Sociedade e Desenvolvimento
O PIB e você

Um dos grandes segredos da sabedoria econômica é saber aquilo que se não sabe. John Galbraith, economista, filósofo e escritor estado-unidense.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgou na última sexta-feira (31), o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro no 2º trimestre de 2018. O resultado é que cresceu 0,2%, na comparação com os três meses anteriores, Em valores correntes, o PIB totalizou R$ 1,693 trilhão.

Desmembrando um pouco esse número, temos as seguintes variações:

  • Serviços: 0,3%
  • Indústria: -0,6%
  • Agropecuária: 0
  • Consumo das famílias: 0,1%
  • Consumo do governo: 0,5%
  • Investimentos: -1,8%
  • Construção civil: -0,8%

 

Na comparação com o mesmo trimestre do ano passado, o PIB avançou 1%. No acumulado em 12 meses, o PIB cresceu 1,4% em relação aos quatro trimestres imediatamente anteriores.

Diante deste cenário e em plena campanha eleitoral, como isso afeta a vida do cidadão? Algumas considerações de um administrador se metendo a economista:

  1. Observe que um dos setores avaliados para determinar o crescimento do PIB é o consumo das famílias. Ocorre que estamos vivendo um período de desemprego recorde e isso obviamente afeta diretamente este indicador. No trimestre encerrado em julho, 12,9 milhões de trabalhadores estavam desempregados no Brasil. E tem um outro indicador interessante: o chamado desalento, formado por aqueles que não trabalham, mas também não procuram vaga – esse número chegou a 4,8 milhões.
  2. Observe também que, exceto pelo setor de serviços, a atividade econômica continua dando sinais de recessão. Indústria e Construção Civil apresentaram variações negativas, e a Agropecuária não variou. A incerteza eleitoral e a baixa capacidade de investimentos do setor produtivo certamente são algumas das causas deste resultado.
  3. Um item positivo – aliás, o maior – é o consumo do governo: positivo em meio ponto percentual. Este é um ponto polêmico, e não é o objetivo aqui discutir o nível de gastos do governo. O fato é que esse indicador foi positivo no trimestre por conta do calendário eleitoral, que provocou uma antecipação de gastos e fez com que o consumo do governo fosse o componente de maior crescimento do indicador do PIB. O problema é que a eleição vai passar.... e não podemos esperar muitos investimentos com um déficit primário de R$ 17,82 bilhões só no primeiro semestre.

E já que estamos em época de avaliar propostas de governo, importa considerar que não haverá uma solução mágica, ou um salvador da pátria que mudará essa situação rapidamente. Embora os candidatos insistam em tentar nos convencer disso.

Uma politica fiscal austera, que permita conter os gastos do governo, aliada a uma agenda reformista, não são soluções simples de implementar. Necessitarão de apoio político e da sociedade, e principalmente de tempo, como em um campeonato de várias rodadas, onde o próximo resultado depende do desempenho imediato.

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Carlos Alberto Facco - Secretário de Desenvolvimento Econômico de Campo Mourão | [email protected]