folha de São Paulo, outros jornais divulgaram a imagem do bilhete do Lula para o Chico Buarque, 22 último. O ex-presidente da cadeia escreveu, Parabéns pelo ‘premio’, Camões (que o Chico ganhou) e repete o erro, novamente escreveu 'premio' sem acento. O Chico, sobrinho do Aurélio Buarque, conhecido tio, sinônimo de dicionário, poderia enviar um exemplar na prisão. Lula ao menos estaria em boa companhia, a do Aurélio.

Fiapo e Ferpa

Quem sem causa se atrasou à entrevista de emprego na Havan empregou-se na preguiça.

Reminiscências em Preto e Branco (I)

O passadiço não passa disso.

Reminiscências em Preto e Branco (II)

Tempos da famosa Banca do Jonas, encontrei o Nelsinho (título principal da Coluna) e a prosa correu solta. Fidel Castro presidia Cuba. Nelsinho condenava o eterno presidente. E ele, com bom humor, brinca comigo, vou indo embora, Maciel, para não lembrá-lo que eu sou quase meio século o presidente do Sindicato Rural Patronal, e ressalvou, mas sou escolhido pelo voto.