José Eugênio Maciel
Rebeis, sentir da vida

"A sublime, serena e sensata sabedoria é simplesmente sentir o ser que sutilmente se sensibiliza com o sentir da vida"

Thomás A. S. Foiporeze

Sentir a vida, a que se tem. Sentir a vida de todos que dão a vida a quem sente. Pacientemente sentia a vida de todos os seus pacientes, que se não eram, se tornariam amigos. A medicina foi sempre missão e vocação. Dedicado, estudioso desde os tempos universitários,  formado, aportou em Campo Mourão no principiar da década de 1960.

Nascido em Lins, São Paulo, tinha 84 anos, Sérgio Rebeis deixou, mais do que marca, um molde exemplar da ética na ciência médica, familiarmente, com os muitos amigos, na sociedade mourãoense.

Com valores e modos peculiares, se punha no lugar das pessoas, o diálogo dele muitas vezes era principiado por meio do silêncio, dos olhos atentos, da expressão que denotava respeito, compreensão, decência. O diagnóstico levava em conta a pessoa, assim como o contexto, a trajetória da própria existência humana.

O que simboliza o pioneirismo de bons feitos por este lugar, que tinha nele um luzeiro cursor, foi o prédio do então Hospital Anchieta, modernas instalações e equipe de profissionais (atualmente unidade de serviços do Centro Universitário Integrado, centro da cidade). Rebens declarou ter sido um empreendimento ousado mas viável à época.

“Tenho dó do meu país”, disse-me ele quando o visitei no apartamento, ao comentar o que escrevera na cédula eleitoral (quando ela era de papel), no que para ele foi um momento “sem opção de segundo turno”, a disputa à presidência entre Collor e Lula. Assumia posições políticas, partidárias, não se omitia, tanto é que pôs o próprio nome para deputado federal. Fez política com desprendimento pessoal e com comprometimento público, legítimo.

Franco, aberto, expansivo, indignado com os erros, que se contrapunha como notável combatente, Sérgio Rebens também gargalhava-se com fatos pitorescos e humor. Tinha luz própria que perpassava com generosidade, lucides e afeto.

Fases de Fazer Frases (I)

Vida é passos, espaços, pasmos.

Fases de Fazer Frases (II)

Só, fala curta, incabível companhia.

Olhos, Vistos do Cotidiano

Emendas bancaram aprovação da reforma na Câmara. Velha política não se emenda.

Farpas e Fiapos

Velha política não saiu de cena, trocou o traje, é militar.

Reminiscências em Preto e Branco – Javete de Almeida Weiler: Lições de vida e escola

“Uma coisa importante que aprendi com a vida: Eu também sei deixar saudades” (Edelzia Oliveira).

Antes de ilustrar o quadro com lições, ela sabia que o maior aprendizado, adquirido e praticado, se tornaria fruto como exemplo. Ao longo de uma vida de plenitude humana formou gerações, notadamente na comunidade educacional da Escola Municipal Paulo VI, aprendizes das primeiras letras, primeiras contas, palavras, somas.

É uma parte bela, fundamental da história do ensino mourãoense que ela bem soube preencher, páginas, capítulos, memórias que no envolver do tempo sempre foram e serão memórias de conhecimento basilar.

Herança maior para a educação da professora, foi também a de mãe e avó, sensível, humana, justa, educadora com rigor e ternura, sempre elegantemente, firme, eloquentemente vívida.   

Reminiscências em Preto e Branco – João Gilberto: Chega a saudade, que não vai

“Vai, minha tristeza, e diz a ela/ Que sem ela não pode ser/ […] Porque eu não posso mais sofrer” […]…

O trecho acima é da composição de Vinícius Moraes e Tom Jobim, Chega de Saudade, marcada pela genialidade do intérprete que a consagrou. Dia 10 de julho ela fez 60 anos e simboliza o nascimento da Bossa Nova. João Gilberto morreu no sábado anterior aos 88 anos.

Voz e Violão, ou João Voz; Gilberto Violão. A influência é imensa, do Brasil ritmo perfeito que encantou o mundo, impregnou culturas dos todos os povos. Perfeccionista, na ambientação exigia exclusivamente o som da voz e o do violão. Gerações da música foram feitas tornando-as tão nossas, riquíssimas, para o mundo.

Silêncio, para o artista ecoar o som puro do intérprete. Silêncio ao ouvi-lo. Da despedida.

Reminiscências em Preto e Branco – 31 anos da Coluna

10 de julho de 1988 nasceu esta Coluna. Quarta anterior fez 31 anos. Grato a todos.

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